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Live de aniversário da CUT reafirma compromisso com a defesa dos trabalhadores

Na celebração aos 38 anos da CUT, personalidades expressaram a importância da Central como instrumento de luta da classe trabalhadora e reforçaram seu papel na luta pela retomada da democracia no Brasil

Publicado: 30 Agosto, 2021 - 15h52

Escrito por: Andre Accarini

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Contar todas as conquistas e avanços nos direitos da classe trabalhadora ao longo de 38 anos de luta daria um roteiro para uma série de vários capítulos. A trajetória da CUT é assim, uma rica fonte de inúmeras conquistas e histórias que, entrelaçadas, simbolizam a marca do movimento sindical nas mais emblemáticas fases do país. Por isso, resumir toda essa história em pouco mais de uma hora de programa é uma tarefa quase impossível.

A live de aniversário de 38 anos da CUT, que foi ao ar no último sábado, 28 de agosto (data de aniversário da Central, fundada em 1983), pelas redes sociais, apresentada pela cantora brasiliense Ellén Oléria, trouxe uma ambientação do que foi, do que é e de como deverá ser a luta dos trabalhadores para garantir um lugar de respeito e dignidade tanto no mundo do trabalho como na sociedade.

Lutar pela sobrevivência do país, diante do atual momento de crise social, política, econômica e sanitária que, junto com ataques aos direitos e à democracia, colocou a classe trabalhadora em um dos piores momentos de todos os tempos é o maior desafio tanto para a CUT quanto para os movimentos sociais.

Por isso, o espírito da live foi o de que é inegável a importância da CUT na luta da classe trabalhadora no Brasil. Reforçou, através dos vários depoimentos daqueles que participaram do processo de construção dessa história, que a CUT é, desde sua fundação, instrumento fundamental de luta e parte marcante da história recente do Brasil.

E será fundamental daqui para frente.

Palavra do presidente da CUT

Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, traçou o panorama do país – de ataques sistemáticos aos trabalhadores – agradeceu aos milhões de trabalhadores anônimos que fazem parte da história da Central.

E, ponto mais forte de seu depoimento, convocou a classe trabalhadora a ocupar as ruas no dia 7 de setembro.

“Não há tarefa mais importante do que derrotar Bolsonaro, por isso, convoco todos a lutar para tirar esse genocida que transformou a maioria dos brasileiros em excluídos do próprio país e do mundo”, disse Sérgio Nobre

Leia mais: No 7 de setembro, a classe trabalhadora tem que ocupar as ruas contra Bolsonaro

Veja a live no Youtube:

 

 

Os presidentes

Em 1983, a CUT surgiu a partir da necessidade de organização dos trabalhadores envolvendo os mais diversos setores – trabalhadores do campo e da cidade, do setor público e privado, em um tempo – para lutar por direitos e contra a ditadura militar.

O primeiro presidente da Central, o metalúrgico e ex-deputado federal, Jair Meneguelli, lembrou a realização da Conclat, em 1981, que deu origem à CUT e falou sobre a trajetória da Central.

“Participamos de todos os momentos importantes do país como a luta pela redemocratização, a Constituinte e o impeachment de Collor. Os trabalhadores confiam em vocês, a luta continua”, disse se dirigindo aos novos sindicalistas.

O deputado federal (PT-SP) Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, também metalúrgico, que sucedeu Menegueli, também citou o protagonismo da CUT na história.

“É referência em todos os momentos e, em especial, nesse momento tão difícil”, disse o parlamentar citando o esforço feito contra os ataques do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) aos trabalhadores e trabalhadoras.

Luiz Marinho, outro metalúrgicos que presidiu a Central e também foi ministro do Trabalho e Emprego e Previdência Social no governo Lula, disse que é preciso concentrar esforços para o ano que vem. “Neste momento, temos que reforçar nossas energias e a luz da esperança para o ano que vem”, se referindo às eleições de 2022 que se constituem como uma oportunidade de se eleger um governo democrático e popular. “Precisamos reconstruir os direitos atacados pelo governo genocida [de Bolsonaro] e pelo Congresso, que tem dilapidado”, concluiu Marinho.

Arthur Henrique, que assumiu a presidência da CUT em 2006, ressaltou que a Central é um poderoso instrumento de organização dos trabalhadores e também reforçou o desafio  frente ao atual cenário brasileiro. 

“É importante que, neste momento de pós-golpe e ataques diários sofridos pelos trabalhadores, à democracia, as privatizações, o desmonte dos bancos públicos, [os ataques] na educação e saúde, com tudo que está acontecendo, continuemos resistindo, batalhando pelos interesses dos trabalhadores”, disse o ex-presidente da CUT.

Vagner Freitas, que presidiu a CUT de 2012 a 2019, lembrou que “nada do que conteceu no Brasil, não passou pela lupa da CUT”. Ele cita o combate à carestia nos anos 1980 e 1990, a luta incessante por direitos e democracia, a eleição de Lula, o primeiro operário da história do Brasil eleito para presidente e que se tornou o maior de todos os tempos e agradeceu àqueles que formam o que é a CUT.

“Principalmente aos sindicatos organizados em todos os setores. Os maiores e mais importantes sindicatos são filiados e constroem a CUT. É a maior estrutura de trabalhadores do Brasil”, disse Vagner, que hoje é vice-presidente da CUT.

Mulheres

A crise econômica que vem se acentuando desde o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, agravou ainda mais a situação das mulheres, as mais impactadas pela crise, com o desemprego, o desmonte de políticas públicas e com a violência.

As mulheres da CUT estiveram presentes na fundação, em 1983, e de lá para cá ampliaram sua participação nos espaços de poder tanto na Central como nos demais espaços da política.

“Hoje somos 50%. A Central é cada vez mais feminista” disse Carmen Foro, Secretária Geral da CUT.

Ela ainda apontou a diversidade como elemento fundamental de construção da Central. “A CUT é necessária para um projeto democrático. Seguiremos firmes até que a classe trabalhadora recomponha seus direitos, que as mulheres sejam tiradas da violência, tenham igualdade, que os jovens tenham cada vez mais entendimento de que é preciso ter um instrumento como a Central e que negros e negras se vejam dentro desse instrumento”, disse Carmen.

Líderes de partidos políticos enviaram felicitações à CUT. A mensagem de Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, foi de que “agora, mais do que nunca, o povo brasileiro precisa da CUT. 

Luciana Santos, do PCdoB, ofereceu o apoio do partido. “Contem sempre conosco nessa luta, que é de todos nós e há de vir com a derrota de Bolsonaro em 2022”, disse.

Internacional

A CUT é parte importante da luta dos trabalhadores não só no Brasil, como na América Latina, em nível de organização regional e também no mundo. Partindo do princípio de que a exploração do capitalismo é comum a todos os países, as pautas se tornam comuns. A união de todos os trabalhadores representa um poder maior de combate à essa exploração.

Duas importantes entidades internacionais, a Confederação Sindical das Américas (CSA) e Confederação Sindical Internacional (CSI) têm a participação da CUT.
Rafael Freire, presidente da CSA, já foi dirigente cutista e hoje representa a Central na entidade. “Não teve fato político em que a CUT não estivesse presente e em vários, ela foi determinante’, disse.

Para ele, o desafio é ter uma central mais forte e que se adapte à nova realidade da classe trabalhadora, constituída, em grande parte, de trabalhadores informais, para representá-los na luta por seus direitos.

Victor Baez, Secretário-Geral dada CSI, ressaltou o prestígio internacional da CUT. “Hoje é uma das maiores do mundo, que continua lutando pela democracia no Brasil. O neoliberalismo nos fez regredir ao pós-Segunda Guerra Mundial, com a ameaça do fascismo e a CUT tem papel a ‘jogar’ nessa situação”, disse o dirigente se referindo à atuação que a CUT deverá ter em defesa da democracia.

À luta nas ruas e nas redes

As estratégias de luta para a defesa da democracia fizeram parte da live dos 28 anos. Para fortalecer a Rede Nacional de Comunicação da CUT e combater as fake News, arma principal do Bolsonarismo e que permitiu que ele chegasse ao poder, é fundamental a CUT estar preparada para a batalha nas redes sociais em defesa da classe trabalhadora e de um país mais justo e para todos.

Nesse contexto, o “Mutirão da Comunicação – Brigadas Digitais da CUT”, estará no campo de batalha. O projeto foi apresentado pela secretária de Formação, Rosane Bertotti, e pelo secretário de Comunicação, Roni Barbosa.

“Só com uma rede de comunicação forte e grande será possível enfrentar e ser protagonista da mudança neste período difícil que o país vive, com o desemprego em massa, perda de direitos, a disparada dos preços, o retorno da fome, a destruição do meio ambiente, a falta de cuidado com a vida e o pior: a desesperança do povo”, disse Roni.

Leia mais: CUT lança mutirão de comunicação digital para fortalecer luta nas redes sociais

Parceiros

Nenhuma luta se luta só. A CUT, ao longo dos anos deu e contou com o apoio de entidades que defendem direitos de segmentos, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras sem Terra (MST) e Movimentos dos Trabalhadores e Trabalhadoras sem Teto (MTST).

Bruna Belaez, presidenta da UNE, reforçou. “Contem com os estudantes para lutamos por dignidade [...] querem acabar com o nosso futuro, mas somos esperança”, disse.

Para Gilmar Mauro, líder do MST, a CUT é um ‘patrimônio da classe trabalhadora brasileira’.

“Orgulho de, ao longo dessa trajetória, termos feito batalhas juntos. E temos certeza que em função de nossa conjuntura, faremos muitas outras. Juntos, lado a lado, venceremos”, disse Gilmar.

Josué Rocha, do MTST também reafirmou o apoio. “Estamos na linha de frente e na luta por direitos - estamos juntos com a CUT”, disse.

O presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Luís Antonio Colussi, declarou a importância de trazer à memória a luta dos trabalhadores.

“Luta operaria que nos instiga à responsabilidade coletiva pela afirmação dos direitos de cidadania e valores fundamentais do trabalho prometidos pela Constituição”, disse Colussi.

Centrais sindicais

Os presidentes das demais centrais sindicais também parabenizaram a CUT pelos 38 Anos.

Miguel Torres, da Força Sindical ressaltou a importância da unidade das centrais em torno da luta pela democracia em face dos ataques de Bolsonaro aos trabalhadores. “Ressalto a importância da CUT na unidade do movimento sindical brasileiro nas lutas pela saúde, em defesa dos diretos, da democracia, da soberania, da retomada do desenvolvimento econômico sustentável, do trabalho decente”, citou.

Adilson Araújo, da Central de Trabalhadores Brasileiros (CTB) reconheceu a atuação da CUT. “Nessas mais de três décadas, a CUT prestou relevantes serviços, destacou-se pela luta pela democracia, liderou batalhas junto com as centrais contra as reformas”, disse.

Ainda na linha da unidade das centrais, Antonio Neto, da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB) e Edson Carneiro Indio (Intersindical) afirmaram que o momento atual requer ainda mais a atuação organizada das centrais na batalha contra o governo Bolsonaro.

Também participaram o presidente da União Geral de Trabalhadores, (UGT), Ricardo Patah, José Gosse (Pública), e José Reginaldo Inácio, na Nova Central de Trabalhadores (NCST).

Grand finale

A live de 38 anos da CUT terminou com o pronunciamento de Sérgio Nobre, já citado no início desta matéria. A lembrança de companheiros de luta que se foram como o eterno João Felício, que além de presidente da CUT foi secretário de Relações Internacionais e presidente da CSI; e do também ex-presidente da Central, Kjeld Jacobsen simbolizou a homenagem aos vários sindicalistas, como Vagner Gomes, presidente da CTB, que também perderam suas vidas nos últimos anos, além dos quase 600 mil brasileiros vitimados pela política genocida de Bolsonaro, que negligenciou em todos os sentidos o enfrentamento à pandemia.

Após uma homenagem aos trabalhadores da saúde, na linha de frente do combate à Covid-19, a live reforçou os desafios da CUT para os próximos tempos. “O mundo do trabalho exige da CUT e do movimento sindical respostas imediatas e planejamento para o futuro”, diz o narrador.

A convocação para os atos do dia 7 de setembro, convocados pela Campanha Fora Bolsonaro dão o tom do que é a luta da CUT – mobilização nacional, uma luta que é de todos os trabalhadores.

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Edição: Marize Muniz