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Ministro das Relações Exteriores alemão recebe a CUT antes de Bolsonaro

Heiko Maas recebeu, em Brasília, o presidente da CUT, acompanhado do secretário adjunto de Relações Internacionais Ariovaldo de Camargo e do secretário de assuntos jurídicos da CUT Valeir Ertle

Publicado: 30 Abril, 2019 - 07h57 | Última modificação: 30 Abril, 2019 - 08h47

Escrito por: Edson Campos, especial para o Portal CUT

Reprodução
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Na viagem que o ministro das Relações Exteriores da Alemanha e presidente em exercício do Conselho de Segurança da ONU, Heiko Maas, está iniciando por três países da América Latina, começando pelo Brasil, depois Colômbia e México, ele fez questão de receber a delegação da CUT em uma recepção na embaixada na noite desta segunda-feira (29), a convite do embaixador da Alemanha Georg Witschel e do Ministério das Relações Exteriores alemão, para discutir e se informar sobre a situação social do Brasil pós eleições de 2018.

Ele é o primeiro ministro de Relações Exteriores de um país da União Europeia a visitar o Brasil depois da posse do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) e fez questão que a CUT fosse convidada para a recepção que ofereceu na embaixada em Brasília. A CUT foi a única central convidada para o evento.

Durante a recepção o ministro teve uma conversa reservada com o presidente a CUT e os diretores que acompanhavam. Na conversa, Vagner Freitas, parabenizou o ministro pela iniciativa de participar de um encontro com ativistas e militantes feministas para o lançamento de uma rede de fortalecimento dos direitos das mulheres, na manhã de domingo em Salvador.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, relatou ao ministro as dificuldades e os retrocessos a que estão sendo submetidos os movimentos sindical, sociais e a democracia, depois da posse de Bolsonaro. Em especial, falou sobre a reforma da previdência e os prejuízos que as mudanças propostas pela equipe econômica de Bolsonaro vão representar para a classe trabalhadora do Brasil, os retrocessos na educação com as propostas de dificultar e/ou diminuir as matérias de humanas no segundo e terceiro grau, na agenda dos direitos humanos e sociais, a extinção de dezenas de conselhos de participação e diálogo social e também os ataques que estão sendo feitos para interferir e inviabilizar a organização sindical por meio da MP 873 que proíbe o desconto em folha das mensalidades sindicais e as contribuições sindicais negociadas nas convenções coletivas, além de outras tentativas de criminalizar a organização dos movimentos sociais.

O ministro Heiko Maas respondeu que acredita que ser importante ter uma educação de qualidade e que possa desenvolver senso crítico para o desenvolvimento de qualquer país e também que a agenda dos direitos humanos, sociais, democracia e liberdade é fundamental para as relações entre os países e que necessariamente farão parte das discussões que ele vai fazer com o chanceler brasileiro e também com Bolsonaro.

Vagner Freitas considerou significativo que o primeiro ministro das relações exteriores de um país da União Europeia tenha buscado dialogar também com os representantes dos trabalhadores, enquanto que em nosso país os canais de diálogo e negociação têm sido inexistentes.

Para Vagner, “o convite do ministro demonstra que em uma democracia é possível a convivência entre diferentes, e que o respeito a organização da sociedade civil e dos trabalhadores é parte fundamental para o fortalecimento da democracia, diferentemente do que estamos vivenciando, onde um governo tenta a todo custo silenciar ou sufocar a organização social e dos trabalhadores”.