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Lula: Bolsonaro não sabe governar, só saber criar encrenca

Ex-presidente conversou com a reportagem de uma rádio do interior de SP na manhã desta quarta-feira e fez duras críticas à forma com que Bolsonaro lida com a economia e o enfrentamento à pandemia da Covid-19

Publicado: 10 Junho, 2020 - 13h19 | Última modificação: 11 Junho, 2020 - 19h19

Escrito por: Andre Accarini

reprodução
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Em entrevista à rádio Morada de Araraquara (interior de SP), na manhã desta quarta-feira (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) pela condução da política econômica e pela forma que o presidente diz enfrentar a pandemia do novo coronavírus no Brasil.

“Nós temos um governo que não cuida da economia, não enfrenta a pandemia, não cuida de empregos e salários e que nem distribui direito os R$ 600,00 ‘pro’ trabalhador. E ainda fala que vai diminuir para R$ 300,00”, disse Lula, se referindo também ao auxílio emergencial aprovado pelo Congresso para ajudar trabalhadores informais e desempregados que ficaram sem renda durante a pandemia.

Para o ex-presidente, não existe possiblidade de crescimento se o empobrecimento das pessoas aumenta. A condução da política econômica também foi alvo de críticas contundentes de Lula. Ele diz que o Brasil tem um ministro da Economia – Paulo Guedes – que quer “vender tudo para pagar juros da dívida pública e dar dinheiro para o sistema financeiro”, se referindo à sanha privatista que coloca em risco o patrimônio nacional, como Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras e outras empresas estatais estratégicas para o desenvolvimento do país.

Lula disse ainda que o Brasil, a exemplo de países desenvolvidos deveria "já ter rodado dinheiro na Casa da Moeda”, alargar as bases monetárias e investir em infraestrutura. “Se o Estado não investir em infraestrutura, a iniciativa privada jamais fará isso”, disse.

O ex-presidente observou que o Brasil tem que produzir 'para o consumo' e, assim, fazer girar a economia. “Ninguém vai produzir para ter estoque. Vai produzir para vender e as pessoas comprarem. Os mais pobres quando recebem dinheiro, vão ao mercado comprar e isso gera emprego. O rico não. Recebe uma quantia e já coloca no banco para viver de dividendos”

Para Lula Bolsonaro, Guedes e o governo brasileiro, em geral, não têm credibilidade e previsibilidade que, de acordo com ele, é um fator que contribuiu para que o Brasil ‘não vá para frente’.

A gente não ouve esse governo falar em investimento, em desenvolvimento. Só ouve falar em armas e legalizar armas. O mundo não precisa de armas. Precisa de livros, carteira profissional assinada e menos blaá-blá-blá
- Lula


Questionado sobre seu governo, Lula disse ter orgulho de por ter sido o presidente que mais investiu no Brasil e que teve o maior índice de aprovação. Ele saiu com 87% de avaliação positiva de seu segundo mandato.

Relembrando os motivos de sua aprovação, Lula disse: “na crise de 2008, enquanto o mundo deixava 100 milhões de pessoas desempregadas, nós criamos 20 milhões de empregos, porque tínhamos credibilidade e previsibilidade”, disse o ex-presidente, afirmando, inclusive, que se reunia com empresários para traçar estratégias de desenvolvimento, o que garantia ao país a confiança necessária para investimentos e desenvolvimento.

Já Bolsonaro, diz Lula, “não sabe governar porque o negócio dele é só criar encrenca e falar mal dos outros, da China, da Argentina. Sabe criar confusão com quem é parceiro do Brasil, ao mesmo tempo que lambe botas do Trump [presidente dos Estados Unidos], que não ‘tá nem aí’, para o Brasil”.

 

Pandemia

Ao avaliar que o enfrentamento à pandemia no Brasil poderia ter sido feito de forma responsável pelo atual governo , Lula disse “se Bolsonaro não tivesse sido ignorante e tivesse dado ao ministro da Saúde o direito de organizar os secretários de Saúde dos estados e municípios, para todos trabalharem em harmonia, certamente estaríamos resolvendo o problema da pandemia, muito melhor do que o jeito que está sendo resolvido hoje”.

A gente um presidente da república que não acredita na doença, mesmo tendo mais de 38 mil mortes e um ministro da Saúde achando que faz frio no Nordeste, numa clara demonstração de que não conhecem absolutamente nada do país
- Lula


Política

Lula também respondeu questões sobre a política brasileira, a oposição ao governo de Bolsonaro e o papel dos poderes no Estado. Ele lamentou que o Supremo Tribunal Federal (STF) esteja sendo ‘politizado’ neste momento.

“É grave a politização do STF assim como é grave a judicialização da política. É preciso que cada instância resolva seus problemas, dentro de sua competência, tanto o judiciário como o legislativo e o executivo. E à Suprema Corte, cabe garantir a Constituição”, disse o ex-presidente.

“Quando começam a se meter no poder do outro, dá confusão”, completa Lula.

Do outro lado, Lula também vê a necessidade de uma maior politização do povo brasileiro para eleja políticos que realmente represente seus interesses no Congresso. “Precisamos, no dia da eleição, saber que estamos votando no nosso destino para os próximos quatro anos”, afirmou.

Questionado sobre a atuação do PT, Lula disse que nasceu, cresceu e vai morrer no PT, “um partido democrático que surgiu para fazer as pessoas ascenderem de classe social, para proteger e defender os trabalhadores”. Lula se refere ao partido como o “maior partido da América Latina, que concorreu em todas as eleições, ganhou quatro eleições, elegendo dois presidentes da República [Lual e Dilma]”.

O PT, diz Lula, por representar a classe trabalhadora, é o partido mais perseguido e bombardeado de todos os tempos.

Impeachment

Sobre a possiblidade de alianças com políticos como Ciro Gomes e Marina Silva, Lula disse que tem, posição clara sobre a atuação do PT de que uma aliança só pode ser em torno de uma campanha para o impeachment de Bolsonaro.

Lula ainda comentou que Ciro, nas eleições de 2018, quando poderia ter ajudado Fernando Haddad, candidato do PT a se eleger no segundo turno contra Bolsonaro, foi para à França e recusou dar apoio.