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MP acusa governador do DF de distorcer dados de UTI

Ministério Público acionou a Justiça para que seja determinado ao governo do Distrito Federal a divulgação de dados epidemiológicos em tempo real

Publicado: 30 Junho, 2020 - 12h39 | Última modificação: 30 Junho, 2020 - 13h01

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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No mesmo dia em que decretou estado de calamidade pública por conta da pandemia causada pelo coronavírus, o governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), que trata a Covid-19 com gripe, foi acusado pelo Ministério Público do Distrito Federal (MP-DF) de distorcer dados reais da pandemia. O órgão afirma que há discrepância nas informações publicadas pelo governador sobre a taxa de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) adulto. 

A petição foi apresentada à 1ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal. Nela, o MP aponta que, em 26 de junho, o sistema de regulação estava em 93%, já o site da Sala de Situação, que tem como objetivo aumentar a transparência das informações da Saúde no DF,  registrava ocupação em 59,84%.

Neste sentido, o Ministério Público acionou a Justiça para que seja determinado ao governo do Distrito Federal a divulgação de dados epidemiológicos em tempo real.

“Sem omissões e sem distorções da realidade da ocupação dos leitos de UTI no DF”, reafirmou o MP.

Além disso, o governo do Distrito Federal deverá observar como base de cálculo para a taxa de ocupação apenas os leitos indicados para a imediata disponibilização pela central e deixar de computar os leitos previstos, mas ainda não ativados ou não operantes, para efeito de cálculo da taxa de ocupação. 

Reabertura para agosto

Mesmo com a escalada de casos confirmados por coronavírus no DF, o governador Ibaneis Rocha (MDB) estuda a reabertura total das atividades econômicas para o começo de agosto. Bares, restaurantes, escolas e outras atividades estão na lista de serviços que voltarão a partir de agosto.

Em entrevista ao Estadão, o governador afirmou que as restrições no DF já “não servem para nada, pois se esgotou o limite da população”. 

"Vai ser tratado como gripe, como isso deveria ter sido tratado desde o início. Pedi para o pessoal fazer o estudo (para a reabertura). Até início de agosto eu deixaria tudo aberto. E nem seria com restrições, não. Restrição não serve mais para nada. Você não consegue mais fazer com que as pessoas fiquem em casa”.

O DF tem 47.071 casos da Covid-19 e 559 mortos, segundo boletim do governo local.

Aumento nas cidades do DF

Os números da pandemia nas cidades que fazem divisa com o Distrito Federal preocupam. 

Em Águas Lindas concentra o maior número de infectados do novo coronavírus, com 681 casos confirmados da doença. Em seguida aparece Luziânia com 566 casos e Valparaíso de Goiás com 535.

O Hospital de Campanha de Águas Lindas, inaugurado no início de junho, os 10 leitos de UTI disponíveis para pacientes com covid-19 estão ocupados, já os de enfermaria a taxa de ocupação chegou a 75%. Além disso, a região de Luziânia também tem lotação máxima dos leitos de emergência destinados para o tratamento da doença.

Após o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, sinalizar o lockdown no estado, prefeitos das cidades do entorno do Distrito Federal se reúnem nesta terça-feira (30) para definir as medidas que serão adotadas a partir de 1º de julho. 

As cidades vizinhas estudam uma possível suspensão dos serviços essenciais e não essenciais somente aos fins de semana. 

A ideia, segundo os prefeitos das cidades do DF, é fechar os estabelecimentos a partir das 13h, no sábado, e seguir até a 0h de segunda. 

Com essa medida, supermercados, farmácias, lojas, feiras, shoppings, lotéricas, entre outros estabelecimentos, ficarão fechados por 35 horas nos fins de semana. O objetivo é reduzir a circulação de pessoas em um momento que o número de casos da Covid-19 está crescendo.