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Pandemia é pior nas cidades onde Bolsonaro conseguiu mais votos, diz pesquisa

Na manhã desta terça-feira (13), a hashtag #EfeitoBolsonaro estava entre os assuntos mais comentados no Twitter

Publicado: 13 Outubro, 2020 - 15h40 | Última modificação: 13 Outubro, 2020 - 18h10

Escrito por: Redação CUT

Divulgação
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Assim que foi divulgado o estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ) mostrando que nos municípios onde o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) teve mais votos foram registrados mais casos e mortes por Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, começou a subir no ranking do Twitter a hashtag #EfeitoBolsonaro.

De acordo com o jornal Folha de S Paulo, que divulgou a pesquisa nesta terça-feira (13), os pesquisadores da universidade analisaram a expansão da Covid-19 nos 5.570 municípios do país e constataram a correlação entre a preferência pelo presidente e o aumento de casos da doença.

Para cada 10 pontos percentuais a mais de votos para Bolsonaro há um acréscimo de 11% no número de casos e de 12% no número de mortos, segundo o levantamento. A Covid-19 tem causado mais estragos nos municípios mais favoráveis ao presidente.

“Podemos pensar que o discurso ambíguo do presidente induz seus partidários a adotarem com mais frequência comportamentos de risco (menos respeito às instruções de confinamento e uso da máscara) e a sofrer as consequências, ” avaliam os pesquisadores da UFRJ, que fizeram o estudo em parceria com o Instituto Francês de Pesquisa e Desenvolvimento (IRD).

O estudo confirma uma percepção de muitos brasileiros de que Bolsonaro é responsável pela piora da pandemia do coronavírus no Brasil e isso repercutiu fortemente nas redes sociais. A hashtag #EfeitoBolsonaro foi destaque entre os assuntos mais comentados do Twitter

Muitos lembraram que, desde o início da pandemia Bolsonaro fez várias afirmações para minimizar os efeitos da pandemia e, com isso, salvar a economia, ou seja, salvar os CNPJs e deixar os CPFs morreram porque as pessoas “morrem mesmo” chegou a dizer o presidente várias vezes. Ele também chamou o vírus de gripezinha, que ia matar menos pessoas do que o H1N1 gripe sazonal que atinge o país uma vez por ano, no inverno.

A negação e o descaso do governo federal durante os últimos sete ou oito meses foram duramente criticados por especialistas porque Bolsonaro desrespeitou as medidas de segurança, como andar sem máscaras, incentivar e participar de aglomerações, pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela reabertura da economia, mandar empresários pressionarem governadores e prefeitos e até a gestão do Ministério da Saúde.

Dois ministros da pasta foram trocados em um mês, e o terceiro, general Eduardo Pazzuelo, ficou dois meses como interino no cargo e recentemente, já como titular da pasta, confessou em uma entrevista que não conhecia o Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesses meses de pandemia, especialistas criticaram o governo de Bolsonaro por indicar alguém que não é médico e sem experiência área da saúde. Pazzuelo levou vários companheiros de farda para o Ministério, nenhum é da área da saúde.

A reportagem da Folha com os dados da pesquisa da UFRJ destaca ainda que a influência de Bolsonaro sobre o comportamento de seus eleitores, apurada neste estudo em particular, vai ao encontro do resultado obtido por outras instituições de pesquisa.

De acordo coma reportagem, resultados semelhantes foram apontados em trabalhos de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP).