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População e empresários contabilizam prejuízos de 22 dias de apagão no Amapá

Enquanto associação de bares e restaurantes se articula para exigir a devida reparação pelos danos, população critica governo que se limitou a isentar conta de luz depois de ser pressionado

Publicado: 27 Novembro, 2020 - 10h50 | Última modificação: 27 Novembro, 2020 - 11h07

Escrito por: Redação CUT

Maksuel Martins/Secom/GEA
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Os moradores e os empresários do estado do Amapá viveram 22 dias de completo caos e agora contabilizam diversos prejuízos, que vão desde despesa extra com comida pronta porque perderam os alimentos que tinham em casa, vela e água a preços abusivos até a elétricos e eletrônicos queimados e perda de insumos perecíveis nos bares e restaurantes, que pode provocar demissões.

O prejuízo médio pela falta de receita no comércio é estimado em R$12 mil e o causado pela falta de insumos, que estragaram e equipamentos queimados é de, em média, R$ 8 mil a R$ 10 mil, segundo avaliação feita por Sandro Belo, executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amapá (Abrasel), que representa cerca de 1.400 empresas no estado, sendo 900 delas localizadas na capital, Macapá, à reportagem do BdF.

Como o Portal CUT relatou muitos moradores também tiveram casas incendiadas, sofreram com os assaltos no meio da escuridão, com o calor de mais de 30 graus que os impedia de dormir porque faltava ventilação, além da  comunicação extremamente precária. Tudo isso em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid -19).

Reportagem do BdF desta sexta-feira (27) conta outros dramas dos moradores. Um dos casos é o de Elaine Almeida, 35 anos, uma das muitas pessoas prejudicadas pelo blecaute que atingiu o estado no dia 3 de novembro.

Elaine está desempregada e mesmo com dificuldade financeira teve que comprar marmita, porque não era possível armazenar alimentos com segurança. Além disso, a mãe perdeu uma televisão de 43 polegadas, comprada com muito esforço, que queimou na intermitência da energia.

"Além da TV que foi o prejuízo maior, o que também estragou foi verdura na geladeira. A gente se virava comprando comida todo dia, porque se comprasse em quantidade poderia estragar, já que a energia ficava indo e voltando. Quando a energia ia embora, a gente corria e tirava tudo da tomada, porque depois que a TV queimou ficamos mais atentos. Quando ela retornava, ligávamos tudo novamente. Agora, minha mãe está sem televisão", conta.

Além dos gastos com a comida pronta, a população também teve de desembolsar o pouco que tinha para comprar água, vendida por muitos comerciantes a preços abusivos. Após denúncia da população, o Instituto de Defesa do Consumidor do Amapá (Procon) realizou fiscalização multando alguns estabelecimentos.

A única ajuda do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), depois de pressionado por parlamentares foi isentar a população da conta de luz. Para Elaine, os efeitos da medida são mínimos. "Isso é mais do que justo, porque ficamos sem energia por 20 dias e ainda teríamos que pagar por isso?”, questionou.

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O Brasil de Fato entrou em contato com a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) sobre os prejuízos à população. A Companhia informa que as pessoas que se sentirem lesadas devem procurar o atendimento da própria CEA e fazer o registro de queima de equipamento.

"A companhia vai seguir o regulamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de fazer inspeção, gerar laudo e, caso se confirme que houve de fato a queima por oscilação, providenciaremos o ressarcimento", esclareceu a assessoria à jornalista Catarina Barbosa, do BdF de Belém.

Desemprego e falência

Com a perda de receita e os prejuízos com os insumos perecíveis, além de equipamentos elétricos e eletrônicos queimados, cerca de 94% do total das empresas do Amapá, que são micro e pequenos negócios ou empresas familiares com no máximo cinco colaboradores, estão com dificuldades, segundo o BdF.

"O apagão, infelizmente, causou o fechamento de um número significativo de pequenos negócios, a dispensa de mão de obra e a impossibilidade de receita por conta do fechamento por alguns dias e em alguns turnos dessas empresas. São serviços essenciais, a alimentação, principalmente, em um período em que a população não conseguia armazenar proteínas em suas residências. Então, muitas famílias procuravam o alimento pronto fora do lar", disse o eecutivo da Abrasel.

A associação, segundo o dirigente, está se articulado para tomar as medidas necessárias e exigir a devida reparação pelos danos. "A Abrasel tem buscado parcerias com escritórios de advocacia no sentido de buscar a reparação junto aos responsáveis legais pelo serviço de rebaixamento da energia elétrica e demais entidades que serão arroladas diante do ponto de vista legal para trazer essa reparação junto às empresas”.

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