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Para Lula, Bolsonaro cria polêmicas para encobrir sua incapacidade de governar

Lula diz que falta de emprego e queda na renda dos brasileiros vieram antes da pandemia. “A volta da fome ao Brasil é responsabilidade deste governo”

Publicado: 27 Agosto, 2021 - 09h32

Escrito por: Redação RBA

Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou as políticas do governo do presidente Jair Bolsonaro pelo retorno da fome que assola o país. “Ele é o único culpado. Isso não estaria acontecendo se tivessem se preocupado em criar emprego e renda”, disse o petista, lembrando os 19 milhões de brasileiros que não sabem se terão o que comer na próxima refeição e outros 24 milhões em situação de insegurança alimentar.

Em entrevista coletiva concedida hoje (26) pela manhã na Policlínica Narandiba, em Salvador, ao lado do governador Rui Costa (PT), Lula disse também que a grave situação socioeconômica não é se deve apenas à pandemia causada pelo novo coronavírus. “A miséria é resultado da falta de políticas públicas para geração de emprego e renda para a população. Não é questão da pandemia, pois antes nós tínhamos desemprego. Isso porque a gente tem um ministro da Economia que não fala em investimentos, criação de emprego”, disse. O último compromisso da agenda de Lula no Nordeste será uma vista a uma unidade do Senai de Salvador, na manhã desta sexta-feira (27).

Força nacional

Questionado sobre as ameaças de Bolsonaro, de usar a Força Nacional nas ruas para reprimir protestos contra o governo, Lula disse não acreditar nesse apoio. “O presidente a cada dia pauta a mídia com falsas polêmicas para esconder a sua desumanidade e sua incapacidade de governar. Primeiro, que a Força Nacional nada mais é do que o somatório de policiais militares emprestados pelos estados para o governo federal. Não existe uma força federal, contratada pelo governo federal. O que existe são militares cedidos a pedido do governo federal para o Ministério da Justiça”, disse.

Rui Costa completou: “A lei que criou a Força Nacional é clara quanto a isso, assim como a Constituição. Qualquer uso das forças da segurança nacional só pode ocorrer quando solicitadas para os governadores”. Além disso, o governador lembrou episódio recente, deflagrado no sul da Bahia. “Recentemente, buscando fazer política e disputa ideológica, ele mandou a força nacional aqui no extremo-sul para resolver ‘briga de vizinho’ dentro de um assentamento, gastando uma fortuna durante alguns dias. Nós fomos à Justiça e pedimos abertura de procedimento para apurar de quem foi a responsabilidade, quem autorizou e por que autorizou. A Justiça reafirmou que o uso é permitido quando solicitado aos governadores”, acrescentou Rui.

Alma limpa

Mais cedo, Lula concedeu entrevista à rádio Metrópole, de Salvador, nesta quinta-feira (26), Lula disse ter consciência de que parte da imprensa não quer que ele seja candidato em 2022 e que insistem em utilizar o tema da corrupção para atacar sua imagem e a do PT. O ex-presidente, no entanto, disse não temer o debate sobre o tema e acrescentou que se sente leve por ter provado na Justiça sua inocência.

“Eu me sinto leve. Estou com a alma limpa, porque consegui provar a falcatrua montada contra mim pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, pelos procuradores da Suíça e por Dallagnol, Moro mais a Polícia Federal”, disse, no mesmo dia em que jornais tentam reviver o tribunal da mídia contra ele, agora que os tribunais de Justiça já o inocentaram.

“Aliás, esse debate (do combate à corrupção feito pela Lava Jato) eu quero fazer na televisão”, acrescentou Lula. “Porque a gente vem denunciando e ninguém publica: o Dieese fez um estudo mostrando que a Lava Jato jogou no desemprego 4,4 milhões de pessoas, fez deixar de serem investidos no país R$ 272 bilhões, quebrou as empresas de construção deste país a serviço de outros países, quebrou e está quebrando a Petrobras, a indústria de óleo e gás, a indústria naval. Em nome do quê? Se você sabe que o presidente de uma empresa é ladrão, você prenda ele, mas deixe o emprego, deixe o trabalhador.”