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Plano de vacinação de Bolsonaro é insuficiente e tem assinaturas não autorizadas

Plano entregue ao STF tem 36 assinaturas de especialistas que sequer viram o texto. Eles elencaram vários problemas no plano, que não prevê como prioritárias as populações mais vulneráveis

Publicado: 14 Dezembro, 2020 - 10h22 | Última modificação: 14 Dezembro, 2020 - 10h55

Escrito por: Redação CUT

Governo de SP/Divulgação
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Com o país se aproximando dos 7 milhões de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus e mais de 181 mil vidas perdidas para a Covid-19, doença provocada pelo vírus, o governo do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) entregou para o Supremo Tribunal Federal (STF) plano de vacinação com 36 assinaturas não autorizadas, sem previsão de início da campanha de imunização e com apenas 108,3 milhões de doses previstas para  51 milhões de pessoas que fazem parte de grupos prioritários.

O plano foi entregue no sábado (12) pelo advogado-geral da União, José Levi, ao ministro Ricardo Lewandovski, relator das ações que tratam da obrigatoriedade da vacina e outras medidas de combate à pandemia.

No dia seguinte, especialistas que integram o grupo “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional Vacinação Covid-19”, que assessorou o governo na elaboração do plano, se disse surpreendido ao saber pela imprensa da existência do documento, afirmaram que não autorizaram suas assinaturas no documento e criticaram o plano

"Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência. Importante destacar que o grupo técnico havia solicitado reunião e manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes", diz o texto.

Os pesquisadores consideram o plano insuficiente por não prevê prioridade na imunização de todas as populações vulneráveis, como quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade, pessoas com deficiência, trabalhadores da educação e de serviços essenciais.

"Um atraso na campanha de vacinação significa vidas perdidas", diz o trecho final da nota, que alerta: é preciso "utilizar a ciência para a tomada de decisão que norteará o que mais importa, a preservação de vidas de milhares de brasileiros e brasileiras".

Depois da confusão, neste domingo (13) o Ministério da Saúde disse que os pesquisadores foram consultados para participar de debates, mas “sem qualquer poder de decisão”.

Enquanto o documento era tornado público pelo STF, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, se encontrava para almoço na casa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), com o cantor sertanejo Zezé di Camargo, que forma dupla com o irmão Luciano. Todos posaram para fotos, sem usar máscaras.

‘Nós não vimos o documento’

Ainda ontem à noite, a epidemiologista Ethel Maciel usou a rede social Twitter para comentar o episódio. “Nós, pesquisadores que estamos assessorando o governo no Plano Nacional de Vacinação da Covid-19, acabamos de saber pela imprensa que o governo enviou um plano, no qual constam nossos nomes e nós não vimos o documento. Algo que nos meus 25 anos de pesquisadora nunca tinha vivido!”, afirmou Ethel. Ela é também professora da Universidade Federal do Espírito Santo.

Segundo o ministério, o Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19, elaborado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, foi entregue eletronicamente na sexta-feira (11) ao STF e à Advocacia-Geral da União (AGU). Mas será “apresentado e detalhado à população” na próxima quarta-feira (16). E poderá “sofrer modificações durante o seu processo de implementação”.

Com informações da Agência Brasil, UOL e RBA.