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Metalúrgicos exigem conversar com matriz da Ford para garantir empregos

Os representantes dos trabalhadores atingidos por decisão de fechar a planta do ABC, não puderam participar de reunião entre presidente da empresa, governador de SP e prefeito de São Bernardo

Publicado: 21 Fevereiro, 2019 - 12h03 | Última modificação: 21 Fevereiro, 2019 - 12h20

Escrito por: Érica Aragão

Adonis Guerra
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Na manhã desta quinta-feira (21), em conversa com os trabalhadores e as trabalhadoras, em frente a portaria da Ford, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Wagner Santana, o Wagnão, disse que vai formalizar o pedido de reunião com os representantes da matriz da Ford, em Detroit, nos Estados Unidos.

Segundo Wagnão, se a decisão foi da matriz é lá que deve ser discutido o futuro da empresa e dos empregos. “Nós vamos encaminhar, ainda no dia de hoje, um pedido oficial de que nós queremos uma representação na matriz para discutir o futuro desta empresa e dos trabalhadores e das trabalhadoras”, afirmou.

Nós não desistimos de que essa empresa deve continuar em São Bernardo, ela é produtiva, tem condições de se manter e de manter a sua história no setor automobilístico brasileiro
- Wagner Santana (Wagnão)

Os metalúrgicos da Ford estão parados desde a última terça-feira (19), quando foram surpreendidos com o anúncio da montadora de que iria fechar a fábrica em novembro, e desde então, vão até a porta da empresa todos os dias ouvir informações e orientações de Wagnão e dos seus representantes da comissão de fábrica.

Na próxima terça-feira (26), eles vão realizar uma assembleia para definir o rumo da luta pelos empregos.

Adonis GuerraAdonis Guerra

Trabalhadores excluídos da reunião com governador e prefeito

Na manhã desta quinta, Wagnão publicou um vídeo em sua página no Facebook dizendo que ficou sabendo pela imprensa que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB) e o presidente da Ford para América do Sul, Lyle Watters, iam se reunir para discutir o encerramento das atividades da planta da montadora no  ABC.

Segundo Wagnão, o grupo não quis que o sindicato, que representa os mais atingidos com a decisão da empresa, participasse da negociação.

“Recebemos uma resposta do gabinete do governador negando nossa participação na reunião. Os mais afetados pela decisão não puderam participar desta conversa, que aconteceu por volta das 10h da manhã, infelizmente”, afirmou Wagnão.

Nota da CUT SP

Arte: Edson Rimonatto (Rima)Arte: Edson Rimonatto (Rima)A CUT-SP divulgou nesta quinta, uma nota repudiando a decisão da Ford de fechar a fábrica em São Bernardo do Campo. Na nota, a CUT-SP se solidariza com os trabalhadores e trabalhadores.

“Não é possível que uma decisão que cause tamanho impacto seja adotada sem que exista previamente um diálogo com os trabalhadores”, diz trecho da nota.

Confira a íntegra da nota:

A CUT-SP repudia a decisão da Ford de fechar a fábrica em São Bernardo do Campo e presta solidariedade aos companheiros metalúrgicos do ABC, que imediatamente responderam com a greve, como se espera de qualquer sindicato de luta.

A decisão unilateral da empresa vai contra qualquer conceito de responsabilidade social e demonstra que não há qualquer preocupação da companhia com a vida dos trabalhadores que produzem o lucro recolhido pelos donos da montadora.

Não é possível que uma decisão que cause tamanho impacto seja adotada sem que exista previamente um diálogo com os trabalhadores. São aproximadamente 24 mil homens e mulheres que, diretamente ou indiretamente, terão suas vidas atingidas do dia para a noite.

A CUT-SP se coloca ao lado dos companheiros metalúrgicos do ABC para que sejam cumpridas pela empresa normas previstas no acordo coletivo de 2017, como a negociação para a retomada dos investimentos pela Ford São Bernardo.

Esperamos ainda que a empresa reveja sua decisão e que os governos estaduais, municipais e federal cumpram com suas obrigações, atuando para negociar com a companhia e impedir a demissão imediata de 3.200 trabalhadores. Uma atitude que impacta toda uma cadeia ligada à região, ação de quem não se preocupa com a responsabilidade social, mas apenas no lucro imediato.

Direção da CUT São Paulo

São Paulo, 21 de fevereiro de 2019