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Para driblar exploração, trabalhadores por aplicativos criam os próprios APPs

Motoristas por aplicativos de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul  e Sergipe criam seus próprios APPs. Eles ganham e os clientes pagam menos. Em SP, entregadores fazem greve por melhor remuneração

Publicado: 17 Setembro, 2021 - 17h12 | Última modificação: 17 Setembro, 2021 - 17h59

Escrito por: Rosely Rocha

Roberto Parizotti (Sapão)
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A baixa remuneração e jornada excessiva a que são submetidos motoristas e entregadores de aplicativos pelas grandes empresas como Uber, Rappi, 99 e Ifood, entre outras, pode ter um fim com a união desses trabalhadores e trabalhadoras contra a exploração.

Em Minas Gerais, Sergipe e Mato Grosso do Sul motoristas decidiram criar seus próprios aplicativos em que se conectam com os clientes, sem precisar pagar as taxas abusivas das empresas.

Em São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo, entregadores de alimentos por aplicativos de São José dos Campos, na região do Vale do Paraíba, fizeram a greve com maior durabilidade da categoria em protesto contra a baixa remuneração.

SintricomSintricom
Assembleia dos entregadores de SJdos Campos na quinta (16)

 

Cerca de 230 motociclistas e ciclistas, segundo os entregadores, pararam na cidade por seis dias. A greve teve início no último sábado (11), por melhor remuneração e fim dos bloqueios praticados pelas empresas. Somente nesta sexta-feira (17), eles voltaram às atividades, após conseguirem uma resposta das empresas.

A trégua foi decidida coletivamente, diante de uma resposta positiva da empresa iFood, líder do setor, que , segundo os organizadores, prometeu manter uma promoção de R$ 3 para os motoboys da cidade até o próximo dia 28. Nesse dia, a empresa agendou uma reunião com os organizadores do movimento e sinalizou que está disposta a reajustar as taxas.

Além do reajuste no valor pago por quilômetro ou por entrega, as demandas da greve incluem o fim dos bloqueios indevidos, a exigência de código de confirmação nas entregas e melhores pontos de descanso na cidade. A informação é do Brasil de Fato

No ano passado, a categoria em todo o país realizou três greves, os chamados “Breque dos APPs

Roberto Parizotti (Sapão)Roberto Parizotti (Sapão)
Greve dos entregadores em 2020, em SP

 

Roberto Parizotti (Sapão) Roberto Parizotti (Sapão)
Entregador do Ifood em 2021, na Avenida Paulista, SP

Enquanto os entregadores fazem a luta com paralisações, motoristas foram  em outra direção em busca de independência das grandes empresas de aplicativos de transporte.

Foi o que fez Josean dos Santos, de 46 anos, casado e pai de cinco filhos. Motorista de Aracaju, capital de Sergipe, ele conta que deixou o emprego como gerente administrativo de uma empresa para ganhar mais trabalhando de motorista da Uber, em 2015. Menos de um ano depois, em janeiro de 2016,  veio a desilusão com a nova profissão e ele decidiu se juntar a outros colegas de trabalho e fundaram a Associação Sergipana dos Motoristas Autônomos por Aplicativo ( Asmaa), da qual hoje é presidente.

“ Essas plataformas chegaram com promessas para os desempregados, mas para um trabalhador levar uns trocados pra casa tem de trabalhar de 14 a 16 horas de domingo a domingo. Então fundamos a Asmaa para termos representatividade ”, conta Josean.

A Associação virou Cooperativa, para tentarem conseguir descontos em combustíveis, e em seguida veio a ideia de criar o próprio aplicativo, o i-Mobile Motoristas e o i-Mobile Passageiros para os clientes, disponíveis no Play Store e APP Store.

Ao contrário das grandes empresas que cobram taxas dos motoristas de 25% a 50% e ainda cobram por distância e sobem os preços para os clientes em datas comemorativas e feriados, o i-mobile tem uma taxa fixa de 10% para os motoristas e não sobe o preço em ocasiões especiais.

“ Uber é escravidão, se aproveita do trabalhador e dos clientes que chegam a pagar até 200% a mais nos preços das corridas nos dias dos Pais, Natal e festas juninas. No i-mobile o preço é fixo , R$ 1,00 por quilômetro contra R$ 0,75 da Uber, e 90% do valor fica com o motorista”, diz Josean.

Hoje já são 1.872 motoristas e 6.000 passageiros cadastrados e a atuação da plataforma já está em 36 municípios de Sergipe, além de Itapetinga (BA) e Fortaleza (CE). Segundo Josean, a ideia é chegar a todas 75 cidades do estado.

“O nosso aplicativo é promissor e a nossa ideia é em breve não depender da Uber, do 99 e outras grandes empresas que não pagam nem pela manutenção do veículo, nem pelo combustível e só causa sofrimento para quem depende desse trabalho porque está desempregado”, afirma Josean.

O presidente da Asmaa garante ainda que o uso do aplicativo é seguro tanto para motoristas como passageiros. Ele conta que na hora do cadastro no i-passageiro é preciso tirar uma foto na hora, pois o aplicativo não aceita imagem de galeria do celular.

“ Quem se cadastra recebe mensagem por SMS e WhatsApp e o aplicativo já mostra ao motorista para onde ele vai, o valor do quilômetro rodado e da corrida, e ainda não cobra multa para cancelamento, nem do motorista, nem do passageiro”, explica Josean.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a plataforma que une motoristas e passageiros é a Mou Drive e em Belo Horizonte, Minas Gerais, é a 7Move.

 *Edição: Marize Muniz