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Lama chega a rios e fiscais denunciam precarização

Depois de localizar 165 mortos, equipes enfrentam dificuldades e lama começa a afetar rios e a vida de moradores de cidade a 300 km da barragem

Publicado: 11 Fevereiro, 2019 - 12h15 | Última modificação: 12 Fevereiro, 2019 - 09h31

Escrito por: Redação CUT

Douglas Magno / AFP
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As buscas por mortos e desaparecidos prosseguiram na manhã desta segunda-feira (11), no 18º dia após o crime da Vale, em Brumadinho, onde as equipes enfrentam novos desafios, como a chegada da lama em cidades próximas e a precarização dos serviços.

O trabalho árduo é feito, apesar do descaso do governo federal que não garantiu nem verba para colocar combustível nos veículos, denunciam fiscais da Agência Nacional de Mineração (ANM), que estão tendo que ratear o custo do diesel das caminhonetes com dinheiro do próprio bolso para conseguir chegar até as estruturas, sem qualquer previsão de ressarcimento.

A avalanche de rejeitos de minério despejados pela Vale avança para as comunidades locais afetando rios e a vida de moradores que já deixaram suas casas. Este é o caso da comunidade de Ribeiro Manso (MG), a 300 km da barragem da mineradora que se rompeu, onde as águas com rejeitos de mineração avançam progressivamente pelo rio.

No rio Paraopeba, a 110 km da barragem destruída, os pesquisadores foram surpreendidos com a condição da água “lodosa e sanguínea”. A indignação foi tanta que houve um silêncio geral da equipe.

“A aparência está igual à que vimos no rio Doce”, lamentou o geógrafo Miguel Felippe, da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Buscas

As equipes de busca resgataram 165 corpos, dos quais 158 já foram identificados. Segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, 160 corpos ainda estão desaparecidos. Muitos nunca serão localizados, de acordo com autoridades federais e estaduais.

Nesta terceira semana após o rompimento da barragem da Vale, ocorrido no dia 25 de janeiro, o panorama das buscas pelos desaparecidos do desastre é diferente, tem menos helicópteros e mais máquinas pesadas. Os bombeiros fazem uma análise mais profunda do rejeito com o apoio de máquinas pesadas que retiram a lama dos locais onde o rejeito se acumulou e ficou seco, o que dificulta o trabalho.

Vaquinha e precarização

Na última semana, um manifesto foi entregue ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) denunciando o descaso dos órgãos federais. A falta de combustíveis nos veículos tem afetado o trabalho das equipes de buscas.

“Todos esses veículos já deveriam ter sido substituídos, tendo em vista o ano de fabricação e a frequência de uso em situação adversa (estradas de terra). Eles demandam manutenções constantes, que impedem que estejam disponíveis para as viagens necessárias e, por isso, comprometem os trabalhos de fiscalização”, aponta trecho do documento.

Os fiscais da Agência Nacional de Mineração (ANM) estão tendo que ratear o custo do diesel das caminhonetes com dinheiro do próprio bolso para conseguir chegar até as estruturas, sem qualquer previsão de ressarcimento. Eles denunciam ainda a falta de equipamentos básicos como botas, uniformes e rádios nas viaturas para realização do trabalho.

São apenas três fiscais fixos, e mais três que foram provisoriamente deslocados para essa função, para avaliar as condições de segurança de 435 reservatórios de mineração em Minas Gerais.

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