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Negros são apenas 5,97% dos repórteres e apresentadores no telejornalismo gaúcho

Pesquisa revisa o trabalho do jornalista Wagner Machado da Silva, publicado em 2009, que encontrou apenas 3 comunicadores negros entre 421 jornalistas analisados na época, somando 0,71% na época

Publicado: 11 Agosto, 2021 - 14h25

Escrito por: CUT RS

Reprodução
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Apesar de representarem 56% da população brasileira segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), negros são apenas 5,97% dos profissionais de vídeo das sete principais emissoras com programas telejornalísticos no Rio Grande do Sul.

É o que aponta a pesquisa "A gente não se vê por aqui: o jornalista negro no maior grupo de comunicação do Rio Grande do Sul", feita pelo jornalista Gabriel Bandeira, sob orientação do professor e escritor Juremir Machado da Silva.

A pesquisa foi defendida e aprovada no início de julho como requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo pela Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos, da PUCRS. Além dos dados, o trabalho aborda racismo, desigualdade racial na mídia gaúcha e questiona o papel dos veículos de comunicação na luta antirracista.

Ao todo foram analisados 134 profissionais de vídeo entre os dias 14 e 24 de junho de 2021. Desse número, apenas oito são negros, sendo cinco homens e três mulheres. São eles: Fernanda Carvalho, Marck B e Seguidor F (RBS TV), Domício Grillo e Fernanda Bastos (TVE), Marcinho Bléki e Rafael Cavalheiro (SBT RS) e Liliane Pereira (Record TV RS). Band TV RS, TV Pampa e RDC, que somam 36 profissionais de vídeo, não tem nenhum negro.

A pesquisa revisa o trabalho do jornalista Wagner Machado da Silva, publicado em 2009, que encontrou apenas 3 comunicadores negros entre 421 jornalistas analisados na época, somando 0,71% na época.

Fruto de um incômodo constante do pesquisador sobre a ausência do negro na comunicação, o trabalho começou a ser planejado ainda em 2020, com a pauta antirracista sendo amplamente debatida após os assassinatos de George Floyd, nos Estados Unidos, e de José Alberto Freitas, na Zona Norte de Porto Alegre.

"O Brasil tem uma ferida aberta com o seu passado escravocrata, que tem ramificações até hoje. E isso só se atenua em um estado de maioria branca, que historicamente coloca a contribuição negra em segundo plano. Sempre fui um dos poucos negros nas turmas. Nunca tive um professor negro. A pesquisa foi uma das maneiras que encontrei de tornar o racismo estrutural do mercado de trabalho visível para as outras pessoas. O número é chocante, mas, agora, a partir dele, é possível pensar no que será feito daqui pra frente", afirma Bandeira.