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No Brasil, mais de 130 mil crianças de até 17 anos ficaram órfãs na pandemia

88 mil perderam o pai, 26 mil a mãe e cerca de 17 mil perderam os avós que eram responsáveis por sua criação, segundo pesquisa da revista Lancetf

Publicado: 22 Julho, 2021 - 08h30 | Última modificação: 22 Julho, 2021 - 08h37

Escrito por: Redação CUT

Luiz Silveira/Agência CNJ
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Com as mortes dos pais em decorrência da Covid-19 ,entre março do ano passado e o final de abril deste ano,  130.363 crianças e jovens brasileiros de até 17 anos ficaram órfãos, de acordo com estudo da revista científica Lancetf, publicado esta semana.

Cerca de 17 mil perderam os avós, que eram responsáveis por sua criação, estima a pesquisa, que ressalta a situação das crianças e jovens, que podem ser criados por parentes, irmãos mais velhos ou serem colocados em instituições para serem adotados.

O governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) não tem nenhuma proposta para socorrer essas crianças e jovens. No Congresso Nacional, estão tramitando três projetos de lei que propõem auxílios nacionais. Um propõe pensão de R$ 1.100 até os 18 anos, outro um fundo financeiro de amparo e o último um cadastro para que os órfãos tenham prioridade em programas sociais.

No Nordeste, governadores aprovam auxílio para órfãos

Os governadores do Nordeste saíram na frente e aprovaram nesta segunda-feira (19) o Nordeste Acolhe, programa de auxílio social para os órfãos da Covid-19, que prevê o pagamento de R$ 500 para as crianças e adolescentes.

Segundo o presidente do Consórcio Nordeste, Wellington Dias (PT), cada estado deve encaminhar o programa para as assembleias legislativas. Ele ressaltou que os governos devem lançar a proposta nos próximos dias.

Mais dados da pesquisa

O estudo da revista Lancetf também mostra que, no mundo, as crianças que perderam o pai são pelo menos o dobro das que perderam a mãe. No caso do Brasil, foi mais que o triplo: 88 mil ficaram órfãos de pai, contra 26 mil que perderam a mãe. 

Até 23% das crianças nos 21 países analisados são criadas por pais solteiros, cuja morte pode ter consequências extremas para as crianças.

Os dados da pesquisa foram reproduzidos pela Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, os autores da estimativa chamam a tragédia de “pandemia oculta” e dizem que: “Essas crianças não identificadas são a consequência trágica esquecida dos milhões de mortos na pandemia.”

Os cientistas calcularam mais de 862 mil crianças órfãs em 21 países, nos quais ocorreram cerca de 77% das mortes globais por Covid-19 até 30 de abril de 2021. Também estimaram que, em termos globais, mais de 1 milhão de menores perderam um dos pais ou seu principal cuidador, principalmente os avós.

De acordo com a reportagem, a pesquisa inclui a família de forma ampla, porque 38% das crianças do mundo vivem na mesma casa que os avós, porcentagem que chega a 50% na Ásia-Pacífico. Mais vulneráveis à Covid-19, são esses idosos que costumam dar apoio prático, financeiro ou emocional para seus netos.

“No Brasil, 70% das crianças recebem esse apoio financeiro; ainda assim, o Brasil ocupa o segundo lugar mundial em mortes por Covid-19, reduzindo as opções de cuidados por parentes”, alerta a pesquisa.

Os cientistas ressalvam que, para os cálculos, presumiram que parentes com 60 anos ou mais que viviam com parentes com menos de 18 anos eram avós e netos, embora o adulto mais velho possa ser um tio ou primo.

O cálculo do número de órfãos foi feito com base em números de fertilidade da ONU e estatísticas nacionais sobre mortes por Covid, o que indica que pode ser ainda maior, segundo os pesquisadores, já que há subnotificação nos registros de óbitos.