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Metalúrgicos de Taubaté repudiam violência policial em assembleia na LG

Guarda Civil usou bombas de efeito moral, gás de pimenta e até balas de borracha. Tudo isso para impedir trabalhadores de decidir como resolver impasse sobre o valor do pagamento da PLR

Publicado: 30 Maio, 2019 - 13h30 | Última modificação: 30 Maio, 2019 - 21h38

Escrito por: Redação CUT

Divulgação/Sindmetau
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O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindmetau) divulgou nota nesta quinta-feira (30), denunciando e repudiando a violência da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar, que atacaram os sindicalistas, os trabalhadores e as trabalhadoras no momento em que eles estavam realizando uma assembleia para discutir estratégias de luta para resolver o impasse sobre o valor do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Divulgação/SindmetauDivulgação/Sindmetau

Com apoio de diversos sindicatos de metalúrgicos e de outras categorias, os dirigentes do Sindmetau iniciaram a mobilização por volta das 5h na fábrica. Eles já haviam feito um acordo com Polícia Militar para realização da assembleia, mas quando os ônibus com os trabalhadores e trabalhadoras chegaram, o acordo foi desrespeitado e tanto a PM quanto a Guarda Civil iniciaram o ataque.

“Temos que repudiar a presença da Guarda Civil Municipal, que não deveria estar aqui, e criou um tumulto, agredindo diretor do sindicato e desorganizando todo o processo que nós fizemos. Nós temos tradição de negociar, dialogar, conversar e a GCM veio aqui tumultuar todo esse processo”, afirma o presidente do Sindmetau, Claudio Batista, o Claudião.

Nos últimos 30 dias, a LG tem colocado um forte aparato policial e de seguranças privados para impedir o sindicato de realizar assembleias com os trabalhadores, um direito garantido pela legislação. “É lamentável, é uma marca negativa para LG”, aponta Claudião.

Apesar das bombas de efeito moral, tiros com balas de borracha, spray de pimenta e muita agressividade, a categoria não arredou pé da luta por direitos e vai entrar com ação de dissídio no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas.

Divulgação/SindmetauDivulgação/Sindmetau

De acordo com o Secretário-Geral do Sindmetau, Aldrey Allan Cândido, apesar do aparato policial, que incluiu também a Polícia Militar, da contratação de seguranças que acompanham os ônibus até o pátio, a categoria vai continuar lutando e em estado de greve, aprovado no último dia 14.

IMPASSE NA NEGOCIAÇÃO DA PLR

A negociação pela PLR se arrasta desde janeiro na LG.

“A empresa decidiu discutir a PLR com uma comissão interna sem a participação do sindicato. Depois, quis que o sindicato assinasse o acordo. Não assinamos e eles voltaram a negociar”, explica Aldrey, que complementa: como não chegamos a um acordo, eles resolveram pagar um valor que decidiram e deram um aparelho celular para os trabalhadores.

 A última proposta da empresa foi de R$ 5.000. Os cálculos do sindicato, com base na produtividade dos trabalhadores, feita com apoio de economistas do DIEESE, apontam para um valor de R$ 7.124.

Claudião afirma que a LG conduziu o caso de maneira equivocada, com desrespeito à legislação trabalhista, práticas antissindicais e assédio aos trabalhadores.

Entre as práticas ilegais da LG ele cita a comissão de PLR, que chegou a realizar uma assembleia para aprovação da proposta. Segundo a legislação, diz, o procedimento é uma prerrogativa do sindicato.

O assessor jurídico do Sindmetau, Isaac do Carmo, explica que o sindicato prioriza a negociação coletiva. Mas que, diante da intransigência da empresa, a entidade tomou medidas protetivas.

O Sindmetau denunciou o caso ao Ministério Público do Trabalho. Também acionou a Justiça do Trabalho para impedir a LG de realizar assembleias internas com a comissão de PLR, pressionando e assediando os trabalhadores.

A Vara do Trabalho de Taubaté concedeu uma liminar impedindo a LG de fazer esse tipo de manobra, mas a decisão foi desrespeitada pela empresa. O Sindicato também já tinha acionado anterior o TRT para levar o caso a uma mesa pré-processual. A audiência foi realizada no dia 30 de abril, em Campinas.

“Onde ficou muito claro e evidente para o Tribunal que esse processo de negociação de PLR está cheio de vícios. Infelizmente aqui na LG o processo neste ano foi totalmente contaminado por uma estratégia equivocada, abusiva e antissindical da empresa”, afirma Isaac.

Com apoio da Assessoria de Imprensa do Sindmetau