Lula encerra Conferência das Cidades e defende políticas urbanas e pacto federativo
Com quase 3 mil participantes, Conferência das Cidades chega ao fim com o presidente defendendo moradia popular, investimentos nas periferias e pacto firme contra o feminicídio
Publicado: 27 Fevereiro, 2026 - 17h18 | Última modificação: 27 Fevereiro, 2026 - 17h33
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Luiz R Cabral
Após intensos debates, a 6ª Conferência Nacional das Cidades chegou ao fim na tarde desta sexta-feira (27), em Brasília, retomando, assim, uma conversa que estava interrompida havia mais de uma década. Quase 3 mil pessoas participaram do encontro: delegados eleitos nas etapas municipais e estaduais, representantes de movimentos sociais, gestores públicos, parlamentares, entidades empresariais e centrais sindicais, entre elas a CUT.
No encerramento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a reconstrução das políticas urbanas com base na cooperação entre União, estados e municípios e reforçou que as cidades precisam ocupar o centro da estratégia de desenvolvimento do país.
Em sua fala, o presidente afirmou que moradia, mobilidade, saneamento e planejamento urbano não podem avançar isoladamente. Para ele, é preciso coordenação federativa e participação social permanente. Lula prometeu fortalecer os mecanismos de financiamento e retomar investimentos estruturantes nas periferias, com foco na redução das desigualdades que marcam as grandes e médias cidades brasileiras.
Ele também destacou a importância dos conselhos e das conferências como espaços reais de decisão da sociedade. Ao final da sua fala, o presidente assumiu publicamente o compromisso de liderar um pacto nacional contra o feminicídio. “Quem bate em mulher não é homem, é covarde”, afirmou, sob aplausos. Solicitou ainda que líderes religiosos e sindicais levem a mensagem às igrejas, aos cultos e às portas de fábrica, defendendo uma mudança do comportamento masculino diante da violência doméstica.
“Nós homens, precisamos repensar nosso comportamento; se a mulher não quer mais o relacionamento, o homem deve ir embora, não transformá-la em saco de pancada”, disse o presidente.
A conferência aprovou um conjunto de diretrizes que vão orientar a atualização da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. O texto consolida propostas sobre função social da cidade, regularização fundiária, ampliação do acesso à moradia digna e ao transporte público de qualidade, além de medidas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas no espaço urbano.
Nos debates, delegados insistiram que o crescimento das cidades precisa estar vinculado à geração de emprego formal, à valorização do trabalho e à inclusão social. Planejamento de longo prazo, metas claras e mecanismos de monitoramento foram apontados como condições para que as resoluções não fiquem apenas no papel.
As propostas aprovadas passam a servir de base para a nova etapa da política urbana federal. O desafio agora será transformar as diretrizes em programas concretos, com orçamento definido e acompanhamento contínuo.