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“Não alimento expectativa para não ter frustração”, diz Lula sobre liberdade

Ao responder pergunta do jornalista Joaquim Carvalho, do DCM, sobre o que achava do parecer favorável do Ministério Público Federal ao regime semiaberto, Lula disse que não sabe se sairá da prisão

Publicado: 05 Junho, 2019 - 16h29 | Última modificação: 05 Junho, 2019 - 16h53

Escrito por: Redação CUT

Ricardo Stuckert
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Os jornalistas Joaquim de Carvalho, do DCM, e Eleonora de Lucena, do site Tutameia, entrevistaram o ex-presidente Lula na manhã desta quarta-feira (5), na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ele é mantido preso político desde abril do ano passado.

O vídeo com a entrevista deverá estar no ar no canal do YouTube do DCM, entre as 21h e as 22h.

ReproduçãoReprodução
Lula, na entrevista ao DCM e ao Tutameia

Uma das perguntas do jornalista do DMC a Lula foi o que ele achava do parecer da subprocuradora-geral do Ministério Público Federal (MPF), Aurea Lustosa Pierre, enviado na semana passada ao Superior Tribunal de Justiça, reconhecendo que ele tem direito à progressão de pena do regime fechado para o semiaberto.

Como Lula foi comandante supremo das Forças Armadas e como, neste caso, não existe estabelecimento adequado para o regime semiaberto, em que trabalharia de dia e passaria a noite em estabelecimento penal próprio, ele poderia cumprir pena em casa. Por isso, a pergunta do jornalista foi específica: O senhor acha que agora, com esta manifestação do Ministério Público, o senhor vai sair daqui?

O ex-presidente respondeu: “Eu não sei (se vou sair)”.

“Deixa eu contar uma coisa para vocês”, continuou Lula: “Eu não gosto de alimentar expectativa. Não tem nada pior para um preso do que expectativa frustrada. Quando você está livre, você marca o encontro com uma namorada ou namorado, e ele não comparece, você fica fulo da vida, vai num bar, toma uma cachaça ou um uísque e você fica normal. Mas, quando você está preso e tem uma expectativa e ela não acontece…”

Lula, de qualquer forma, não aceitaria usar tornozeleira eletrônica, diz o repórter, que relata a maneira incisiva como o ex-presidente tratou essa possibilidade. Ele disse que “tornozeleira é para bandido ou pombo correio”.

Se não alimenta expectativa de deixar a prisão, Lula já sabe o que fazer quando isso ocorrer: vai se casar, diz a reportagem de Joaquim Carvalho, lembrando que a namorada é Rosângela Silva, a Janja, por quem o ex-presidente já usa aliança de compromisso na mão direita.

Lula ainda falou dos estudantes, dos artistas, dos movimentos sociais, do Brasil, da imprensa e de seu maior compromisso, o compromisso com o povo brasileiro.

“A pessoa que eu escolhi tem que saber que eu não troco esse compromisso que eu tenho com o povo por nada, sobretudo esse povo que está aí há um ano e dois meses, todo santo dia, com frio ou com calor. Sinceramente, eu não mereço isso”, disse se referindo aos representantes dos movimentos sociais, sindical que montaram a Vigília Lula Livre no dia em que Lula foi preso, nas proximidades da sede da Polícia Federal de Curitiba.  

Antes do término da entrevista, Lula falou sobre o pacto entre os poderes da república, costurado por Jair Bolsonaro (PSL). Sem citar nomes, criticou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

“Quando você faz uma reunião e aparece o presidente da Suprema Corte e a informação que a gente recebe é pacto por conta das reformas, não é crível, não é crível, como falariam alguns amigos porque, se alguém da sociedade brasileira quiser entrar com um recurso contra a reforma, vai entrar na Suprema Corte. E como é que pode? Um cara que é presidente vai se sentir impedido ou não? Ele vai poder votar ou não? Então, as pessoas precisam se preservar.”

A íntegra da entrevista concedida por Lula ao DCM e ao site Tutameia será publicada na noite de hoje.

A entrevista foi realizada depois de quase um ano de luta nos tribunais travada pela advogada Tânia Mandarino, em nome do DCM. A certa altura, Lula falou da importância a mídia independente.

“É a minha fonte de informação”.