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Na mira da privatização, Petrobras reabre inscrições para demissões “voluntárias"

Mesmo com denúncias sobre diversas unidades do Sistema Petrobras estarem operando abaixo do efetivo estipulado, a empresa reabriu programa para o desligamento de mais funcionários

Publicado: 07 Janeiro, 2021 - 14h04 | Última modificação: 07 Janeiro, 2021 - 14h08

Escrito por:  Andreza de Oliveira / Sindipetro Unificado

FUP
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Petroleiros fazem manifestação em frente à sede da Petrobras na última greve, em fevereiro de 2020

A Petrobrás anunciou no início deste ano a reabertura do Programa de Demissão Voluntária de 2019, com inscrições que podem ser realizadas até dia 29 de janeiro de 2021.

Com mais de 14 milhões de brasileiros sem postos de trabalho fixo, segundo o IBGE, um aumento recorde de desempregados no país, a maior estatal brasileira corrobora para um agravamento da crise nas relações trabalhistas.

Contradizendo os próprios estudos, a realidade da companhia é de falta de um quadro efetivo com o número mínimo de trabalhadores para que seja garantida a segurança dos funcionários, da comunidade em torno às unidades e da própria empresa, algo já denunciado pelos trabalhadores do Sistema Petrobras.

Como alternativa para suprir a falta de trabalhadores em determinadas funções, a Petrobras implementou um novo Plano de Carreiras e Remuneração – o chamado “Mobiliza Contínuo”, que promove a intermediação para mudança de funções dentro da empresa ou transferência de unidades de trabalho. Contudo, a reclamação é que além da pouca transparência, o programa da estatal não consegue qualificar os trabalhadores no tempo necessário.

“A empresa não explica pra gente como vai suprir essa falta de efetivo e, na prática, não está conseguindo dar conta dos prazos para qualificar os trabalhadores que mudaram de função. O planejamento não está sendo bem feito”, explicou o coordenador da regional Campinas do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Unificado-SP), Gustavo Marsaioli.

Reflexos da privatização

O dirigente aponta ainda que enxugar o efetivo por meio de programas de desligamento voluntário e aposentadorias antecipadas é uma forma que a atual gestão da Petrobrás utiliza para facilitar uma possível venda.

“Por conta do concurso público, os funcionários não podem ser demitidos, por isso a Petrobrás utiliza alternativas para desligamentos e busca reduzir o efetivo com aposentadorias e programas de desligamento, enquanto tenta sanar a falta de trabalhadores, de maneira falha, com alternativas como o Mobiliza”, completou Marsaioli.