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Lula: militares têm de tomar juízo e não dar trela a presidente genocida

Em penúltimo dia de viagem ao Nordeste, Lula diz que Bolsonaro se rendeu à velha política. “Só que ele está dando e o povo continua não recebendo”

Publicado: 26 Agosto, 2021 - 09h10 | Última modificação: 26 Agosto, 2021 - 10h03

Escrito por: Cida de Oliveira, da RBA

Ricardo Stuckert
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 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao governo, em discurso na noite desta quarta-feira (25) em Salvador, última parada em sua viagem ao Nordeste. Lula mandou, inclusive, recados aos militares supostamente apoiadores de Jair Bolsonaro, em ato no auditório na Assembleia Legislativa da Bahia. Diante de integrantes de movimentos sociais, religiosos, lideranças partidárias e parlamentares do estado, como os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), além do governador Rui Costa (PT), Lula disse haver “muita bobagem sendo pensada do lado do governo”.

“Nós não podemos aceitar golpe. Estou preocupado com tanto general de pijama dando palpite. Forças armadas têm papel de garantir nossas fronteiras, mas não de ameaçar politicamente a sociedade brasileira. Eles têm de tomar juízo. Assim, não podem ficar dando trela a um presidente genocida, que foi expulso das Forças Armadas, tentou fazer greve, soltar bomba nos quartéis”, afirmou o petista. “Como somos da paz, queremos distribuir alegria, salário, emprego, educação, saúde, politica ambiental correta. Não podemos cair no jogo rasteiro deles, Mas é importante eles saberem que a gente não tem medo. E que eles parem de privatizar as nossas coisas porque a gente vai ganhar essas eleições.”

Mais cedo, em Natal, o ex-presidente se encontrou com lideranças e também foi duro nas críticas ao governo Bolsonaro. Em entrevista coletiva, Lula destacou que a situação é agravada ainda mais por um crise política, em que Bolsonaro é refém justamente da velha política que jurou combater.

“O presidente dizia que era o novo e que ia acabar com a velha política. Pois ele caiu na ratoeira da velha política e está mais dependente do que qualquer presidente jamais esteve, com a criação, inclusive, de mecanismo de compra de voto de deputado que nunca teve neste país”, disse Lula.

O ex-presidente lembrou que Bolsonaro aprovou um orçamento secreto para poder comprar o voto dos deputados. “Nós sabemos que o presidente da Câmara tem um orçamento pessoal de R$ 3 bilhões, que tem um orçamento do relator de R$ 20 bilhões. Ele está mais enroscado na velha política do que no tempo em que as pessoas diziam que o Brasil era ‘o país do é dando que se recebe’. E ele está dando e o povo continua não recebendo”, disse.

Gestão criminosa

Para o ex-presidente, embora seja difícil, a reconstrução do Brasil será possível e deve ser feita coletivamente. “Todos nós precisamos de um pouco de respeito e carinho. Todos nós precisamos ter um governo civilizado, humanista, democrático e que pense com o coração, que não governe pensando apenas no capital, mas também no povo trabalhador. Esse país nós já construímos uma vez”, lembrou.

A gestão da pandemia por Bolsonaro e seus colaboradores foi classificada como criminosas pelo ex-presidente. “Ao contrário do que fizeram os governadores, o governo federal continua fazendo bravata com a pandemia. O presidente continua não usando máscara, incentivando aglomeração, desacreditando a ciência e tripudiando das pessoas”, disse.

Lula voltou a atacar o desemprego, que atinge 15 milhões de pessoas, sem contar os informais e desalentados, e observou que a fome voltou a afetar 19 milhões de pessoas depois de ter sido superada no país. Citou ainda o descaso sem precedentes com a educação, ciência e tecnologia e a cultura com parte de um movimento calculado de desmonte do estado, o que inclui a fragilização da Petrobras. “Não podemos pensar na Petrobras só como uma empresa de petróleo e gás. A Petrobras tem capacidade de investir, gera desenvolvimento. E eles querem vender tudo que produz estabilidade para o país. O que estão fazendo é um crime”, disse.

A viagem de Lula pelo Nordeste, termina nesta quinta-feira (26), na Bahia.