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Metalúrgicos farão semana de luta contra a Covid-19 e o governo Bolsonaro

De 13 a 17 de julho cada sindicato organizará o formato da mobilização, que pode ser virtual ou simbólica. Quem decidir organizar ações presenciais será preciso respeitar as medidas de proteção, segundo a CNM

Publicado: 01 Julho, 2020 - 18h04 | Última modificação: 01 Julho, 2020 - 18h20

Escrito por: Érica Aragão

CNM Arquivo
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Os metalúrgicos de todo o país realizarão, de 13 e 17 de julho, uma “Semana de luta dos metalúrgicos e metalúrgicas contra a Covid-19 e o Governo Bolsonaro” , bem como pela defesa  da saúde, dos direitos e  dos empregos. A ideia é mostrar a luta da categoria, dialogar com os trabalhadores do setor, que em sua grande maioria, já voltou aos locais de trabalho e reforçar o “Fora Bolsonaro”.

A decisão foi tomada na reunião virtual da direção ampliada da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT(CNM/CUT), com presidentes de federações e sindicatos das bases estaduais da categoria, realizada nesta semana. O encontro também teve a participação do presidente da CUT, o também metalúrgico, Sérgio Nobre. 

Segundo a entidade, é uma ação estratégica da categoria na defesa da vida, em primeiro lugar, não contribuir para a expansão da contaminação pela Covid-19 e intensificar a participação e organização de mobilizações virtuais e nas redes sociais para pressionar governos e patrões. E tudo seguindo a orientação da CUT às suas entidades e dirigentes em prol da   construção de uma agenda emergencial.

Por orientação da CNM/CUT de não mobilizar sua base, neste momento, para grandes atos coletivos e manter a campanha pelo isolamento social na medida do possível, cada entidade poderá decidir o formato da semana de mobilização, que poderá ser virtual ou simbólica.

Quem decidir por atos nas portas das fábricas ou nos locais de trabalho terá de respeitar o distanciamento, garantir o controle sobre o número de pessoas envolvidas, excluir os dirigentes que fazem parte do grupo de risco, garantir proteção individual e coletiva, de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Os sindicatos estão fazendo muitas coisas para manter empregos, salários, proteção às vidas, mas não temos a mídia comercial para mostrar, e esta mobilização simbólica é para isso. Para mostrarmos que estamos presentes, respeitando as normas da saúde, dialogando com a categoria e nos colocando à disposição para a luta contra a Covid e, pelo  Fora Bolsonaro”, afirma o presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, o Paulão.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), até o momento cerca de  4,4milhões de trabalhadores e trabalhadoras em todo o país foram favorecidos pelo conjunto de negociações feitas por sindicatos, que envolvem itens referentes ao cenário da pandemia.

Paulão destaca que este número só foi possível devido à luta dos sindicatos, mas que poderia haver muitos mais acordos favoráveis aos trabalhadores se o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) não tivesse excluído as entidades dos acordos previstos na Medida Provisória (MP) nº 936, que autoriza as empresas a reduzirem temporariamente a jornada de trabalho e os salários, na mesma proporção, e a suspenderem os contratos de trabalho durante a pandemia do novo coronavírus.

“Os direitos estão sendo destruídos por medidas provisórias como esta, e é nosso papel alertar a categoria sobre a importância do sindicato de negociar coletivamente e não individualmente como manda a MP. Temos que falar com o nosso povo que é só com sindicatos fortes que conseguimos lutar por direitos, empregos, renda e é por isso que precisamos fortalecer o Fora Bolsonaro”, ressaltou.

A CNM/CUT levará ao Macrossetor da Indústria da CUT  e para o Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID-Brasil) esta proposta de mobilização ainda esta semana, com o objetivo de ampliar essa ação e partir de uma campanha conjunta com a UNIFOR/Canadá, sindicato trabalhista em Toronto.  Também está prevista a criação de conteúdos visuais, virtuais e fonográficos, vinhetas para circular nos carros e caminhões de som e construção de faixas a serem colocadas nas portas das fábricas.

O Secretário-geral da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, disse que a semana de 13 a 17 de julho é um indicativo de data para a mobilização, mas que as entidades poderão fazer a luta em todo o mês de julho, porque muitos dirigentes não são liberados do trabalho e boa parte já voltou para o chão de fábrica.

“Não se trata apenas de uma semana de mobilização, é também o momento que nós vamos aprofundar a defesa da vida, do trabalho e construir uma pauta que vá além da pandemia com todos segmentos do setor [Siderurgia, Bens e Serviços, Eletroeletrônico, Naval e Automotivo] e pensar proposições para o futuro do trabalho, desenvolvimento com direitos e trabalho decente”, conta.

Loricardo conta que esta reunião dos presidentes das entidades filiadas a CNM/CUT foi fundamental para a discussão do cenário donpós pandemia, e que está sendo construído um seminário do macrossetor da Industria da CUT , para o mês de Agosto, com um formato que seja possível apresentar as propostas não só para os metalúrgicos e metalúrgicas, mas para todo o conjunto de trabalhadores da indústria, e também discutidas no legislativo, com o empresariado e a academia.