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Morre Raquel Trindade, artista e matriarca da cultura negra, aos 81 anos

Filha do poeta Solano Trindade, ela foi responsável pela fundação da Nação Kambinda de Maracatu

Publicado: 16 Abril, 2018 - 12h47 | Última modificação: 16 Abril, 2018 - 12h51

Escrito por: RBA

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Morreu na madrugada deste domingo (15) a escritora, artista plástica, folclorista e dançarina Raquel Trindade, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, aos 81 anos. O enterro será realizado nesta segunda-feira (16). O corpo de Raquel foi velado na tarde de ontem no Teatro Popular Solano Trindade, fundado há 43 anos por ela em homenagem ao seu pai, que em 1950 criou o Teatro Popular Brasileiro. 

O local é uma referência na preservação e promoção da cultura negra e popular. Realiza cursos, oficinas e apresentações de dança afro-brasileira, hip hop, ensaios abertos de coco de Alagoas, maracatu, jongo da Serrinha, jongo mineiro, bumba meu boi, ritmos dos orixás e outros.

Raquel Trindade foi responsável pela fundação da Nação Kambinda de Maracatu. Mesmo sem diploma universitário, foi docente da Unicamp, com o grupo Urucungo, Puítas e Quinjengues [nomes de instrumentos musicais bantos], e era a intelectual responsável pelo curso de extensão Identidade Cultural Afro-Brasileiro, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Era conhecida também pelo apelido de "rainha Kambinda", uma referência a nação africana Cabinda, reconhecida por ser matrilinear. Considerada uma griot, mestra guardiã do conhecimento, história e cultura dos povos afro-brasileiras, Raquel é autora do livro Embu: de Aldeia de M'Boy a Terra das Artes, publicado em 2004 e reeditado pela Noovha América Editora, em 2011.

Nas artes plásticas, fez sua primeira exposição individual em 1966 e foi uma das fundadoras do movimento de artes de Praça da República, em São Paulo. Em 2012, recebeu a condecoração no grau de Comendadora da Ordem do Mérito Cultural.

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