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MEC despreza consulta a estudantes e marca Enem para janeiro

Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), enquete realizada pelo próprio ministério apontou que a maioria dos participantes preferia provas em maio

Publicado: 09 Julho, 2020 - 09h40 | Última modificação: 09 Julho, 2020 - 09h47

Escrito por: Redação RBA

Arquivo/EBC
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O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciaram hoje (8) o calendário de provas referentes a 2020. Os exames serão aplicados entre os meses de janeiro e fevereiro do próximo ano. O anúncio foi feito pelo secretário-executivo do MEC, Antonio Paulo Vogel, e o presidente do Inep, Alexandre Lopes, durante entrevista coletiva, em Brasília.

De acordo com Vogel e com Lopes, os 5,7 milhões de estudantes inscritos para as provas impressas farão o teste em 17 e 24 de janeiro. Já os 96 mil inscritos na modalidade digital, em 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Os resultados serão divulgados a partir de 29 de março.

Conforme Vogel, a decisão pode não ser “perfeita e maravilhosa para todos”, mas a decisão foi “técnica” e mais adequada para todos, já que foi necessário articular o calendário com estados e universidades”, disse, referindo a uma enquete que apontou que a maioria dos participantes votou no mês de maio. Mas o governo acredita que o calendário não prejudicará os aprovados quanto ao ingresso nas universidades ainda no primeiro semestre.

O secretário-executivo argumentou que, caso as provas ficassem para maio, os estudantes perderiam o primeiro semestre, já que entrariam somente no segundo semestre na universidade. Segundo o Inep, as questões já estavam prontas mesmo antes de o novo coronavírus chegar ao país.

Desprezo

Se dependesse do ministério, as provas seriam feitas em novembro. Mas houve forte pressão de estudantes e professores, argumentando que a maioria dos alunos seriam penalizados. A maioria não tem acesso a internet e nem lugar adequado para estudar em casa. Com isso, aumentaria a desigualdade no acesso às universidades. Diante da intransigência do governo, houve questionamento judicial e o caso foi parar no Congresso, que votou pelo adiamento.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) criticou o calendário adotado. “A divulgação das novas datas para o ENEM 2020 escolhidas pelo MEC (17 e 24 de Janeiro) só demonstram como eles tratam a opinião dos estudantes: com desprezo! Não escutaram as entidades estudantis em nenhum momento e ignoraram o resultado da consulta que eles mesmos fizeram!”, afirmou o presidente da entidade, Iago Montalvão, por meio do Twitter.

“É claro que a opinião de reitores e secretários de Educação é importante. Mas o MEC decidiu não ouvir os principais envolvidos na decisão das novas datas do ENEM: os estudantes. É assim que esse governo fala em democracia.”