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Motoristas da Uber protestam contra falta de reajuste e bloqueio de contas no RS

Para a Uber, só estão sendo excluídos aqueles que tinham números excessivos de cancelamentos

Publicado: 23 Setembro, 2021 - 09h20 | Última modificação: 23 Setembro, 2021 - 10h06

Escrito por: Redação RBA

Reprodução
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O Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS) divulgou, nesta quarta-feira (22), uma nota expressando repúdio ao bloqueio massivo de motoristas praticado pela Uber nas últimas horas em todo o Estado.

Segundo o sindicato, “as condições de trabalho dos motoristas na Uber vêm se deteriorando já há bom tempo, mas particularmente nestes últimos meses de constantes e expressivos aumentos dos combustíveis”. Dezenas de motoristas que tiveram suas contas bloqueadas realizaram um protesto, nesta quarta, em frente à sede do escritório da empresa, em Porto Alegre, protestando contra a medida da plataforma.

Mobilização nesta quinta

Os motoristas que tiveram suas contas bloqueadas realizarão um novo protesto, nesta quinta-feira (23), com concentração marcada para as 7h, no Largo Zumbi dos Palmares. Dali seguirão em carreata até a representação da Uber e depois irão para a sede do Ministério Público.

Para a Uber, só estão sendo excluídos aqueles que tinham números excessivos de cancelamentos. A empresa alega que os motoristas bloqueados abusaram do recurso do cancelamento e “configuraram mau uso da plataforma prejudicando o seu funcionamento e prejudicando intencionalmente a experiência dos demais usuários e motoristas”.

O Simtrapli-RS, no entanto, contesta a justificativa da empresa, assinalando que “como a Uber não reajusta o valor que paga a seus motoristas desde 2016 é evidente que com a gasolina a 7 reais a situação está se tornando insustentável para muitos. Em São Paulo, cerca de 25% dos motoristas já abandonaram o trabalho em aplicativos neste ano”.

Ainda segundo o sindicato, aqueles que por falta de opções, com o aumento do desemprego em meio à pandemia, permanecem trabalhando como motoristas do aplicativo “são obrigados a se tornar mais seletivos na aceitação das viagens”.

Sem reajuste desde 2015 e disparada nos preços dos combustíveis

“Com o preço dos combustíveis e com que a empresa paga é muito comum a viagem se tornar deficitária e o motorista ter prejuízo para a que a Uber assegure seu lucro”, denuncia o Simtrapli-RS.

“No lugar de reajustar o ganho dos motoristas (que no Rio Grande do Sul já estão defasados em mais de 50%), a Uber decidiu bloquear todos aqueles que considera que estejam cancelando demasiadas viagens. Centenas de motoristas que estavam apenas buscando uma forma de sobreviver numa conjuntura adversa foram definitivamente jogados pela Uber na rua da amargura”, protesta o sindicato.

Para o Simtrapli-RS, recusar viagens perigosas e deficitárias é um direito dos motoristas e as empresas não podem puni-los por causa disso. “A Uber deveria reajustar os ganhos dos motoristas, como fez em São Paulo, Florianópolis, Brasília e outras cidades, no lugar de puni-los por tentarem sobreviver”, salienta a entidade. 

Maior problema dos motoristas não é mais a pandemia

A presidente eleita do Sintrapli-RS, Carina Trindade, avalia que o maior problema para os trabalhadores do setor não é mais a pandemia, pois a procura aumentou significativamente nos últimos meses. “O maior problema é o valor da corrida que está muito baixo”, esclarece.

“Temos que calcular a distância e a trajetória até o cliente para saber se vale a pena fazer a corrida”, conta. Ela se queixa do fato de que a Uber, uma das empresas do setor, teria feito reajustes em outros estados do País, mas no Rio Grande do Sul nada mudou até agora.

O presidente da Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos do Rio Grande do Sul (Alma), Joe Moraes, fez uma comparação para apontar as perdas. “Em 2017, o quilômetro percorrido valia R$ 1,21, hoje é de no máximo R$ 0,90”, ilustra. “Em uma corrida de 5 km, o motorista paga para trabalhar”, diz.

A situação, acrescenta Moraes, é pior para quem trabalha com carro alugado. Com o valor elevado dos insumos e a falta de reajuste de preços, muitos estão deixando de trabalhar em transporte por aplicativo, revela. 

Em busca de nova mediação no TRT-4

O sindicato anunciou que tomará as medidas jurídicas cabíveis para assegurar os direitos dos motoristas de aplicativos e buscará imediatamente uma nova mediação junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) para encontrar soluções para essa crise.

“Não podemos trabalhar no prejuízo e vamos mobilizar a categoria para aumentar o valor do quilômetro rodado, que está muito defasado no RS, agravado pela disparada dos preços dos combustíveis por causa da política da atual direção da Petrobrás de indexação ao dólar”, aponta Carina.