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Presidente da Petrobras mente sobre preços dos combustíveis em audiência na Câmara

Silva e Luna  foi ao Congresso Nacional “ explicar” os aumentos dos combustíveis. Para Federação Única dos Petroleiros (FUP), presidente da Petrobras mentiu aos parlamentares

Publicado: 14 Setembro, 2021 - 17h27 | Última modificação: 14 Setembro, 2021 - 17h45

Escrito por: FUP

Cleia Viana / Agência Câmara de Notícias
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Presidente da Petrobras, Joaquim Luna e Silva, em audiência na Câmara Federal

Na audiência, no plenário da Câmara dos Deputados, sobre “Operação das Termoelétricas e o Preço dos Combustíveis “, nesta terça-feira (14), o presidente da Petrobras, o general do Exército Joaquim Silva e Luna mentiu sobre a composição de custos da equivocada Política de Preço de Paridade de Importação (PPI) e seus impactos nocivos sobre a inflação e o custo de vida do trabalhador, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

A entidade diz que mais uma vez, Silva e Luna preferiu culpar o ICMS, imposto estadual, pela contínua alta dos preços,   não disse que o real motivo do governo de Jair Bolsonaro ( ex-PSL) para a dolarização dos preços dos combustíveis, é estimular uma política de incentivo às importações de derivados e do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), afim de  beneficiar produtores internacionais e importadores, como se o Brasil não produzisse internamente praticamente todo o petróleo que consome e não tivesse capacidade de refino.

Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar,  “enquanto a gestão da Petrobras não mudar a atual política de preços, de nada adianta o presidente da companhia ir ao Congresso Nacional, defender o indefensável, lançando mão de mentiras.

“O PPI , que segue as cotações do petróleo no mercado internacional, a variação do dólar e os custos de importação, é uma política injusta e desproporcional, que não considera que a Petrobras tem custos internos e não internacionais”, afirmou Bacelar.

O dirigente lembrou que de janeiro a agosto deste ano, a Petrobras reajustou a gasolina em suas refinarias em 52% e o diesel em 40%, sendo que a empresa é responsável por cerca de metade do valor cobrado nas bombas.

“Em meio à alta da gasolina, que já alcança R$ 7,00 em alguns estados, a Petrobras lançou propaganda mentirosa dizendo que recebe em média R$ 2 a cada litro de gasolina e, apesar de uma ação civil pública obrigar a Petrobras a suspender a publicidade enganosa, Silva e Luna manteve a mentira”, disse o dirigente da FUP.

Bacelar observou ainda que o presidente da Petrobras mentiu também ao dizer que todos os desinvestimentos da empresa estão sendo feitos a preços justos. Silva e Luna omitiu a venda da refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, para o fundo árabe Mubadala por US$ 1,65 bilhão, metade do valor de mercado, conforme apontou estudo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e levantamentos feitos por empresas do mercado financeiro. O mesmo ocorreu com a venda da Refinaria Isaac Sabá, de Manaus (Reman), feita às escuras, sem transparência, a preço de banana, US$ 189 milhões, 70% inferior ao seu valor em comparação com os cálculos estimados pelo Ineep.

Segundo Bacelar, ao ser indagado sobre a crise hídrica e qual política desenvolvida pela Petrobras para garantir o fornecimento de gás às termoelétricas, Silva e Luna preferiu se calar: não fez referência ao processo de desmonte da empresa que está sendo privatizada aos pedaços.

Na contramão da tendência mundial, a Petrobras, já vendeu praticamente toda a malha de gasodutos, sua participação na Gaspetro, que fornece gás natural às distribuidoras, suas unidades de energia renovável, como todas as plantas de energia eólica, e está se desfazendo das plantas de biocombustível.

O coordenador-geral da FUP criticou ainda a política de governança da gestão da empresa.

“Silva e Luna disse ter uma forte estrutura de governança corporativa, mas não fez referência à indignação popular pelo fato dele receber um salário de 220 mil mensais; da alta dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis e a distribuição de dividendos a acionistas em valores recordes de R$ 41 bilhões”.  

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