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Nota pública da Frente em Defesa da EBC denuncia riscos à comunicação pública

Documento, que denuncia desmonte da empresa, destaca o risco de vida e propõe o fortalecimento da luta pela comunicação pública brasileira

Publicado: 21 Agosto, 2018 - 16h01 | Última modificação: 21 Agosto, 2018 - 16h16

Escrito por: Érica Aragão

Marcelo Casal Jr./ EBC
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A Frente em Defesa da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Comunicação Pública, formada por funcionários da empresa e integrantes de movimentos que lutam pela democratização da comunicação, como a CUT e a Frente Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), lançou uma nota pública, nesta terça-feira (21).

Além dos constantes ataques do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) para desmontar a EBC e desqualificar a comunicação pública do País, o documento alerta sobre a posição de candidatos à Presidência da República, como Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL) e João Amoêdo (Novo), que além de críticas, prometeram aos seus eleitores “extinguir” ou “privatizar” a empresa, confrontando a Constituição Federal e normas internacionais, de entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

“A iniciativa de desenvolver uma emissora pública nacional alternativa com status independente foi um esforço positivo para a promoção do pluralismo na mídia brasileira; em especial, considerando-se os problemas de concentração da propriedade dos meios de comunicação no país”, diz trecho da nota, reproduzindo declaração dada pelo relator para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), Edison Lanza, em 2016.

O secretário de Comunicação da CUT Nacional, Roni Barbosa, lembra que este não seria o primeiro caso de tratados ou normas internacionais que os golpistas liderados por Temer ignoram.

“Esse governo não tá nem aí para a democracia e muito menos para órgãos internacionais, como a gente pode ver sobre a determinação da ONU para que o Estado Brasileiro assegure o direito de Lula ser candidato”.

Segundo o secretário, o Golpe de Estado de 2016, que destituiu uma presidenta legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos não era só para tirar o PT do governo, era também para implementar no país uma agenda neoliberal de privatizações e ataques aos direitos que jamais seria eleita pelos brasileiros.

“Acabar com o tudo que é público é projeto do golpista Temer e dos candidatos às eleições deste ano alinhados a ele. O que é público é nosso e vamos lutar por isso”, disse Roni, lembrando que a CUT faz parte da luta pela democratização da comunicação e a EBC é a simbologia deste processo.

“A central já orientou seus sindicatos e ramos a assinar a nota e continuar na luta em defesa da comunicação pública”, pontuou o secretário.

A nota pública tem dados de audiência surpreendentes e talvez até desconhecidos pela população brasileira. Os números mostram que a TV Brasil já é o décimo veículo mais assistido no país, a Agência Brasil, considerada de maior alcance nacional, têm 3 milhões de visualizações por mês, a Rádioagência Nacional disponibiliza, em média, 80 matérias por dia em áudios gravados que são acessados por mais de 4.500 emissoras de rádio, entre outros meios de comunicação da EBC.

“A produção do conteúdo de alta qualidade atesta o acerto do governo Lula na criação da EBC e na democratização deste veículo”, avalia o secretário-Adjunto de Comunicação da CUT e responsável pela pasta Comunicação do FNDC, Admirson Medeiros Ferro Junior (Greg).

“Hoje a produção da EBC é referência e reproduzida em todo o mundo. Mesmo assim, este governo golpista, atento apenas aos interesses do poder econômico, está cumprindo o papel de entregar tudo de bom que criamos ao longo dos últimos anos”, criticou o dirigente.

“Não vamos deixar isso acontecer sem luta. A CUT, o FNDC e a Frente em defesa da EBC vão mobilizar a sociedade e pautar os candidatos a Presidência sobre a importância da empresa pública para a democracia brasileira. Vamos resistir aos ataques a nossa comunicação”, concluiu Greg.

Veja a nota na integra:

Nota pública: Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), principal expoente do sistema público de comunicação no país, vem sofrendo ataques injustos neste período eleitoral. Os mais incisivos partiram dos candidatos à Presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL) e João Amoêdo (Novo). Os três candidatos fizeram críticas públicas e já prometeram aos seus eleitores que vão “extinguir” ou “privatizar” a EBC.

Tais ameaças, no entanto, confrontam a lei máxima do país. Afinal, a existência da EBC não é mera vontade ou determinação deste ou daquele governante, mas sim um mandamento da Constituição que, em seu artigo 223 prevê “o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal”.

O reconhecimento deste caráter veio, por exemplo, na posição do Ministério Público Federal, via Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que classificou como inconstitucional a Medida Provisória assinada por Michel Temer em 2016 que acabou com a participação social na empresa (via extinção do Conselho Curador) e com o mecanismo que não permitia mandato coincidente do presidente da República com o da EBC.

Os ataques à EBC também contrariam a defesa de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em texto sobre a importância da existência da comunicação pública no mundo, a ONU salienta: “A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) celebra o serviço público de radiodifusão, uma instituição que tem contribuições notáveis em todo o mundo para a luta comum por democracia”.

O relator para a Liberdade de Expressão da Comissão Inter-americana de Direitos Humanos (OEA), Edison Lanza, deu declaração em 2016 na mesma linha, ao se referir à EBC: “A iniciativa de desenvolver uma emissora pública nacional alternativa com status independente foi um esforço positivo para a promoção do pluralismo na mídia brasileira; em especial, considerando-se os problemas de concentração da propriedade dos meios de comunicação no país”.

A existência de uma comunicação pública forte e que chegue a toda população não é novidade, por exemplo, em países como Alemanha, Austrália, Canadá, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Portugal e Inglaterra. Por que no Brasil seria diferente? Tais candidatos querem negar o direito à informação dos cidadãos, inclusive o de buscar uma emissora não orientada pelo lucro e que não esteja atrelada aos mandos e desmandos governamentais?

A realidade é que, na história, nenhum país democrático do mundo abdicou do sistema público de radiodifusão. Os países europeus, por exemplo, quebraram o monopólio original de seus sistemas, abriram o setor ao mercado, mas conservaram suas rádios, TVs e agências públicas de notícias. Afinal, entenderam que elas cumprem um papel específico na democracia, ampliando a pluralidade e garantindo a expressão da diversidade. O Brasil, tendo implantado tardiamente a empresa holding desse sistema, evidente que erraria novamente suprimindo o que já foi construído. E tal sistema faz-se ainda mais necessário em um país que, ainda que plural e diverso como o nosso, é marcado por um cenário de concentração dos meios de comunicação e influência de políticos neste setor.

A EBC, que não resume a comunicação pública, mas é sua principal expressão no país, cumpre uma função social relevante e inovadora na mídia nacional. A TV Brasil, por exemplo, foi historicamente a maior exibidora em TV aberta – e, portanto, gratuita – do cinema produzido no país, além de ser a única emissora com programação infantil.

Transmitiu, ainda, com audiências recordes, os campeonatos de futebol das séries C e D do Brasileirão, afinal, o futebol é considerado o principal esporte para milhões de brasileiros e as transmissões privadas seguem privilegiando o eixo-RJ/SP.

Em matéria divulgada em agosto, o portal UOL registrou que a emissora se encontra já na décima posição entre as emissoras mais assistidas do país, com um crescimento no ibope de 64% nos últimos anos, notadamente da programação infantil.

A Agência Brasil é a agência de maior alcance do país, disponibilizando conteúdos gratuitos a todo tipo de veículo de comunicação. São 3 milhões de visualizações por mês, sem contar o uso das notícias por outras mídias. Já a Radioagência Nacional disponibiliza, em média, 80 matérias por dia em áudios gravados que são acessados por mais de 4.500 emissoras de rádio.

A Rádio Nacional da Amazônia é um fenômeno comunicacional do Norte e do Nordeste, chegando aos locais mais afastados com programação de qualidade e sendo, muitas vezes, para milhões de brasileiros e brasileiras que vivem nessa região, o único veículo de comunicação disponível. As rádios nacional e MEC em Brasília e no Rio de Janeiro são referências históricas, com informação e dando espaço para a arte brasileira em sua diversidade. Os festivais da Rádio Nacional seguem atraindo e reconhecendo artistas independentes de várias regiões do Brasil.

Preocupados com as ameaças a essa empresa que executa uma diretriz da Constituição e cumpre uma função fundamental à sociedade brasileira, as entidades signatárias reafirmam sua defesa da comunicação pública e da empresa. Em vez de ataques, seus veículos e trabalhadores merecem ser fortalecidos para que possam cumprir de maneira mais adequada seus objetivos. Uma conquista tão árdua da sociedade brasileira não será entregue assim de mão beijada, afinal, defender a comunicação pública é defender a democracia!

 

 

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