Milhares de argentinos vão às ruas contra o empobrecimento dos aposentados
Em Buenos Ayres milhares de argentinos protestaram contra a política econômica de Milei que retirou direitos trabalhistas e reajustes de aposentados. Quem recebe o mínimo em ficou abaixo da linha de pobreza
Publicado: 21 Setembro, 2026 - 13h51 | Última modificação: 21 Setembro, 2026 - 14h01
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha
Desde que Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina, os aposentados são os que mais têm sofrido com a política econômica adotada por ele. A deterioração do poder de compra dos aposentados argentinos chegou a tal ponto que os que recebem o benefício mínimo ficaram abaixo da linha de pobreza para um adulto. Essa situação foi agravada pelo congelamento do bônus de 70 mil pesos e, mesmo acrescidas desse valor as aposentadorias não é suficiente para cobrir a cesta básica total usada pelo INDEC (índice argentino) para medir a pobreza.
Em agosto deste ano, a aposentadoria mínima com bônus acumulava uma perda real de 24,3% em relação a março de 2024 e o poder de compra caiu 68%. Já os aposentados que recebem acima do mínimo tiveram evolução diferente, incluindo uma pequena recuperação real em 2025. No Brasil, caso Flávio implemente a mesma política 28,5 milhões de aposentados que recebem o salário mínimo, hoje em R$ 1.621 podem ficar abaixo da linha de pobreza, no valor de R$ 775.
Para piorar a situação dos aposentados, existe um plano do governo de Milei em enviar projetos para aumentar gradualmente a idade mínima de aposentadoria no país, elevando o patamar de homens para 70 anos e mulheres para 65 anos de forma escalonada.
Protestos
Diante deste caos econômico de miséria, desemprego e fome a "Marcha da Bronca" (ou "Marcha de la Bronca"), reuniu 30 mil pessoas que protestaram nas ruas de Buenos Ayres, nesse sábado (19), contra a política econômica do presidente argentino, segundo os organizadores. Houve protestos em outras 30 cidades, entre elas Rosário, Córdoba, Jujuy, Mendoza e Bariloche. O número de participantes nessas cidades não foi divulgado.
A marcha reuniu estudantes, aposentados, trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos, organizações ambientais e de direitos humanos que além das aposentadorias protestaram contra os baixos salários, as demissões, o endividamento das famílias e o desfinanciamento de áreas fundamentais do Estado. Um documento com essas denúncias foi apresentado na manifestação.
Veja como foi
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E no Brasil o que pode acontecer após as eleições ?
Os assessores econômicos do candidato à Presidência no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), têm elogiado a política de Milei, e consideram um modelo a ser seguido, o que pode prejudicar os aposentados e aposentadas brasileiros.
Apesar de não ter colocado em seu programa oficial de governo uma nova reforma da Previdência e apenas generalidades sobre o tema, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, em entrevistas ao jornal Folha de São Paulo, que o modelo previdenciário atual enfrenta dificuldades financeiras que exigirão revisão.
Entre as propostas a serem apresentadas ao Congresso estão a de aumentar a idade mínima de 70 anos para aposentadoria. Hoje a idade mínima está fixada em 65 anos para homens e 62 anos para mulheres.
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