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No Recife, Lula prega unidade contra medidas de Bolsonaro

Dirigente petista iniciou neste domingo visita ao Nordeste, encontrando dirigentes do governo pernambucano e movimentos populares

Publicado: 16 Agosto, 2021 - 10h41 | Última modificação: 16 Agosto, 2021 - 10h45

Escrito por: Vinícius Sobreira, do Brasil de Fato

Ricardo Stuckert
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No início da tarde deste domingo (15) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou no Recife para uma série de encontros de articulação política com dirigentes petistas, aliados e mesmo políticos da base de Jair Bolsonaro, além de movimentos populares. Ao longo desta semana o ex-presidente deve visitar seis estados da região Nordeste.

O petista chegou ao Recife pouco após o meio-dia e foi recebido no aeroporto por militantes e dirigentes petistas, como o senador Humberto Costa, os deputados federais Carlos Veras e Marília Arraes, o deputado estadual Doriel Barros (que também é presidente do PT em Pernambuco), as deputadas estaduais Teresa Leitão e Dulcicleide Amorim, além da vice-presidenta da Fundação Perseu Abramo, a pernambucana Vivian Farias.

A agenda de Lula na tarde deste domingo foi principalmente de discussões internas do PT, cerca de 40 pessoas, entre parlamentares, prefeitos e membros da direção do PT. Além dos mencionados, estiveram presentes os prefeitos petistas Márcia Conrado (Serra Talhada), Luiz Aroldo (Águas Belas), João Bosco (Granito) e Álvaro Marques (Tacaimbó), os vereadores Liana Cirne (Recife), Jairo Britto (Recife), Osmar Ricardo (Recife), Flávia Hellen (Paulista), Vinícius Castello (Olinda), o ex-deputado Fernando Ferro e o ex-prefeito do Recife João da Costa.

O encontro durou 1h30 e girou em torno da preparação do ambiente eleitoral de 2022. A palavra de ordem é “esquecer as rusgas do golpe de 2016”, em evidente sinalização para uma construção com o PSB, sigla mais forte no estado e cujos deputados votaram, em sua maioria, a favor do impeachment que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT). O objetivo prioritário é ganhar a presidência e, para ter o apoio formal do PSB, o PT não deve ter candidato ao Governo do Estado.

Entre os presentes, nem todos ficaram satisfeitos. Há quem considere um erro tático abrir mão de uma candidatura majoritária em favor do PSB. “Localmente Lula não precisa do apoio do PSB para ter votos. Essa vinculação ao PSB pode até atrapalhar Lula aqui”, opina uma liderança, que considera a aliança negativa mesmo para as chapas proporcionais. “A prioridade deles [PSB] é eleger os deles. Os nossos ficam nas beiradas do palanque”, reclama.

Delegações

Antes da reunião com petistas, Lula recebeu o deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos), presidente estadual de seu partido (que também é o partido de Carlos Bolsonaro). Na Câmara, Costa Filho é base de apoio do governo Bolsonaro, assim como seu partido, que pertence à Igreja Universal. O deputado foi acompanhado de seu pai, o ex-deputado Silvio Costa, um dos defensores de Dilma durante o processo de 2016.

Uma grande comitiva do PCdoB também se reuniu com Lula. A vice-governadora Luciana Santos, presidenta nacional dos comunistas, esteve acompanhada do deputado federal Renildo Calheiros, do ex-secretário de Cultura Marcelino Freire, a vereadora Cida Pedrosa, o ex-vice-prefeito Luciano Siqueira, a dirigente estudantil Flor Ribeiro e outros dirigentes.

Entre as pautas, um pedido de apoio do PT na aprovação das coligações, cuja votação deve ocorrer nesta terça-feira (17), na Câmara Federal. A prioridade dos comunistas é aprovar a federação partidária, mas a coligação serve como “plano B”. O PCdoB corre risco de não conseguir superar a cláusula de barreira, que coloca para 2022 a necessidade dos partidos obterem no mínimo 2% dos votos para a Câmara Federal e elegerem ao menos 11 deputados. As siglas que não alcançarem esses números, perdem direito ao Fundo Partidário e à propaganda de TV e rádio.

O PSOL também trouxe uma comitiva, formada pelas codeputadas estaduais Jô Cavalcanti, Joelma Carla, Kátia Cunha e Carol Vergolino (todas do mandato das Juntas), os vereadores Ivan Moraes e Dani Portela, o presidente estadual do partido Severino Alves, os dirigentes Eugênia Lima e João Arnaldo e outros. O partido não vai compor com o PT e o PSB no estado. Terá candidatura própria. Mas as dirigentes vieram reafirmar a intenção do partido em apoiar a postulação de Lula ao Planalto.

O deputado federal Túlio Gadelha (PDT) também veio ao encontro de Lula no hotel. Aliado de primeira hora do presidenciável Ciro Gomes em 2018, hoje Gadelha considera não haver espaço eleitoral para Ciro em 2022. A relação de Túlio com a direção do PDT está estremecida desde a disputa municipal 2020, quando ele foi “rifado” em nome de uma aliança com João Campos (PSB), eleito tendo Isabella de Roldão (PDT) na vice.

O movimento contra a candidatura de Túlio foi apoiado pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi; do presidente estadual da sigla, o deputado federal Wolney Queiroz (PDT); e também por Ciro Gomes, que esperava ter em troca o apoio do PSB à sua candidatura presidencial em 2022.

Pela noite, Lula vai ao Palácio do Campo das Princesas, onde o governador Paulo Câmara (vice-presidente nacional do PSB) o aguarda para um jantar com a cúpula do PSB no estado. Devem estar presentes o prefeito João Campos, o ex-prefeito e pré-candidato a governador Geraldo Julio, entre outros. Na segunda (16), ele visita um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Região Metropolitana do Recife.

O ex-presidente desembarcou no Recife acompanhado da presidenta nacional do partido, a deputada federal Gleisi Hoffman (Paraná), o deputado federal José Guimarães (Ceará) e o ex-deputado Márcio Macedo, pré-candidato ao Governo de Sergipe.