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SP: Paralisação do transporte em defesa da vida está mantida para o dia 20

Em Encontro com Lideranças sindicais do transporte de São Paulo, o Secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, sinaliza vacinar categoria por etapas

Publicado: 15 Abril, 2021 - 12h28 | Última modificação: 15 Abril, 2021 - 12h38

Escrito por: Viviane Barbosa, Redação CNTTL

CNTTL
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Lideranças dos sindicatos de trabalhadores do transporte público municipal,  urbano, intermunicipal e rodoviário do estado de São Paulo se reuniram com o Secretário de Desenvolvimento Regional do Governo Dória (PSDB), Marco Vinholi , na terça-feira (13), para debater a urgência em incluir a categoria no grupo prioritário de vacinação contra a COVID-19.

No encontro, Vinholi reconheceu o pedido dos sindicalistas, concordando que é uma atividade essencial e está altamente exposta à contaminação do novo coronavírus, mas alegou que o estado de São Paulo não tem as doses suficientes para vacinar cerca de 1 milhão de trabalhadores do setor.

“Embora o Governo Dória justificou a escassez de vacinas, sinalizou que poderá vacinar a nossa categoria, adotando alguns critérios e por etapas. Se comprometeram em nos dar uma resposta nesta sexta-feira (16)”, informa o presidente da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) e do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba, Paulo João Estausia, conhecido como Paulinho -- uma das lideranças que participou da audiência.

No entanto, o presidente da CNTTL disse que o movimento batizado de “Lockdown do Transporte” em Defesa da Vida, ou seja, a paralisação de 24 horas programada no dia 20 de abril está mantida, caso a vacinação não seja atendida. Essa greve sanitária do transporte envolve mais de 104 entidades sindicais de todo o estado de São Paulo e também pressionará os governos locais das regiões norte e nordeste do país ligados à base da Confederação. (confira abaixo)

Situação alarmante 
Durante a audiência com o Governo Dória, Paulinho expôs dados da situação alarmante dos rodoviários de Sorocaba.  Ele apresentou um levantamento com dez cidades da base do Sindicato no qual mostra que 68% ou 4.760 dos trabalhadores dos transportes coletivos urbanos, suburbanos (entre Sorocaba e as outras cidades) e de fretamento (que transporta funcionários para as empresas) foram contaminados pelo novo coronavírus, no período de novembro de 2020 a abril deste ano. 

Segundo a pesquisa, 490 trabalhadores morreram em decorrência da doença.  O dirigente conta que há linhas de ônibus em Sorocaba que transportam de 1.500 a 3 mil passageiros por dia de operação. “Imagina quantas dessas pessoas possam estar contaminadas nos coletivos, que são ferramentas de trabalho dos motoristas e de companheiros que exercem outras funções de apoio. A vacinação protege os trabalhadores e os passageiros”, frisa.

Sequelas da COVID-19

Segundo estudo do Sindicato dos Rodoviários, grande parte dos trabalhadores que teve a Covid-19 e foi recuperada ficou com sequelas. Os problemas registrados são desde fortes dores, falta de ar, tremedeira, dificuldades na fala e à mobilidade.  “O trabalhador que volta às suas funções com essas restrições não tem estabilidade no emprego. Nós já incluímos  nas negociações com as empresas a estabilidade para os casos comprovados de funcionários com sequelas por Covid-19”, enfatiza o sindicalista.

As mortes e as contaminações incluem trabalhadores dos transportes em todas as funções, isto é, aqueles que operam as linhas de ônibus (motoristas e agentes de bordo) e as funções de apoio nas garagens das empresas. As funções de apoio incluem lavagem de veículos, mecânicos, borracheiros, administrativos, entre outras.

Pressão dos trabalhadores em transportes por vacinas cresce no país

Nesta semana, os sindicatos rodoviários do Espírito Santo, em Vitória, e no Mato Grosso do Sul realizaram paralisaram greve e protestos pedindo aos governos locais a vacinação imediata dos trabalhadores. Os rodoviários do Distrito Federal fizeram carreata cobrando a vacinação, que já foi autorizada pelo Governo estadual, no entanto, acontece o mesmo problema de São Paulo: não têm as doses suficientes para a categoria. 

A paralisação de 24 horas agendada para o dia 20 de abril – caso os governos locais não iniciem a vacinação da categoria -- contará com a adesão dos trabalhadores em transportes da base da CNTTL das cidades de Sorocaba, Jundiaí, Vale do Paraíba, Guarulhos /Arujá, Piracicaba, Bauru, Adamantina, Dracena, Limeira metroviários, ferroviários e os agentes de trânsito de São Paulo (Sindviários).

Na região norte e nordeste, o movimento grevista poderá contar com participação dos  rodoviários das regiões de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Vitória, Belém, Brasília e Campo Grande.