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PEC da tarifa zero aguarda despacho na Câmara dos Deputados

Proposta do governo Lula prevê passagem de ônibus gratuita aos fins de semana e feriados. Financiamento depende de parte das emendas parlamentares e enfrenta divergências no Congresso

Publicado: 28 Outubro, 2026 - 15h21 | Última modificação: 28 Outubro, 2026 - 16h31

Escrito por: Redação CUT

Paulo Pinto / Agência Brasil imagem modificada por IA
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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2026, conhecida como PEC da Tarifa Zero, ainda não foi aprovada e aguarda despacho da Presidência da Câmara dos Deputados para iniciar sua tramitação. Enviada pelo governo federal em 21 de outubro, a proposta prevê transporte público urbano gratuito aos sábados, domingos e feriados.

O objetivo é reduzir os gastos das famílias e facilitar o acesso ao lazer, à cultura e a outros espaços da cidade. Para que a medida entre em vigor, porém, o texto precisará ser analisado e votado pelo Congresso Nacional, além de superar divergências sobre a destinação dos recursos que financiarão a gratuidade.

Mais tempo livre também precisa caber no orçamento

Com o fim da escala 6x1, o direito de mais um dia de descanso ganha uma grande importância. Mas ter mais horas de folga não basta quando falta dinheiro para aproveitar esse período. Passear com os filhos, visitar parentes ou encontrar os amigos são atividades fudamentais para o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Para quem depende do próprio salário, o custo das passagens pode pesar no orçamento e até impedir um passeio no parque ou uma atividade cultural com as crianças. Na prática, o trabalhador tem mais tempo livre, mas continua sem condições financeiras para sair de casa e aproveitar o dia de lazer.

Ao anunciar a proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção para essa realidade:

“Muitas vezes, as pessoas ficam em casa no domingo, não conseguem sair de casa, porque não têm o dinheiro da condução”, afirmou o presidente.

A tarifa zero busca reduzir essa barreira. Sem pagar pela passagem nos dias contemplados, as famílias poderão economizar e ampliar suas possibilidades de diversão e convivência. Para que o benefício se traduza em melhores condições de vida, no entanto, também será necessário garantir transporte de qualidade, com linhas suficientes, horários adequados, acessibilidade e segurança para passageiros e trabalhadores.

Como será financiada a tarifa zero

A proposta prevê utilizar parte das emendas parlamentares para custear o transporte gratuito. Essas emendas são recursos do Orçamento da União que deputados e senadores destinam a obras, serviços e projetos em estados e municípios.

Pela proposta, uma parcela dessas verbas será reservada ao financiamento da tarifa zero. Na prática, isso reduzirá os recursos que os parlamentares poderão direcionar a outras iniciativas, o que está no centro da divergência política em torno da PEC.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende a preservação dos recursos das emendas e a discussão de alternativas para financiar a medida.

O impasse envolve, portanto, a definição de como custear a gratuidade e distribuir os recursos públicos entre diferentes demandas. Para avançar, a proposta precisará superar as divergências e conquistar apoio suficiente no Congresso Nacional.

O que falta para a passagem gratuita sair do papel

Em 28 de outubro, a PEC 18/2026 aguardava despacho da Presidência da Câmara dos Deputados. Após a definição do rito de tramitação, o texto deverá passar pelas etapas de análise e votação previstas para propostas de emenda à Constituição.

A aprovação exige pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.

A proposta prevê efeitos financeiros a partir da Lei Orçamentária Anual de 2027. Isso não significa que a gratuidade começará automaticamente naquele ano: a implementação dependerá da aprovação da PEC e da regulamentação necessária.

Até lá, o financiamento e as condições para a oferta do serviço estarão entre os principais pontos a serem definidos. Para os trabalhadores, a discussão envolve não apenas o custo da passagem, mas também as condições de aproveitar o tempo de descanso, conviver com a família e participar da vida cultural da cidade.

Para acompanhar a tramitação da proposta, acesse a página da PEC 18/2026 na Câmara dos Deputados