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Petroleiros podem entrar em greve caso Petrobras continue se negando a negociar

Federação Única dos Petroleiros indica rejeição da proposta de negociação apresentada pelo TST e alerta: caso a Petrobras não retome as negociações com a categoria, deve paralisar atividades em 26 de outubro

Publicado: 03 Outubro, 2019 - 16h35 | Última modificação: 03 Outubro, 2019 - 17h00

Escrito por: Redação CUT

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) está orientando seus sindicatos e trabalhadores a não aceitarem o acordo proposto pela Petrobras, apresentado após mediação no TST, que retira direitos conquistados ao longo de anos de luta. Os sindicatos de petroleiros de todo o país realizam  assembleias a partir do dia 7 de outubro para apresentar oficialmente a proposta do TST, com orientação da FUP pela rejeição.

A decisão foi tomada na reunião do Conselho Deliberativo da entidade, nesta quarta-feira (2). Além de recusar a proposta, o conselho também vai indicar a aprovação de alterações à proposta encaminhada ao TST. No dia 26 de setembro, a FUP protocolou no Tribunal um documento com alternativas para negociação.

A categoria pode deflagrar greve a partir de zero hora do dia 26 de outubro, caso não haja nenhuma negociação com a Petrobras até o dia 22. O coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, explica que a estatal tem se mostrado intransigente e se nega a dialogar.

“Todos os conflitos sempre foram resolvidos internamente [entre a direção da estatal e os trabalhadores], mas desta vez, a Petrobras preferiu ir ao TST, se negando a sentar com os sindicatos para negociar”.

“O que a Petrobras tem a temer? Por que insiste em fugir do processo de negociação bilateral?”, questiona Rangel.

Mediação de conflitos

A proposta de negociação da FUP na campanha salarial deste ano manteve a essência do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria, sem perda de direitos.

Mesmo não concordando com a forma de negociação encaminhada pelo TST, a FUP e sindicatos de petroleiros respeitaram a mediação e apresentaram, no dia 26 de setembro, propostas para o novo acordo coletivo, com itens que melhoram a proposta anterior (do TST) e mantiveram direitos da categoria.

De acordo com Rangel, é falso o argumento usado pela Petrobras de que a empresa precisa retirar direitos de trabalhadores para poder se manter.

“Já provamos, usando os próprios balanços da empresa, que isso não se sustenta. Seria muito mais honesto dizerem ‘queremos rebaixar seus direitos’ por questões políticas impostas por um governo que não aceita ascensão de trabalhadores”, diz o coordenador-geral da FUP se referindo a Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe.  

Unidade

Em um vídeo gravado após reunião do Conselho Deliberativo da FUP, Rangel conclamou os trabalhadores do sistema Petrobras a fazerem um exame de consciência e se lembrarem de quem está ao lado deles, de quem lutou para conquistar direitos da categoria petroleira ao longo dos anos, se referindo à luta da Federação pelos trabalhadores.

Por isso, prossegue no vídeo, é necessário que todos os trabalhadores compareçam às assembleias em suas bases para somar forças e vencer o “momento difícil que passamos e fazer da Petrobras uma empresa cada vez mais forte e indutora do desenvolvimento do Brasil”.

Para a direção da FUP, um novo acordo coletivo também deve ser estendido às subsidiárias e à fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados, situada no Paraná.

“Qualquer coisa diferente disso será considerada traição aos companheiros e companheiras que sempre contribuíram para o crescimento da Petrobras”, reforça Rangel.