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Países avançam com terceira dose, mas OMS contesta e fala em egoísmo

Em dura declaração, OMS diz que uma terceira dose no momento atual, com vários países sem conseguir sequer imunizar sua população com uma dose, “é um erro técnico, moral e político”

Publicado: 26 Agosto, 2021 - 14h46

Escrito por: Redação CUT

Tânia Rego/Agência Brasil
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O avanço da variante delta do novo coronavírus fez alguns países, como Israel, Brasil, Estados Unidos, Chile, Hungria, Rússia, Uruguai, Reino Unido, Alemanha e França, anunciarem ou já iniciarem a aplicação de uma terceira dose de reforço da vacina contra a Covid-19 em sua população. A medida é repudiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que emitiu uma dura nota nesta quarta-feira (25) contra a decisão. Para a OMS, a prioridade é vacinar o maior número de pessoas possível em todo o mundo, em especial nos países mais pobres onde a imunizaão segue lenta.

A estratégia desses países é barrar a variante indiana, mas a recomendação não tem unanimidade entre especialistas e órgãos de saúde. Cientistas de vários institutos pontam que ainda não há evidências suficientes nem sobre a eficácia de uma terceira dose nem sobre sua segurança, outros defendem a dose extra, e que a dose única, como é o caso da Janssen e as vacinas com duas doses têm alta proteção contra hospitalização, mortes e até protegem contra a delta. Portanto, não seria necessário uma dose extra.

Jà para a OMS, uma terceira dose no momento atual, onde vários países sequer conseguiram imunizar sua população com a primeira dose, “é um erro técnico, moral e político”.

"É como se você tivesse um colete salva-vidas e pegasse um segundo, enquanto outros não têm nenhum", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25).

Essa não é a primeira vez que a OMS se posiciona contra a dose extra de vacinas contra o coronavírus. Em julho, a entidade disse não fazer o menor sentido uma terceira dose, enquanto a quase totalidade da população dos países pobres ainda não recebeu nenhuma dose da vacina e criticou o egoísmo de países ricos que podem comprar um bilhão de vacinas.

Nesta quarta, Tedros Adhanom defendeu uma moratória de dois meses sobre a aplicação de doses de reforço dos imunizantes contra o coronavírus, como medida para reduzir a desigualdade do acesso e evitar o surgimento de novas variantes do vírus.

O que a OMS defende?

A OMS defende que as doses de reforços sejam, por ora, suspensas até outubro para pelo menos 10% da população de todos os países sejam vacinadas. A entidade afirma ainda que a aplicação dessas doses ocorre em um momento em que muitos países não têm acesso ao imunizante, e que esse cenário favorece surgimento de outras variantes.

Segundo a entidade, a eficácia da vacina para a prevenção de doença grave, hospitalização e mortes é a principal questão, além do funcionamento dos imunizantes em grupos de maior risco.

"As recomendações sobre doses adicionais [pela OMS] serão elaboradas em torno de grupos de risco que possam ter alguma alteração no desempenho da vacina em algum período de tempo", afirmou.

Brasil vai aplicar terceira dose em idosos em setembro

Nesta quarta, o Ministério da Saúde anunciou que a dose extra do imunizante contra a doença será aplicada em idosos a partir de 15 de setembro.

A decisão do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é contrária a orientação da OMS. Mas, com o aumento da internação de idosos com Covid-19 em várias cidades do país, em especial no Rio de Janeiro e em São Paulo, as autoridades locais já falavam na terceira dose e o ministro resolveu fazer o anúncio para o país inteiro.

Segundo o ministro, no caso dos idosos, para tomar a terceira dose eles devem ter tomado a segunda dose há mais de seis meses. O reforço também valerá para todos os imunossuprimidos (pessoas transplantadas) que já tomaram a segunda dose da vacina há 21 dias.

Alemanha

A partir de setembro, a Alemanha vai administrar um reforço da vacina Pfizer ou Moderna a idosos, residentes em lares de idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. O país também deseja ministrar doses extra em qualquer pessoa que já tenha sido totalmente vacinada com a AstraZeneca ou a dose única da Johnson & Johnson.

França

A França pretende administrar doses de reforço a todos os idosos e vulneráveis também ​​a partir de setembro.

Estados Unidos

O governo americano afirmou que planeja oferecer a terceira dose de vacina a todos os americanos a partir de 20 de setembro. A dose será para pessoas que se vacinaram com a segunda dose da Pfizer e da Moderna há pelo menos oito meses.

As autoridades de saúde disseram que quem recebeu a dose única de Johnson & Johnson também precisará, provavelmente, de doses extras, mas estão aguardando mais dados.

Na América Latina

Chile já começou a apalicar doses de reforço contra a Covid-19 àqueles já imunizados com a chinesa Coronavac, que também foi ministrada no Brasil. O alvo são cidadãos com 55 anos ou mais que tomaram a vacina antes de 31 de março, ou seja, há cerca de quatro meses.

Eles receberão uma nova dose da AstraZeneca. Já os pacientes imunodeprimidos receberão uma dose extra da Pfizer.

Uruguai também já começou a oferecer terceiras doses para aqueles que receberam a Coronavac. A dose de reforço será da Pfizer, administrada ao menos 90 dias depois da segunda dose da vacina inicial.