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Polícia de Brasília ataca manifestação pacífica

20 mil marchavam pela Esplanada ao se depararem com forte repressão, cassetetes e bombas

Publicado: 11 Maio, 2016 - 20h57 | Última modificação: 12 Maio, 2016 - 08h47

Escrito por: Isaías Dalle e Luiz Carvalho

Jornalistas Livres
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Paredão contra o povo em Brasília na noite do dia 11 de maio

Mais um mau sinal dos tempos que estão por vir. Milhares de manifestantes contra o golpe e em defesa dos direitos sociais marchavam no início da noite desta quarta, 11, pela Esplanada dos Ministérios, rumo ao Senado. Uma barreira policial não só impediu o prosseguimento da marcha como usou cassetetes e bombas de gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.

A maioria da linha de frente da manifestação era composta por mulheres, que horas antes haviam deixado o plenário da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres para se juntar à marcha organizada pela Frente Brasil Popular.

Era um mar de gente, estimado em mais de 20 mil pessoas, trabalhadores e trabalhadoras urbanos e rurais, militantes de todas as origens, estudantes, idosos.

Ao chegarem na lateral do Congresso, depararam-se com a barreira policial e com a informação de que todos teriam de ser revistados para poder prosseguir. Após espera de aproximadamente meia hora, um empurra-empurra foi tratado na base da pancada.Ao menos seis pessoas ficaram feridas e foram medicadas no hospital. A informação é quem uma delas fraturou a perna por conta da agressão policial. 

Por fim, a marcha não chegou até o prédio do Senado, que já havia passado todo o dia de hoje cercado por forte aparato policial, incluindo a Polícia Legislativa Federal. Poucos conseguiram entrar, além dos próprios senadores.

Logo após o final da confusão causada pela polícia do Distrito Federal, nossa reportagem flagrou um trio elétrico em que uma uma mulher gritava “pé na bunda dela, o Brasil não é Venezuela”.

Se Dilma for afastada nesta noite, o clima de reacionarismo, fascismo e repressão – seriam sinônimos? – tende a aumentar, pois políticos que representam essa linhagem vão assumir postos-chaves da República. Entre os ministros já apontados como certos num provável governo MIchel Temer (PMDB) está Alexandre de Moraes, o atual secretário de Segurança do Estado de São Paulo, como um possível titular da Justiça.

Moraes tem comandado uma das mais sangrentas polícias do Brasil. Recentemente, ao comentar manifestações contra o impeachment ocorridas na capital paulista, classificou-as como “atos terroristas”.

Mesmo assim, a marcha foi marcada pela beleza da vontade e da unidade popular. Contaremos mais em texto próximo.