Parada LGBTQIA+ de BH une defesa da democracia e direitos trabalhistas
Em sua 27ª edição, manifestação celebrou os 25 anos do Cellos-MG e reuniu diversidade, cultura e mobilização política. Secretário da CUT defendeu o fim da escala 6x1
Publicado: 20 Julho, 2026 - 11h45 | Última modificação: 20 Julho, 2026 - 11h57
Escrito por: Redação CUT
A 27ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Belo Horizonte ocupou as ruas do Centro da capital mineira neste domingo, 19 de julho, em uma manifestação marcada pela celebração da diversidade, pela defesa da democracia e pela reivindicação de direitos. O secretário de Políticas LGBTQIA+ da CUT, Walmir Siqueira, participou do evento, agradeceu e parabenizou a organização e defendeu o fim da escala de trabalho 6x1.
Com bandeiras, fantasias, música e manifestações políticas, a Parada reuniu uma multidão na Avenida Afonso Pena. A concentração começou no cruzamento com a Avenida Brasil, na região da Praça Tiradentes, e o cortejo seguiu em direção à Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte.
A manifestação celebrou os 25 anos do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais, o Cellos-MG, entidade responsável pela organização da Parada. Criado em 2001, o centro atua no enfrentamento ao preconceito, na promoção da cidadania e na defesa dos direitos da população LGBTQIA+ em Belo Horizonte e em outras regiões de Minas Gerais.
Espírito de luta
A edição de 2026 teve como tema “Democracia: nosso voto, nossas vidas. Cellos-MG 25 anos, só a luta traz conquistas”. A escolha destacou a importância da participação política da população LGBTQIA+ e a necessidade de eleger representantes comprometidos com os direitos humanos, a democracia, o combate à discriminação e a garantia de políticas públicas.
O caráter político da Parada esteve presente desde o tema até as intervenções realizadas durante a programação. Ao relacionar democracia, voto e condições de vida, a mobilização chamou a atenção para o fato de que a conquista e a manutenção dos direitos dependem tanto da organização social quanto da ocupação dos espaços de decisão.
A defesa do direito à existência, à liberdade, ao trabalho digno e à participação política dividiu espaço com apresentações musicais e intervenções culturais. Trios elétricos, DJs, cantores e artistas acompanharam o público durante o percurso, transformando a Avenida Afonso Pena em um espaço de encontro, visibilidade e reivindicação.
CUT defende trabalho digno e fim da escala 6x1
Durante sua participação, Walmir Siqueira parabenizou a organização da Parada e ressaltou que a população LGBTQIA+ enfrenta diariamente uma luta por condições dignas de vida.
“Quero parabenizar por essa Parada e dizer que, a cada dia que nós acordamos, nós estamos em luta para que haja uma vida decente para essa comunidade em todo este país”, afirmou o secretário de Políticas LGBTQIA+ da CUT.
A fala de Walmir reforçou a relação entre a luta contra a LGBTfobia e a defesa dos direitos da classe trabalhadora. Para o dirigente, não é possível separar o combate à discriminação das reivindicações por melhores condições de trabalho, redução da jornada e garantia de tempo para o descanso, a convivência familiar, o lazer e a participação social.
“Quero dizer que nós somos a favor do fim da jornada 6 por 1, porque aqui também está a nossa comunidade. Então, vamos pensar muito bem no nosso voto e saber quem está do nosso lado”, declarou.
Ao defender o fim da escala 6x1, Walmir chamou a atenção para uma realidade que atinge diretamente trabalhadores e trabalhadoras LGBTQIA+. Além das jornadas extensas e da redução do tempo disponível para a vida pessoal, essa parcela da população ainda convive com discriminação nos processos de contratação, assédio no ambiente profissional, dificuldade de ascensão na carreira e situações de violência relacionadas à orientação sexual ou à identidade de gênero.
O fim da escala 6x1 tem sido defendido pela CUT como parte da luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução salarial. A pauta também esteve presente na 2ª Marcha Nacional LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora, realizada pela CUT em junho de 2026, em São Paulo. A mobilização reuniu reivindicações como trabalho decente, redução da jornada e combate à discriminação no mundo do trabalho.
A 27ª edição ocorreu também em um momento de reconhecimento institucional da mobilização. Desde 2026, a celebração do Orgulho LGBTQIA+ passou a integrar oficialmente o calendário de Belo Horizonte, após a aprovação da legislação municipal. O reconhecimento foi apresentado como uma conquista histórica das organizações e dos movimentos que atuam pela dignidade e pela cidadania dessa população.
Programação
A Parada integrou uma programação mais ampla de atividades culturais e políticas realizada durante o fim de semana. Entre as ações estiveram a Marcha de Mulheridades LBTs e o Festival Fuzuê, iniciativas voltadas à visibilidade de mulheres lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais e à valorização da produção artística LGBTQIA+.
A programação reforçou que o Orgulho não se resume ao desfile dos trios elétricos. As atividades também funcionam como espaços de formação política, denúncia das violências e fortalecimento das redes de solidariedade.
Organizada pelo Cellos-MG, a Parada de Belo Horizonte ocorre tradicionalmente no mês de julho e se consolidou como uma das principais manifestações de diversidade e direitos civis de Minas Gerais. A edição deste ano manteve o cruzamento das avenidas Afonso Pena e Brasil como ponto de concentração e a Praça Sete como destino do cortejo.
Ao ocupar uma das principais vias da capital mineira, o público reafirmou o direito da população LGBTQIA+ de viver sem violência, discriminação ou exclusão. A manifestação mostrou que a celebração do orgulho também é uma forma de mobilização social e de cobrança por políticas públicas.
Entre música, cores e palavras de ordem, a Parada aproximou diferentes reivindicações: o direito à livre expressão da identidade, a defesa da democracia, o enfrentamento à LGBTfobia, a valorização do voto consciente e a luta por trabalho digno.

