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Líderes da greve dos caminhoneiros em 2018 apoiam paralisação dos petroleiros

Rechaço à política de preços da Petrobras une categorias. “Temos pauta em comum”, diz Chorão, liderança dos condutores

Publicado: 18 Fevereiro, 2020 - 11h50 | Última modificação: 18 Fevereiro, 2020 - 11h54

Escrito por: Igor Carvalho, do Brasil de Fato (SP)

Gibran Mendes
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Em maio de 2018, os caminhoneiros pararam o Brasil por dez dias. No centro das reivindicações, a exigência de que a Petrobras altere sua política de preços, para que o combustível chegue com um valor acessível na bomba. Longe dos sindicatos, líderes que se destacaram em inúmeros grupos de WhatsApp passaram a comandar a categoria. Entre eles, Wallace Landim, o Chorão, e Wanderley Alves, o Dedeco. Hoje, ambos manifestaram apoio à greve dos petroleiros, que chegou ao 17ª dia.

“Eu acho válida a manifestação que eles estão fazendo. Em 2018, a gente já falava da política preços e estamos lutando contra isso até hoje. Temos essa pauta em comum. A população tem que aderir, pois não prejudica só os caminhoneiros”, afirma Chorão em entrevista ao Brasil de Fato.

Dedeco critica o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a quem acusa de ter “mentido para os caminhoneiros”. “Quando paramos em 2018, minha pauta era essa, a política de preços da Petrobras. Dois anos depois, nada mudou. Esse governo está errado desde que assumiu. Nos prometeu mexer no preço, tem até vídeo dele falando isso, até hoje não fez nada. Cadê?”, questiona o condutor.

O apoio foi bem recebido pelo diretor do Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindpetro), Alexandre Castilho. “Como é uma luta para melhorar as condições de vida de todos, através da redução de combustíveis, ela tem adesão. Ficamos felizes com esse apoio. De forma geral, temos recebido apoio, de diversos movimentos sociais e sindicatos. Então, isso é importante porque suplanta uma categoria e vai de encontro aos interesses nacionais”, explica.

Apesar do apoio, Dedeco e Chorão afirmam que não pretendem convocar a categoria para aderir às paralisações dos petroleiros. Para o primeiro, a pauta deve ser defendida pelos condutores, mas há um impedimento para a mobilização: “90% é bolsonarista”.

“Não tem como convocar os caminhoneiros, eles estão fechados com o governo que nada fez por nós. Só cortina de fumaça, olha o que virou a tabela do frete mínimo, um inferno em nossas vidas”, encerra Dedeco.

Greve crescente

A greve dos petroleiros chega ao 17º dia com a adesão de 20 mil trabalhadores, que paralisaram 120 unidades do sistema Petrobrás, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP). Os trabalhadores cruzaram os braços para protestar contra as 1 mil demissões da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen).

Durante a paralisação, os petroleiros expandiram as pautas e passaram a protestar contra a privatização da estatal e a política de preços para combustíveis da Petrobrás, que está atrelado ao mercado internacional.