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Morte no Carrefour: Protesto e pedido de cassação do alvará marcam domingo no país

No terceiro dia após a morte de João Alberto Silveira Freitas, em uma unidade do Carrefour de Porto Alegre, brasileiros protestam contra o racismo em unidades do hipermercado em várias capitais

Publicado: 23 Novembro, 2020 - 10h33 | Última modificação: 23 Novembro, 2020 - 11h18

Escrito por: Redação CUT

Reprodução/RBA
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As reações contra o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, o homem negro de 40 anos, em uma unidade do Carrefour da zona norte de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra, quinta-feira (19), continuam em todo o país.Homem negro é espancado até a morte por seguranças do Carrefour em Porto Alegre

 

Neste domingo (22), pelo terceiro dia consecutivo, manifestantes foram a lojas do Carrefour para protestar e pedir o fim do racismo e o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afrobrasileiras (Idafro) entrou com uma representação na Prefeitura de Porto Alegre pedindo a cassação do alvará de funcionamento da loja do Carrefour onde João Alberto foi assinado por dois seguranças da loja.

De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S Paulo, o documento, assinado pelos advogados Hédio Silva Junior e Karla Meura, usa a nota emitida pela empresa e declarações do presidente do Grupo Carrefour Brasil, Noel Prioux, para afirmar que a empresa admite a ocorrência de racismo.

“O estado tem uma cota de responsabilidade muito grande em tragédias dessa natureza. Como a lei orgânica do município prevê a possibilidade de cassação nesses casos e a empresa confessa que a motivação foi racismo, entendemos que a prefeitura deve cassar como medida exemplar para que as empresas tomem medidas preventivas”, diz o advogado Silva Junior, segundo o jornal.

Uma lei orgânica municipal de Porto Alegre prevê punições do tipo em caso de racismo. “Sofrerão penalidades de multa até cassação do alvará de instalação e funcionamento os estabelecimentos de pessoas físicas ou jurídicas que, no território do Município, pratiquem ato de discriminação racial; de gênero”, diz trecho do artigo.

Por todo o país, foramr realizados protestos em unidades do Carrefour. No Rio de Janeiro, foram realizados protestos em unidades do Norte Shopping, na zona norte do Rio, em Campo Grande, na zona oeste e em São Gonçalo, na região metropolitana. Os atos foram realizados pela União da Juventude Socialista (UJS) e União de Negros pela Igualdade (Unegro).

Em Salvador, um ato começou pela manhã e foi até o horário do almoço diante de uma loja do Atacadão, atacadista que pertence à rede Carrefour.

No litoral paulista houve protestos em Santos e São Vicente, na Baixada Santista. Entre os participantes estavam representantes do Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Settaport). Em todos os atos ecoou uma mensagem cada vez mais forte em todo o mundo: vidas negras importam.

Articulação Negra de Pernambuco (Anepe) divulgou nota de repúdio à ação da Polícia Militar do estado. Na tarde de ontem (21), ao fim de um ato em Boa Viagem, em Recife, houve confusão e a polícia deteve uma ativista sem explicar as razões. Para reprimir manifestantes e defender o supermercado, a operação policial envolveu dez viaturas e um helicóptero, além de um grande número de policiais.

Manifestação em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Redes Sociais)
Ato em Campo Grande trouxe o slogan que ganhou as ruas nos EUA. (Foto: Redes Sociais)
Protesto em Salvador diante do Atacadão, do grupo Carrefour. (Foto: Reprodução TV)
Manifestação diante da loja do Carrefour em Santos (SP). (Foto: Redes Sociais)

Com informações da RBA.