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Lula Livre e a esperança marcaram 1 de maio histórico no ABC

“A luta não se encerra neste primeiro de maio e sim só quando a justiça de fato for feita e Lula estiver livre aqui conosco”, disse presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana.

Publicado: 01 Maio, 2018 - 15h01 | Última modificação: 01 Maio, 2018 - 15h51

Escrito por: Érica Aragão

Adonis Guerra
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Um forte e caloroso grito de “Lula Livre” encerrou a tradicional missa do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que celebra São José Operário, padroeiro da classe trabalhadora, na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Na porta da igreja, um ato inter-religioso encerrou as atividades em defesa do Lula organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC).

Com a prisão política do ex-presidente Lula, que vai completar um mês no próximo dia 7, a participação de milhares de trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias e de diversos movimentos sociais e populares demonstra a esperança da classe trabalhadora no resgate dos direitos, da igualdade e justiça para Lula e para todos e todas.

 

Em frente à Igreja Matriz, espaço e símbolo de resistência e luta dos trabalhadores e trabalhadoras, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, destacou que o 1º de Maio não é de festa e, sim, de resistência e indignação, contra a retirada de direitos e contra a injustiça com a prisão política de um trabalhador.

 “Se permitirmos que um trabalhador que lutou por justiça e igualdade, que tirou milhões da miséria, deu educação e trabalho e abdicou da sua vida pessoal em prol de milhões de brasileiros e brasileiras fique preso injustamente, estaremos permitindo que isso aconteça com qualquer um de nós”, destacou  Wagnão.

 

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 “A luta não se encerra neste Primeiro de Maio e sim quando a justiça de fato for feita e Lula estiver livre aqui conosco, no caminhão”.

Emocionado, o dirigente puxou o grito de guerra “trabalhador unido, jamais será vencido” e atiçou o público com a famosa música “pisa ligeiro, pisa ligeiro quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”, se referindo a força e unidade da classe trabalhadora, que triplica pelo País, em defesa da liberdade do ex-presidente Lula.

As lutas e resistências da década de 80, que marcaram a região, foram lembradas durante as falas no ato de encerramento em frente à igreja. Para o vice-presidente do Sindicato, Aroaldo da Silva, a celebração da missa do Trabalhador está cheia de significados.

Para ele, não há diferença na luta no final da década de 1980 com a de hoje.

“Tanto 1980 como agora tem o mesmo simbolismo, A resistência dos trabalhadores em defesa dos direitos, contra a perseguição aos movimentos sociais, populares e sindical. São lutas que também marcam os atuais momentos da história do Brasil”, contou o jovem metalúrgico com água nos olhos.

Durante o ato, foi pedido um minuto de silêncio em respeito as vítimas do incêndio de um prédio ocorrido no centro de São Paulo na madrugada desta terça-feira (1º).

Saiba Mais

 

 

O ex-ministro do Trabalho e da Previdência, ex-presidente da CUT, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e atual presidente do Partido dos Trabalhadores de São Paulo, Luiz Marinho, disse que participar da missa renova a esperança pela liberdade de Lula e por mais direitos com Lula presidente.

 “O evangelho mostra que o preconceito contra a classe trabalhadora vem antes de Cristo. Jesus foi vítima do ódio da elite por ser filho de carpinteiro. Os ricos desse país nunca aceitaram a ascensão da classe trabalhadora e muito menos que o País fosse governado para o povo e pelo povo como foi com Lula e Dilma”, contou Marinho, que frisou: “Lula precisa ficar livre para governar outra vez para o povo, como mostram as pesquisas”.

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A missa

A igreja Matriz foi tomada pela classe trabalhadora. Parlamentares e lideranças políticas, sindicais e de bairros participaram da Missa do Trabalhador.

A cerimônia começou com o som dos sinos da igreja, enquanto a procissão de trabalhadores, trabalhadoras, movimentos populares e sociais, que saiu do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em marcha para a missa, entrou na igreja com a imagem do São José Operário.

O bispo Dom Pedro contou que é filho de operários e que já foi bancário e professor e entende as dificuldades da classe trabalhadora. “Não sou alheio ao que se passa no mundo do trabalho. Jesus era um operário e aprendeu a profissão do pai e lutou por um mundo melhor. O trabalhador une-se a Deus para construir um lugar com justiça dignidade e direitos, prolongando a ação de Deus”, afirmou o Bispo que mandou um recado para os mais de 13 milhões de desempregados.

“A palavra de Deus diz que não podemos perder a esperança. Jesus venceu o mal sem violência e sem ódio. O amor é capaz de dar a vida, Deus não tem compromisso com a violência. E que o Brasil com essas riquezas imensas e mal distribuídas deste alcance a justiça e o bem comum que almejamos”, disse o Bispo.

O Bispo também destacou que a igreja está junto na luta dos trabalhadores para acabar com o trabalho infantil, com o assédio moral, todos os tipos de violência e em defesa que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.

Uma carta da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi lida para os fiéis e o Bispo Dom Pedro disse que a igreja sempre foi solidária ao sofrimento do povo e na luta por direitos e justiça do mundo do trabalho.

Procissão dos trabalhadores rumo a Igreja Matriz

A partir das 7 da manhã, trabalhadores, trabalhadoras e movimentos sociais e populares já estavam na porta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para a procissão rumo a Igreja Matriz para a missa do Trabalhador.

Carregando a imagem de São José Operário, os trabalhadores e as trabalhadoras se emocionaram na procissão, com hinos católicos de São José e do Pai Nosso dos Mártires.

O Lula Livre fez eco na principal rua de São Bernardo do Campo, que liga o Sindicato a Igreja. Foram 3 quilômetros de caminhada que tinham faixas de cores brancas, vermelhas e pretas com o Lula Livre em destaque.

Um café solidário esperava os trabalhadores, trabalhadoras e movimentos sociais na praça da Matriz, em São Bernardo do Campo. Logo depois, mais de mil pessoas entram na igreja da Matriz para participar da missa de São José Operário.

 

Por que São José Operário?

 

São José Operário porque ele foi pai de Jesus, tinha sua oficina. Como era trabalhador, São José foi considerado sempre o patrono dos trabalhadores.

Dom Pedro Casal Daliga diz uma frase importante "No seio de Maria Jesus se fez humano, se fez homem, mas na oficina de José ele se fez operário". Então daí está toda tradição de celebrar São José como padroeiro de todos os trabalhadores e trabalhadoras.