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Para Celso Amorim, com Bolsonaro o Brasil voltou a ser o quintal dos EUA

A paixão explicita de um presidente brasileiro pelo chefe do executivo americano, medidas entreguistas e ataque ao meio ambiente expõem a submissão de Bolsonaro

Publicado: 06 Agosto, 2019 - 17h01 | Última modificação: 06 Agosto, 2019 - 17h04

Escrito por: Érica Aragão

Roberto Parizotti (Sapão)
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Além de defender os interesses dos empresários e acabar com os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, Jair Bolsonaro (PSL) também já deixou clara sua missão de atender os interesses dos Estados Unidos, mais especificamente do presidente, Donald Trump.

A afirmação é do ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que participou na manhã desta terça-feira (6), de reunião com os dirigentes da CUT, na sede da Central, em São Paulo.

Segundo Amorim, a paixão que Bolsonaro tem pelo presidente dos Estados Unidos é inédita na história do país. “Com Bolsonaro, o Brasil voltou a ser o quintal dos Estados Unidos”, disse se referindo a medidas entreguistas do atual governo, como a venda da Embraer para a Boeing.

As decisões de Bolsonaro em relação ao meio ambiente, como as críticas à divulgação de dados sobre o desmatamento na Amazônia e a demissão do diretor do INPE, Ricardo Galvão, que defendeu a pesquisa, estão prejudicando a imagem do Brasil no exterior e têm deixado em alerta líderes internacionais preocupados com a  destruição da floresta, que podem até tomar atitudes no país, alerta Celso Amorim.

O ex-ministro citou em sua palestra na CUT artigo do professor de Relações Internacionais da Universidade de Harvard, Stephen M. Walt, publicado em uma das revistas mais lidas dos EUA, a Foreign Policy, cujo título insinua o que pode acontecer: “Quem vai invadir o Brasil para salvar a Amazônia?”.

“A gente acha que ninguém está vendo, mas não é verdade. Esse é o exemplo dramático de como estão vendo a gente lá fora, porque a Amazônia é uma preocupação mundial”, disse Amorim.

Outros pontos abordados pelo ex-ministro foram o alinhamento automático de Bolsonaro com os Estados Unidos, que prejudica a economia brasileira; e as declarações hostis destinadas aos atuais parceiros econômicos do Brasil, que têm prejudicado a diplomacia e as relações bilaterais.

A última, disse Amorim, foi o descaso de Bolsonaro com ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian. O brasileiro cancelou uma reunião alegando problemas na agenda e minutos depois fez uma live no Facebook cortando o cabelo.

O francês ironizou e disse que a audiência foi desmarcada por “urgência capilar”.

Comportamentos como este, disse o ex-ministro, “pode afetar negativamente o acordo entre o Mercosul e a União Europeia”.

13º Congresso da CUT

O ex-ministro Celso Amorim é um dos palestrantes convidados pela Central para contribuir com os documentos do 13º Congresso Nacional da CUT (Concut), que será realizado entre os dias 7 e 10 de outubro, na Praia Grande.

Essas palestras vão subsidiar os debates para a construção de um Projeto Político para o Brasil.