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Novas sanções contra a Rússia ameaçam fazer preço do petróleo disparar

Governo russo havia alertado para “consequências catastróficas” caso fossem impostas sanções no setor de óleo e gás. No Brasil, alta segue pressionando por mudança na política de preços da Petrobras

Publicado: 09 Março, 2022 - 09h15 | Última modificação: 09 Março, 2022 - 20h14

Escrito por: Tiago Pereira, da RBA

Reprodução/Unsplash License
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O barril do tipo brent, referência no mercado internacional, chegou a US$ 130 nesta terça-feira (8), alta de 7% em relação ao fechamento de ontem, após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, proibir a importação de petróleo e gás da Rússia. Na sequência, o governo do Reino Unido também anunciou que vai suspender as importações de petróleo e derivados russos até o fim do ano. De acordo com o secretário de Energia britânico, Kwasi Kwarteng, o prazo é para que o mercado tenha tempo de substituir esses insumos. No final da tarde, a alta desacelerou para 5,10%, com o barril cotado a US$ 128,31.

Trata-se de mais uma iniciativa para tentar enfraquecer a economia russa, enquanto o país chega ao 13º dia de operações militares na vizinha Ucrânia. Tanto para os Estados Unidos quanto para o Reino Unido, o petróleo e gás russos representam cerca de 8% das suas importações destes produtos.

Biden destacou que, desde o começo da guerra o preço da gasolina na bomba já subiu 75 centavos de dólar em seu país. “E com essa medida, vai subir ainda mais”, reconheceu. Ainda assim, alegou que a medida visa “aumentar a pressão” contra o que chama de “máquina de guerra de Putin”.

No entanto, na Europa continental a dependência energética em relação a Rússia é maior. Cerca de 40% do gás e 33% do petróleo importados pela União Europeia são russos. Até mesmo Biden reconheceu e disse que os “aliados europeus não estão em posição de se unirem a nós neste momento”.

Reação

Mais cedo, antes das medidas anunciadas pelos Estados Unidos e Reino Unido, o vice primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak havia alertado para o risco de retaliação. Ele falou em “consequências catastróficas” caso os Estados Unidos e seus aliados aplicassem sanções contra o petróleo russo. Como, por exemplo, a suspensão do fluxo de gás russo para a Europa. Nesse contexto, ressaltou que o barril do petróleo poderia chegar a US$ 300, “se não mais”.

Ainda ontem, o chanceler alemão, Olaf Scholz, afirmou que as importações de energia (gás e petróleo) da Rússia são “essenciais” para os europeus. Ele advertiu que “o fornecimento de energia da Europa para produção de calor, mobilidade, eletricidade e indústria não pode ser assegurado de outra forma”, revelando a explicitando a dependência das fontes russas.

No Brasil

Enquanto isso, no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é pressionado a rever a política de preços da Petrobras. De acordo com a Globonews, fontes do governo projetam que a gasolina pode chegar a R$ 15 reais o litro, após as sanções anunciadas por Biden. Entre as opções avaliadas pelo governo estão o congelamento temporário do preço dos combustíveis ou subsidiar uma parcela dos próximos reajustes. Ambas as alternativas teriam impacto no lucro dos acionistas da estatal, que vão embolsaram mais de R$ 100 referentes aos lucros do ano passado.

Por outro lado, senadores da oposição denunciaram como eleitoreira a medida. Isso porque a população em geral vem sofrendo com a alta brutal dos combustíveis desde o ano passado pelo menos. Somente em 2021, a gasolina e diesel subiram 46% e 47%, respectivamente, sem que o governo ousasse mexer na política de preços da Petrobras.