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Juca Kfouri e Afrânio Jardim visitam Lula: contraste entre otimismo e desolação

"O maior líder político da história do Brasil isolado numa sala, a troco de quê?", diz jurista, em tom de revolta. Para Juca, ex-presidente é uma "fortaleza" e só pensa em projetos para o Brasil

Publicado: 05 Abril, 2019 - 10h12 | Última modificação: 05 Abril, 2019 - 10h28

Escrito por: RBA

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O jornalista Juca Kfouri e o jurista Afrânio Jardim saíram com sentimentos distintos da visita de uma hora ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde desta quinta-feira (4), em Curitiba. Se por um lado "não dá para encontrar com ele e não estar otimista", como descreveu Juca, por outro há uma sensação de inconformismo e indignação. "O maior líder político da história do Brasil isolado numa sala, a troco de quê?", questionava Afrânio, ainda emocionado com o encontro.

Primeiro a falar na Vigília Lula Livre, nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal, Juca disse que levou "um abraço de amor, solidário", pela morte de Arthur, neto do ex-presidente, há pouco mais de um mês, lembrando que ele tem duas netas. Mas lembrou que Lula é uma "fortaleza", está fisicamente bem e falando em projetos.

"O Lula é o Lula, só fala em projeto pro Brasil, em quando eu sair daqui, naquilo que o PT precisa fazer", relatou o jornalista.

Segundo o que ouviu do ex-presidente, os petistas têm de ser como os pastores: "Não adianta ter uma ideia brilhante e só manifestar a cada 40 dias, na reunião do partido, tem de ser uma pregação diária". Ao mesmo tempo, acrescenta Juca, Lula diz preferir "ser um preso digno do que um solto rato". 

O jornalista revela, ainda, uma sensação de não ser possível aceitar que uma pessoa como Lula esteja presa há quase um ano, que será completado no próximo domingo (7), quando várias manifestações de solidariedade estão programadas, no Brasil e no exterior, na chamada Jornada Lula Livre. Ele disse ter esperança de que o período na prisão, "praticamente uma solitária", diminua.

Processo "absurdo"

Representante de um grupo de procuradores e promotores em visita à vigília, Afrânio disse sair de Curitiba "indignado, perplexo, emocionado" com a "brutalidade" de que Lula é vítima. Para ele, o único sentido é evitar que o ex-presidente "possa fazer política de fora". O jurista também manifestou solidariedade pessoal: "Perdi uma filha, defensora pública, mais ou menos recente. Se eu estivesse aí, não sei... Eu não tenho a grandeza que o Lula tem, eu me revolto muito. Como isolar um homem desse, com tanta coisa pra falar, com tanta coisa pra dizer?"

Segundo Afrânio, a situação do ex-presidente é "absurda" do ponto de vista jurídico e processual. "Estudei o caso dele, não faz sentido nenhum." 

Ele pediu reação, embora não saiba exatamente o que pode ser feito. "Simplesmente é absurdo deixar esse homem isolado, sofrendo o que está sofrendo, e nós aqui fora sem poder fazer nada. Eu não teria medo de colocar em risco minha própria vida pra mudar essa situação. Não sei o que fazer, o que falar, eu me emocionei, eu fico com vontade de chorar", acrescentou Afrânio, com a voz embargada.

"O que ele fez no mundo todo... Isolado numa sala como prisioneiro, e nós todos aqui, brasileiros, aceitando, vendo isso, reclamando disso. Em algum momento, se isso perdurar, tem de se fazer alguma coisa."