Minas Gerais
ArcelorMittal tem lucro de US$ 903 milhões mas barra aumento real para os metalúrgicos
Publicado: 05 Novembro, 2009 - 14h29
Escrito por: Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Valter Bittencourt - Imprensa CNM/CUT
Faz três meses que começou a campanha salarial e as negociações com os patrões não avançaram quase nada. A proposta econômica apresentada na mesa na última reunião é praticamente a mesma que os patrões fizeram na primeira rodada de negociação.
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Enquanto a patronal de outros Estados e até de algumas localidades de Minas Gerais já concederam de 2% a 5,35% de aumento real nos salários mais abono de até R$ 2.000,00, a ArcelorMittal na região metropolitana de BH e no resto do Estado continua com choradeira, negando o atendimento das reivindicações dos trabalhadores.
Para se ter uma idéia de aumento real dos metalúrgicos a melhor oferta dos patrões do setor siderúrgico feita até agora sequer repõe a inflação do período.
Informações que chegaram ao Sindicato dão conta de que as principais empresas que estão emperrando as negociações e não querem avançar nas propostas são as empresas do setor siderúrgico, entre elas ArcelorMittal, que tem muito peso nas decisões que são tomadas pela FIEMG (sindicato patronal) nas negociações da campanha salarial.
A agência de noticias France Press divulgou no dia 27 de outubro que o Grupo ArcelorMittal teve um lucro liquido de 903 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2009. Uma empresa que lucra quase um bilhão de dólares em um trimestre não tem motivos para chorar miséria e negar o aumento real nos salários de seus trabalhadores.
Este lucro da ArcelorMittal foi construído com muito esforço e a contribuição dos trabalhadores que no caso da Trefilaria, no início deste ano ajudaram a empresa a superar a crise aceitando um acordo de suspensão de contrato de trabalho. Além disso, os trabalhadores desta unidade em Contagem também sofreram o impacto das demissões em massa que aconteceram este ano em todo grupo (ao todo foram demitidos 39 mil trabalhadores em todo mundo).
Portanto companheiros, esta mesma empresa que muitos dão o suor e muitas vezes até sacrificam o convívio com as famílias, é a que está barrando o aumento decente nos salários dos metalúrgicos.
Nesta campanha salarial você está recebendo como "prêmio" da ArcelorMittal uma "banana" por todo o esforço feito para o crescimento da empresa. Então companheiros chegou a hora de dar o troco! Se eles não tem a dignidade em dar o aumento que merecemos, não teremos pressa em produzir para eles.
Informação errada para confundir os trabalhadores
Nesta unidade os trabalhadores estão indignados com a atitude da ArcelorMittal por vários motivos. A empresa, além de impedir os avanços nas negociações apresentando propostas bem abaixo das nossas reivindicações, ela age de má fé informando falsamente os trabalhadores sobre o andamento das negociações pela campanha salarial. Outro dia colocou nos quadros de aviso uma proposta mentirosa que não corresponde a proposta apresentada pelos patrões do setor siderúrgico.
Prática anti-sindical
Os motoristas dos ônibus especiais não sabem em qual portaria da empresa vão entrar. Basta o sindicato estar presente numa portaria que a empresa, numa atitude desesperada, desloca os especiais para outra portaria para impedir o contato dos trabalhadores com o Sindicato. Esta postura da ArcelorMittal, além de ser desrespeitosa com os trabalhadores, também é uma pratica antisindical.
Presença constante da polícia na portaria da fábrica
A empresa também está tratando seus funcionários como se fossem bandidos, colocando a policia constantemente nas portarias durante as atividades do sindicato. Muitas vezes os policiais são vistos circulando com viaturas dentro da fábrica, inclusive tomando café e fazendo refeições no restaurante da empresa.
Negociações em Timóteo, João Monlevade e Vespasiano
Segundo o secretário de Finanças das CNM/CUT, José Wagner de Oliveira, as negociações em separado dos sindicatos de Timóteo, João Monlevade e Vespasiano devem acontecer nesta quinta-feira (5), um dia após a reunião do Sindicato de BH/Contagem na FIEMG.
Oliveira, que é trabalhador na ArcelorMittal Timóteo, disse que no dia 29 de outubro, participou com a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Timóteo, de uma reunião com a representante mundial de RH no segmento de inox, no escritório da empresa na cidade. "Eu pude relatar os últimos acontecimentos e denunciar as práticas anti-sindicai feitas no Brasil pela empresa. Ela disse que iria acompanhar o caso", afirmou.
Campinas - A planta da ArcelorMittal Campinas, segmento inox, está em greve ainda. A paralisação ocorre desde o dia 16 de outubro. Na semana passada, dia 28, houve conflito com a policia que tentou desbloquear a porta da empresa e fazer com que os trabalhadores entrassem para o trabalho Não obtiveram sucesso.
Os informes dos últimos acontecimentos relatam que a empresa ofereceu algo em torno de 2% de aumento real, que não foi aceita pelos trabalhadores.