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Presidente da CNTSS/CUT é eleito para compor Comitê Executivo Regional da ISP

Eleição aconteceu durante a 12ª Conferência Regional Interamericana, que reuniu 435 lideranças de vários países em Buenos Aires; dirigente também falou sobre sindicalismo em mesa de debates

Publicado: 05 Julho, 2019 - 11h35 | Última modificação: 05 Julho, 2019 - 11h52

Escrito por: José Carlos Araújo/ CNTSS

CNTSS
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O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS/CUT), Sandro Alex de Oliveira Cezar, foi eleito para compor o Comitê Executivo Regional da  Internacional do Serviço Público (ISP) para o período de 2019 a 2024. A ISP é uma federação sindical mundial que representa cerca de 20 milhões de trabalhadores em mais de 160 países. Seu trabalho, que tem interface com as Nações Unidas e com entidades da sociedade civil e sindicatos, é voltado à justiça social, à defesa dos direitos humanos e à promoção do acesso universal a serviços públicos de qualidade.

A escolha da nova direção aconteceu durante a programação da 12ª Conferência Regional Interamericana (IAMRECON), cuja programação oficial se deu de 24 a 28 de junho, em Buenos Aires, Argentina, e reuniu 435 lideranças, entre delegados, observadores e convidados, vindos de todas as Américas. O evento procurou trabalhar a atual conjuntura vivenciada pelos trabalhadores públicos das Américas do Norte, Central e Sul, e Caribe. São 140 organizações sindicais oriundas de 35 países, representando um total de 3,3 milhões de trabalhadores afiliados. O evento também permitiu a definição de Plano de Ação para o setor, tendo como referência as deliberações do último Congresso Mundial da ISP, de 2017, que construiu a plataforma “O Povo acima dos lucros”.

A 12ª Conferência optou pelo seguinte eixo central: “O povo acima do Lucro! A luta em defesa do Estado contra o poder corporativo”. Uma programação diversificada que se desdobrou em mesas e debates que contaram com as contribuições de dirigentes e técnicos de vários países. Desta forma, foi possível discutir temas como dívida pública, corporações transnacionais, serviço público, sindicalismo, justiça fiscal, poder corporativo, futuro do trabalho e alterações climáticas. A programação oficial foi precedida, a partir de 21 junho, pelos SUBRACs e os Comitês Subregionais de Mulheres para América Central, Países Andinos, Cone Sul e Brasil.

A proposta da ISP para a realização da IAMRECON visou “possibilitar o fomento de redes, fazer contatos e desenvolver parcerias para se trabalhar de maneira conjunta ao longo do próximo mandato”. Tendo em vista os fortes ataques contra o campo sindical e as graves crises econômicas, políticas e sociais que atingem os países da região, o apelo pela unidade e a integração nas lutas é ainda maior. Fato reafirmado na abertura do evento na fala da secretária-geral da ISP, Rosa Pavanelli, ao destacar que “estamos num momento em que é preciso fortalecer a região, numa perspectiva que seja de defesa dos serviços públicos de qualidade e onde seja garantido um trabalho decente e digno. Precisamos da capacidade de coordenar nossas ações,” disse a dirigente.

Denunciando ataques ao movimento sindical

A CNTSS/CUT representou as entidades sindicais da Seguridade Social e do Brasil na 2º mesa de debates proposta pelos coordenadores da Conferência para acontecer na terça-feira, 25 de junho. A temática “Direitos Sindicais: Sindicatos mais fortes e com mais poder de negociação para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos” foi abordada por seu presidente, Sandro Cezar. Nesta mesa também contribuíram Álvaro Pedro, FES América Latina; Luis Alpírez Guzmán, da Guatemala; Camilo Rubiano, ISP; e Ana Maria Lizárraga, países Andinos.

Sandro Cezar fez um relato amplo sobre a realidade recente do movimento sindical brasileiro e um retrato do processo golpista que atingiu nossa democracia e levou ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e agora, mais recentemente, com as ações orquestradas para tirar a chance de candidatura de o ex-presidente Lula a partir de sua prisão sem provas e sem crime e que permitiu a chegada ao poder do projeto de extrema direita de Jair Bolsonaro. O presidente da CNTSS/CUT aproveitou a oportunidade da Conferência para reiterar o agradecimento à solidariedade do movimento sindical internacional que tem sido muito importante para os trabalhadores brasileiros. A mesma solidariedade que tem sido fundamental também na defesa do companheiro Lula, por Lula Livre e pela retomada da democracia em nosso país.

O presidente da Confederação lembra que o protagonismo do movimento sindical no país sempre foi grande. “Neste período recente, vivemos um momento único em que as instituições da República se viraram contra a vontade popular. O movimento sindical sempre teve um papel importante na história do país. Basta lembrar que as greves do final das décadas de 1970 e início de 1980 ajudaram a trazer o pais novamente para o regime democrático com o fim da ditadura militar. Hoje, vivemos um momento de exceção. Uma onda conservadora tomou conta da sociedade brasileira, assim como acontece em outros países do mundo. Esta onda encontra resistência no mundo sindical para manutenção dos direitos dos povos”, menciona Sandro Cezar.

“Michel Temer trouxe a reforma Trabalhista e outras mudanças. A maior resistência a estas medidas contra o povo foi exercida pelos trabalhadores, que fizeram greve geral, foram às ruas, construíram movimento para impedir o retrocesso.  No Brasil, vemos agora a estratégia de atacar o direito sindical, com a retirada do financiamento das entidades sindicais, com o fim do imposto sindical. Há uma desregulamentação do mercado de trabalho e um processo forte de perseguição contra os sindicatos. Recentemente editaram uma Medida Provisória que suspende o repasse voluntario na folha de pagamento das mensalidades dos associados. Com esta estratégia de acabar com os sindicatos torna mais fácil o governo conseguir sua intenção mais recente que é ver aprovada a reforma da Previdência, ” destaca o presidente da Confederação.

A CNTSS/CUT esteve presente ao evento com uma delegação composta por dirigentes de sua direção e de algumas entidades filiadas. Além de seu presidente, participaram a secretária de Saúde do Trabalhador e secretária-geral adjunta da CUT – Central Única dos Trabalhadores, Maria Aparecida Faria; a tesoureira, Célia Regina Costa; a secretária de mulheres e secretária adjunta de Saúde do Trabalhador da CUT, Maria de Fátima Veloso. Pelo Sindsaúde São Paulo fizeram parte a presidente e a secretária da Mulher Trabalhadora, respectivamente, Cleonice Ribeiro e Maria Aparecida de Deus. Também por este sindicato foi representando a juventude o dirigente João Guilherme. A FEESSERS foi representada por Terezinha Perissinoto; o SEESP, por sua presidenta, Solange Caetano, e o Sinpsi São Paulo, por sua presidente, Fernanda Lou Sans Magano.