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Nordeste alcança vitórias contra a Covid-19, enquanto governo federal fracassa

Em muitos estados do Nordeste, segunda onda da covid sequer foi sentida. Governadores articulam programas para amenizar efeitos do fim do Auxílio Emergencial

Publicado: 03 Fevereiro, 2021 - 09h21 | Última modificação: 03 Fevereiro, 2021 - 09h32

Escrito por: Gabriel Valery, da RBA

SECOM/Salvador
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A “segunda onda” da pandemia chegou com maior violência em estados do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte (em especial o Amazonas). Em números gerais, o momento é semelhante às piores semanas do que agora é chamada primeira onda, entre junho e setembro. Porém, muitos estados do Nordeste registram uma estabilidade no número de casos e mortes por covid, diferentemente das demais regiões, especialmente em janeiro.

Além de bons resultados em relação ao controle da pandemia, estados nordestinos ampliaram programas de auxílio financeiro aos cidadãos, em especial para suprir o fim do Auxílio Emergencial do governo federal. Também surge do Nordeste a expectativa de 50 milhões de vacinas negociadas pelo governo da Bahia, do governador Rui Costa (PT).

Tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação do estado pela aprovação do imunizante Sputnik V, da Rússia. Hoje (2) em publicação na revista científica The Lancet, a vacina teve comprovados 91% de eficácia global contra a Covid-19.

Proteção à vida

Frente ao descaso do governo federal do presidente Jair Bolsonaro, os nove estados do Nordeste se organizaram em um comitê científico independente, o Consórcio Nordeste, chefiado pelo neurocientista Miguel Nicolélis. De acordo com o último levantamento do consórcio, a região registra oficialmente 51.680 mortos e 2.184.082 infectados por covid-19 desde o início do surto, em março.

Comparado às demais regiões do país, os resultados são positivos. A letalidade da covid no Nordeste é inferior à média nacional. Tome-se como exemplo que o número de mortes entre todos os nordestinos é menor do que o registrado apenas pelo estado de São Paulo (53.090 vítimas). Somadas as populações dos nove estados, são cerca de 57 milhões de brasileiros, frente a 44 milhões de paulistas.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), anunciou hoje (2) a ampliação de um programa estadual de distribuição de cestas básicas e celebrou dados positivos alcançados pelo estado. “Quem não enfrenta o coronavírus destrói a economia. Essa é a realidade do mundo e do Brasil. O Maranhão mostrou isso em 2020. Vejam os indicadores. O Maranhão teve, apesar do coronavírus, a quarta maior alta de empregos formais do Brasil, de acordo com dados do governo federal. Também tivemos o sétimo melhor saldo do Brasil. Nosso estado, em 2020, teve um dos melhores desempenhos no enfrentamento à pandemia e, ao mesmo tempo, gerou empregos”, disse.

Proteção social

Para o governador, a coordenação nordestina, com ações de proteção aos cidadãos provam que a postura do governo federal, de desdenhar do vírus supostamente para preservar a atividade econômica, é equivocada. “Está provado objetivamente. Enfrentar o coronavírus com responsabilidade e seriedade é a forma de preservar empregos. Isso que fizemos no Maranhão. Essa é uma conquista do povo do Maranhão”, disse.

Dino acredita e estuda formas de retomar um auxílio emergencial mais abrangente, mesmo que por fora do governo federal, se for necessário. Enquanto isso, o governador lança programas de estímulo à economia e de suprimento às necessidades básicas da população. “Já distribuímos 306 mil cestas básicas. Mandei comprar mais 100 mil porque sabemos que o fim do Auxílio Emergencial é um desastre. Eu tenho defendido a retomada. Creio que algum tipo de auxílio vai voltar”, disse.

“Também lancei uma nova modalidade do Cheque Minha Casa. São 5 mil reais para obras, construções e residências. Agora também lancei uma modalidade de 600 reais exclusivo para a aquisição de móveis e eletrodomésticos. Vamos entregar a partir de fevereiro, início de março, uma parcela única. Vamos entregar esse cheque em todas as regiões do Maranhão para aquecer o comércio em um período de vendas fracas”, competou.

Outros estados do Nordeste também apostam em soluções similares para reduzir os impactos da covid sobre a população. Em Salvador, a prefeitura prorrogou um auxílio de R$ 270 até março. O governo de Alagoas lançou ontem (1) um auxílio de R$ 100 por mês para 180 mil famílias em situação de vulnerabilidade. Em Pernambuco, o estado vai pagar uma 13ª parcela do Bolsa Família, também com objetivo de amenizar o fim do Auxílio Emergencial. Bahia possui um auxílio para estudantes e o Ceará, para catadores, entre outras iniciativas.

No Piauí

O governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, Wellington Dias (PT), reforça a necessidade de escutar a ciência para tratar da covid, e elenca ações tomadas no estado. “Declaramos guerra, e ainda estamos em guerra contra o vírus letal que tem desafiado a ciência, os gestores e os cidadãos de todo o mundo. O ano de 2020 foi desafiador e o Piauí fez três coisas: cuidamos da vidam seguindo a ciência pela saúde; cuidamos do social, e tudo sem descuidar da economia, para não deixar nosso estado morrer de inanição financeira”, disse.

Agora, o Piauí trabalha em um programa de reabertura segura do comércio e de todas as atividades econômicas. O governo havia endurecido as restrições no período do fim do ano e também durante o mês de janeiro. O resultado foi que, em oposição ao restante do país, o estado manteve a estabilidade dos números da pandemia em seu território.

Outro indicador do bom trabalho contra a covid-19 no Piauí é a ocupação de leitos. O estado garantiu disponibilidade acima de 50% de leitos de enfermaria na rede pública durante todo o mês de janeiro. A ocupação dos leitos de UTI, que passou de 90% em muitas cidades do Sudeste e do Sul, se manteve abaixo dos 70% e hoje está em 67%.

 

Sempre alerta

“Tivemos de suportar a falta de organização do governo federal. Para superar esta ausência e combater a pandemia, os governadores se uniram, buscando, ao longo da crise, uma articulação federativa para o enfrentamento e superação dos efeitos causados pela pandemia. Por meio do Fórum dos Governadores e do Consórcio Nordeste, apresentamos propostas de um plano para trabalharmos de forma coesa e organizada os efeitos da crise, principalmente no âmbito econômico e social e, ainda, na criação de estratégias de retomada da economia”, resume Dias.

Entretanto, o governador reconhece que a pandemia ainda está longe de ser totalmente controlada ou superada. Por isso, o Consórcio Nordeste segue ativo e vigilante contra a covid-19. Entre as principais ações, busca um programa de vacinação mais ágil do que o lento e inseguro programa do governo federal. “A pandemia ainda não acabou e, mesmo com redução da intensidade da crise, seus efeitos serão prolongados. Nesse cenário, e já atentos ao período de pós-pandemia, antecipamos um plano de investimentos em infraestrutura física, desenvolvimento humano e social. Não podemos relaxar. Nem esquecer as mortes pelo coronavírus. Precisamos seguir lutando para superarmos a crise econômica, social e, essencialmente, humana em decorrência da pandemia”, concluiu o governador.