“Parem de nos matar”: mulheres vão às ruas contra a violência no 8 de Março
Protestos do 8 de Março reuniram sindicatos, movimentos sociais e lideranças políticas em defesa da vida das mulheres e de mais direitos.
Publicado: 08 Março, 2026 - 20h18 | Última modificação: 08 Março, 2026 - 20h45
Escrito por: André Accarini e Walber Pinto
A CUT, sindicatos, movimentos de mulheres e movimentos sociais foram às ruas em diversas cidades do país neste domingo (8), Dia Internacional das Mulheres, para denunciar a violência de gênero, defender direitos e cobrar mais representatividade feminina nos espaços de poder. Os atos reuniram organizações feministas, centrais sindicais e movimentos populares em mobilizações que ocorreram ao longo do dia em capitais e cidades do interior.
As manifestações tiveram como principais bandeiras o combate ao feminicídio, o fim da escala 6x1, a ampliação da participação das mulheres na política, a defesa da democracia e da soberania dos povos. Em várias cidades, os protestos também lembraram casos recentes de violência contra mulheres e cobraram políticas públicas mais efetivas de proteção.
O chamado deste 8 de Março tem como centro um problema estrutural da sociedade. O enfrentamento à violência além de mudança radical de comportamento dos homens em relação às mulheres, exige também mudanças nas condições de trabalho, na divisão do cuidado e na ocupação dos espaços de decisão política – temas que foram visibilizados nas mobilizações organizadas em todo o país.
“Basta de violência”
Em Brasília, mulheres se reuniram na Funarte para marcar a data com falas de lideranças sindicais e de movimentos sociais. O ato contou com participação de entidades e a presença da deputada federal Érica Kokay.
A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, destacou que o 8 de Março é um dia de mobilização para denunciar a violência contra as mulheres e defender direitos.
“Nesse 8 de março, dia internacional de luta das mulheres, nós estamos ocupando as ruas desde o início da manhã para dizer basta, basta de violência, para denunciar essa triste realidade em que a cada 24 horas quatro mulheres são assassinadas no nosso país. Para dizer que criança não é esposa, que criança não é mãe e também protestando contra o avanço do imperialismo no mundo”, afirmou.
Durante o ato em Brasília, a dirigente, ressaltou também outros aspectos cruciais da realidade das mulheres, entre eles, o impacto por conflitos internacionais e crises econômicas. “Governos autoritários têm políticas que promovem guerras e sanções econômicas, em que nós mulheres sentimos os primeiros impactos”, disse.
A dirigente também ressaltou que 2026 é um ano eleitoral e defendeu maior presença feminina no Congresso Nacional. “Nós estamos nas ruas para dizer que precisamos aumentar a nossa representatividade no Congresso Nacional, elegendo mulheres progressistas, mulheres feministas comprometidas com as nossas pautas e com as nossas lutas.”
Pauta nacional
Outro tema presente nas mobilizações foi a defesa do fim da escala 6x1, considerada uma jornada que aprofunda a sobrecarga de trabalho sobre as mulheres. “Somos nós mulheres que temos as jornadas mais longas e exaustivas. Mas esse debate precisa vir acompanhado da discussão sobre a participação no trabalho de cuidados para que o fim da escala 6 por 1 tenha efetividade na vida das mulheres”, afirmou.
Estamos nas ruas pelo direito à vida, pela soberania dos povos, por mais representatividade na política e pelo fim da escala 6 por 1
Atos pelo país
Centro-Oeste
- Brasília (DF)
Na capital federal, o ato ocorreu na Fundação Nacional de Artes (Funarte) e reuniu movimentos sociais, sindicatos e organizações de mulheres. Mesmo com a forte chuva que atingiu a cidade no início da tarde, a mobilização contou com a participação de entidades e lideranças políticas, como a deputada Érika Kokay. O protesto foi marcado por críticas ao governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha, e por reivindicações por mais políticas públicas de proteção às mulheres.
Sul
- Curitiba (PR)
O centro da capital paranaense foi tomado por mulheres na manhã do 8 de março. A mobilização partiu da Praça Santos Andrade e seguiu em marcha pela Rua Marechal Deodoro. Sindicatos e movimentos sociais participaram do ato em defesa do combate à violência contra as mulheres, pelo fim da escala 6x1 e por mais representatividade feminina na política.
#8M Curitiba.
— CUT Brasil (@CUT_Brasil) March 8, 2026
O centro da capital paranaense foi tomado por mulheres na manhã deste domingo (8). Entidades sindicais e movimentos sociais marcharam contra a violência contra as mulheres, pelo fim da escala 6x1 e por mais representação na política.
Fotos: Gibran Mendes pic.twitter.com/hxMmvGTQv0
- Porto Alegre (RS)
Na capital gaúcha, milhares de pessoas se reuniram no Largo dos Açorianos para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. A mobilização contou com a participação de sindicatos e movimentos sociais e seguiu em marcha pelo centro da cidade, defendendo igualdade salarial, combate à violência e valorização do trabalho das mulheres.
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Sudeste
- Rio de Janeiro (RJ)
O ato na capital fluminense reuniu movimentos sociais, sindicatos e representantes políticos. o protesto foi marcado por lembranças às investigações de casos de estupro coletivo a adolescentes que ganharam repercussão nacional nos últimos dias. Participaram do ato a ministra Anielle Franco e as deputadas Benedita da Silva, Jandira Feghali e Talíria Petrone. - Rio de Janeiro – Copacabana (RJ)
Ainda na capital fluminense, um ato simbólico foi realizado na Praia de Copacabana, onde cruzes foram fincadas na areia com o lema “Parem de nos matar”, em memória das vítimas de feminicídio no país. - Belo Horizonte (MG)
Na capital mineira, dezenas de mulheres ocuparam a Praça Raul Soares para protestar contra a violência de gênero e reafirmar a defesa da vida das mulheres. Veja mais fotos no Instagram da CUT MG - Vitória (ES)
No Espírito Santo, a mobilização ocorreu no dia 6 de março, na Praça Getúlio Vargas, reunindo mulheres sindicalistas, parlamentares e lideranças sociais em defesa do combate ao feminicídio e pelo fim da escala 6x1. - Campinas (SP)
No interior paulista, sindicatos, movimentos sociais, estudantes e partidos progressistas ocuparam as ruas da cidade em defesa da vida das mulheres, por direitos, igualdade e respeito no mundo do trabalho. Veja fotos no Instagram - Sorocaba (SP)
Em Sorocaba, mulheres também foram às ruas na manhã do 8 de março. O ato reuniu sindicatos e movimentos sociais que cobraram medidas mais firmes no enfrentamento ao feminicídio e políticas de proteção às mulheres. Veja fotos no Instagram
Nordeste
- Aracaju (SE)
Na capital sergipana, um ato político-cultural foi realizado na Feira Livre do Bugio, onde mulheres trabalhadoras dialogaram com a população sobre a luta contra o feminicídio, o transfeminicídio e o racismo, além da defesa do fim da escala 6x1.
Na Feira Livre do Bugio, ato político cultural das mulheres trabalhadoras conversou com população. Por mais mulheres na política, pela soberania dos povos e pelo Fim da Escala 6x1 sem redução de salários!
— CUT Brasil (@CUT_Brasil) March 8, 2026
Fotos: Iracema Corso (CUT-SE) pic.twitter.com/n39am3CXW3
- Natal (RN)
Em Natal, o ato “Mulheres Vivas” reuniu manifestantes em defesa da vida das mulheres. A mobilização destacou pautas como o combate ao feminicídio, o fim da escala 6x1 e a ampliação da presença feminina na política.
Ato Mulheres VIVAS em Natal/RN
— CUT - RN (@cutpotiguar) March 8, 2026
Concita Alves@CUT_Brasil#8M#DiaDaMulher pic.twitter.com/2DaXfIaq4W
- Maceió (AL)
Na capital alagoana, mulheres ligadas a sindicatos e movimentos sociais participaram de mobilizações em defesa da vida das mulheres, com reivindicações por igualdade salarial, combate ao feminicídio e maior representação política. Veja mais fotos no Instagram da CUT Alagoas
Norte
- Belém (PA)
Na capital paraense, mulheres também se mobilizaram para marcar o 8 de março com manifestações organizadas por movimentos sociais e sindicatos, defendendo o combate à violência de gênero, melhores condições de trabalho e mais mulheres nos espaços de decisão política.
Outros atos foram realizados em Boa Vista (RR), Salvador 9BA), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT), Goiânia (GO) e Palmas (TO), além de várias cidades do interior dos estados.
Veja a galeria de fotos com imagens dos atos organziados pela CUT