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Jornalistas repudiam ofensas de Bolsonaro que surtou com pergunta de repórter

Laurene Santos, 27 anos, foi insultada por Bolsonaro, que a mandou calar a boca e ainda foi exposta a seus perdigotos, um risco para a sua saúde já que o presidente não se previne contra Covid-19

Publicado: 22 Junho, 2021 - 12h57 | Última modificação: 22 Junho, 2021 - 13h05

Escrito por: Redação CUT

Reprodução/YouTube
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Os jornalistas, muitos políticos e a maior parte da sociedade, como se viu nas redes sociais, ficaram indignados com mais uma ofensa do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) a uma repórter, mulher trabalhadora, que estava no exercício da sua função.

Bolsonaro se descontrolou totalmente e começou a berrar, puxando a máscara do rosto, apenas porque ela perguntou o motivo dele ter chegado ao local sem a máscara que, além da vacina em falta no país, é a melhor proteção contra o novo coronavírus, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele chegou ao local a máscara, colocou depois e tirou para ofender a repórter.

O novo surto presidencial contra a imprensa ocorreu durante agenda, nesta segunda-feira (21), em Guaratinguetá, no estado de São Paulo.

Ao ouvir a pergunta sobre o não uso da máscara em locais públicos, Bolsonaro gritou com a repórter Laurene Santos, 27 anos, da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo, mandando que ela calasse a boca. A repórter continou tentando fazer a pergunta, Bolsonaro se descontrolou de vez e partiu para o ataque, tirou a máscara e berrou:

“Cala a boca. Vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha que não ajuda em nada. Vocês destroem a família brasileira, destroem a religião brasileira. Vocês não prestam”, vociferou o presidente.

Bolsonaro, que estava a pequena distância da jornalista e do repórter cinematográfico André Bias, expôs deliberadamente os dois trabalhadores ao risco de contágio com a Covid-19.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram, por meio de nota, a atitude brutal e misógina do presidente e se colocaram a disposição da repórter. A regional Vale do Sindicato dará todo apoio a repórter para todas as medidas que foram cabíveis, diz trecho da nota.

“Os jornalistas brasileiros não aceitam ordens ou gritos de cala a boca! O jornalismo é um pilar da democracia!”, conclui a nota.

Bolsonaro foi à cidade para acompanhar a cerimônia de formatura da Escola de Especialsitas da Aeronáutica. A chegar na Aeronáutica, em Guaratinguetá, ele desembarcou do carro oficial sem máscara e cumprimentou e abraçou apoiadores. O fato foi motivo de quetionamento pela repórter verbalmente agredida.

Os ataques de Bolsonaro à jornalista estiveram entre os assuntos mais comentados do dia na rede social Twitter. Hastags como "covardia", "descontrole", "desequilibrado", "surto" e "surtado"  foram usadas por diversos políticos, populares e personalidades para se referir ao fato.

Entre os políticos que se manifestaram publicamente esteve o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, que usou seu perfil no Twitter para criticar o presidente.