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No 7º dia de greve, jornalistas alagoanos fazem passeata no centro de Maceió

Além de um fim de semana de luta em família e forte trabalho nas redes sociais, 7º dia também foi marcado pelo parecer do Ministério Público do Trabalho (MPT), que defende a legalidade da greve dos jornalistas

Publicado: 01 Julho, 2019 - 18h31 | Última modificação: 01 Julho, 2019 - 18h41

Escrito por: Érica Aragão

Foto: Jonathan Lins
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Em greve há sete dias contra 40% de redução salarial, os jornalistas alagoanos vestidos de preto e levantando faixas nos faróis de trânsito, fizeram uma passeata no centro de Maceió, para conversar com a população sobre os motivos da paralisação da categoria, nesta segunda-feira (1º) e se surpreenderam com o apoio da população.

“Os alagoanos e as alagoanas entenderam que 40% de redução salarial seriam um impacto econômico e social muito grande que afetaria toda a estrutura familiar e a região onde moramos”, disse uma jornalista da TV Gazeta (afiliada à Rede Globo) que não quis se identificar.

Já a surpresa desagradável ficou por parte da presença da polícia que foi acionada para intimidar os trabalhadores e trabalhadoras que ficaram em frente à TV Gazeta (afiliada a Rede Globo), que participavam de uma programação da greve, com manifestações políticas e apresentações artísticas.

Segundo informação dos próprios policiais, a denúncia foi feita pelos prepostos do senador Fernando Collor de Mello, proprietário da TV Gazeta, para dispersar os atos pacíficos que vêm ocorrendo diariamente em frente às empresas de comunicação.

“Eles chegaram alegando que houve denúncia de perturbação da ordem pública e ameaçaram apreender o carro de som que estava a serviço da greve, mas não havia mandado judicial”, disse a secretária de Mobilização e Organização do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (SindJornal), Emanuelle de Araújo Vanderlei, a Manu.

Segundo ela, o carro de som foi desligado e depois, de muita negociação, o veículo não foi apreendido, como queriam os representantes da empresa.

Histórico da greve

Os jornalistas e as jornalistas de Alagoas estão em greve desde o dia 25 de junho para lutar contra a proposta das três principais empresas de comunicação do Estado (TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, Pajuçara, afiliada a Record e TV Ponta Verde, afiliada ao SBT) de redução de 40% do piso salarial, conquistado há décadas.

Na próxima quarta-feira (3) vai haver uma audiência marcada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) , para julgamento do dissídio da categoria, que também pede a reposição do índice inflacionário e a manutenção do piso salarial como é hoje.

Jonathan LinsJonathan Lins
Jornalistas conversando com a população no centro de Maceió

Segundo a secretária de Combate ao Racismo da CUT Alagoas e dirigente do Sindjornal, Elida Miranda, a Central está dando um apoio fundamental desde o primeiro dia de paralisação da categoria, e só ficará tranquila quando os trabalhadores e as trabalhadoras saírem vitoriosos desta negociação.

 “A CUT tem compromisso com a luta e estamos articulando outras ações para defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. A expectativa é que seja aprovado nosso dissídio na quarta (feira (3) e na quinta (4) a categoria possa voltar aos trabalhos com nossos direitos reestabelecidos”, afirmou Elida.

Parecer do MPT

Também no sétimo dia de greve dos jornalistas alagoanos, o Ministério Público do Trabalho (MPT) emitiu um parecer defendendo a legalidade da greve dos jornalistas profissionais do Estado.

O documento do MPT é uma resposta de uma ação da TV Ponta Verde, que pediu para manter 80% das atividades da categoria, porém o procurador Matheus Gama, quem subscreveu o texto do parecer, afirma que as atividades da empresa não são consideradas como essenciais, no sentido de causar perigo iminente à população – segundo a Lei de Greve.

O MPT também apura a denúncia do SindJornal que trata da contratação irregular de pessoas para substituir os funcionários em greve. A representação da entidade classista alega que a substituição desrespeita o parágrafo único do art. 7º, da Lei 7.783/1989, a Lei de Greve.

Na denúncia, o sindicato informa que a TV Gazeta de Alagoas teria contratado dois jornalistas: um para apresentar os noticiários, outro para fazer as reportagens da emissora. Já a TV Pajuçara e a TV Ponta Verde teriam contratado profissionais de fora do estado para levar seus telejornais ao ar.

A luta não para nos fins de semana

Durante todo o fim de semana os jornalistas e as jornalistas em greve fizeram atividades culturais em frente às emissoras de TV no Estado. No sábado, as famílias dos trabalhadores e das trabalhadoras foram os convidados especiais.  Na ação teve brinquedos, pipocas, algodão doce e muito diálogo para sensibilizar os membros da família e mostrar que quem serão os atingidos pela redução salarial serão eles.

No domingo, como ia ter manifestações em defesa ao ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro, a categoria decidiu não sair de casa e mobilizar pelas redes sociais. Com a hashtag #SeisDiasSemElas, a greve dos jornalistas alagoanos pautou o Twitter e competiu com a hastag dos manifestantes de verde e amarelo.

“Foi uma disputa de narrativa para que chamássemos atenção a nossa luta contra a redução salarial e deu certo.Aliás está dando certo, porque desde o primeiro dia a gente vem conseguindo subir nossas hashtags nos Trends Topics do Twitter e denunciado esta proposta indecente dos patrões”, disse Elida ao Portal da CUT.