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Partido de Bolsonaro gastou R$ 400 mil de verba pública com ‘candidata laranja’

Com dois laranjas denunciados em uma semana – o primeiro foi o Ministro do Turismo, Marcelo Álvares Antônio (PSL) – cai por terra o discurso de ética e combate à corrupção do partido de Bolsonaro

Publicado: 11 Fevereiro, 2019 - 12h34 | Última modificação: 11 Fevereiro, 2019 - 14h58

Escrito por: Redação CUT

Divulgação
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Jair Bolsonaro e o atual presidente do PSL Luciano Bivar

O partido do presidente Jair Bolsonaro (PSL) destinou R$ 400 mil de dinheiro público na conta de uma candidata laranja a deputada federal em Pernambuco, nas eleições de 2018. Faltando apenas quatro dias para a eleição, Maria de Lourdes Paixão, que é secretária administrativa do PSL no estado e teve apenas 274 votos nas eleições, recebeu o valor do fundo partidário da direção nacional e gastou R$ 380 mil em apenas uma gráfica.

A candidata laranja foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que recebeu a candidatura do próprio Bolsonaro e da deputada Joice Hasselmann (SP), que teve 1,079 milhão de votos. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo nesse domingo (11).

Segundo a prestação de contas de Maria de Lourdes, 95% do valor foi gasto na Gráfica Itapissu para impressão de 9 milhões de "santinhos" e 1,7 milhão de adesivos, tudo praticamente às vésperas do dia em que os brasileiros foram às urnas, em 7 de outubro. Ela teria contratado apenas quatro pessoas para distribuir os panfletos, o que significa que eles precisariam ter distribuído 750 mil panfletos por dia cada um – seriam sete panfletos por segundo, no caso de trabalharem 24 horas ininterruptas, segundo a Folha.

A então candidata Maria de Lourdes disse não se lembrar do nome do contador de sua campanha, nem da gráfica contratada, nem dos valores gastos ou do tipo de material encomendado. No endereço que consta na nota fiscal entregue na prestação de contas, no bairro Arruda, no Recife, há uma funilaria de carros. A oficina está no local desde abril do ano passado e os funcionários relataram que o local antes estava vazio. Já o endereço constante da Receita Federal tem no local um café e uma papelaria. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Gráfica Itapissu recebeu R$ 1,8 milhão na eleição de 2018.

O gerente da gráfica, Paulo Henrique Vasconcelos, procurou a reportagem da Folha. No entanto, se mostrou surpreso ao ser questionado sobre o valor gasto na gráfica e, inicialmente, negou que tenha feito o serviço. No dia seguinte, disse que tudo foi feito e entregue, mas se negou a dar detalhes de como realizou o trabalho já que a sede da empresa não foi encontrada nos endereços em que a gráfica estaria funcionando.

A direção do partido de Bolsonaro negou que a candidata seja laranja, mas disse não ter detalhes sobre sua candidatura e valores recebidos. O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, e o vice-presidente do partido, Antonio de Rueda – que é advogado particular de Bivar – disseram que a decisão sobre o repasse dos R$ 400 mil foi do então presidente do partido, atual ministro da secretaria-geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Era ele quem decidia a destinação de verbas e coordenava a campanha de Bolsonaro, cujo principal mote era o discurso do combate à corrupção e da moralização da política.

Apesar de ser uma das campeãs de verba pública do PSL, Lourdes teve uma votação que indica uma candidatura de fachada, em que há simulação de atos de campanha, mas não o empenho efetivo na busca de votos.

Outros laranjas
A situação é semelhante à do Ministro do Turismo e deputado federal, Marcelo Álvares Antônio (PSL), que apoiou quatro candidaturas laranjas em Minas Gerais e direcionou dinheiro a empresas ligadas ao seu gabinete. As candidatas receberam R$ 279 mil e conseguiram, juntas, aproximadamente 2 mil votos apenas.

Além destas, há o caso de uma ex-candidata do PSL que fugiu para Portugal alegando ter sido ameaçada por apoiadores de Marcelo Álvares. Cleuzenir Souza recebeu R$ 60 mil do PSL para sua candidatura a deputada federal, mas não gastou nada em empresas associadas ao ministro. Durante a campanha, Cleuzenir registrou Boletim de Ocorrência contra dois assessores dele por pressioná-la a devolver metade do valor destinado a ela.

*Com informações Rede Brasil Atual

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