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Jornalistas farão protesto dia 18 contra ataques de Bolsonaro

Os ataques do Bolsonaro contra a imprensa infelizmente nos fazem recordar muito a esse momento da ditadura militar, diz sindicato

Publicado: 06 Março, 2020 - 10h32 | Última modificação: 13 Março, 2020 - 09h56

Escrito por: Patrícia Martins , Congresso em Foco

Fotógrafo/ J. França
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Em 1984, fotógrafos cruzaram os braços em protesto pela forma como eram tratados por Figueiredo.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) está mobilizando os profissionais que fazem a cobertura do Planalto e do Congresso Nacional para um protesto na Esplanada dos Ministérios em defesa do jornalismo e da democracia e em repúdio aos ataques  feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O ato está marcado para o dia 18 de março.

Na manifestação, os jornalistas pretendem repetir o ato histórico feito por fotógrafos que cobriam o Palácio do Planalto (onde despacha o presidente da República) em 1984. Em protesto contra o tratamento dispensado pelo presidente da época, general João Figueiredo, cruzaram os braços e abaixaram as câmeras, dando origem à imagem histórica destacada acima.

"Os ataques do Bolsonaro contra a imprensa infelizmente nos fazem recordar muito a esse momento da ditadura militar em que tinha um enorme desrespeito e censura com os jornalistas e a imprensa. É necessário relembrar esse momento, não só o que acontecia, mas também a resposta dos jornalistas à isso", esclareceu Juliana César Nunes, diretora do Sindicato.

Juliana explica que o sindicato e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que endossa o protesto, atendem a uma reclamação dos profissionais da área, que são frequentemente alvos de ofensas e de ironias de Jair Bolsonaro ao exercerem o ofício. Segundo ela, "a categoria está muito indignada com o desrespeito que vem ocorrendo". A data escolhida tem como objetivo coincidir com o dia escolhido por vários movimentos de oposição para se manifestar "em defesa dos serviços públicos, da educação e dos direitos".

Ataques sistemáticos

A diretora explica que os ataques à imprensa não são casos isolados e sim sistemáticos e que o ocorrido na última quarta-feira (4), em que um humorista fantasiado de presidente da república distribuiu bananas e debochou de jornalistas na saída do Palácio Alvorada foi a "gota d'água". "É um acúmulo de algo que já estava muito engasgado e latente na categoria. Acredito que tenha sido a gota d'água", pontuou.

Os ataques a jornalistas e a veículos de imprensa cresceram 54,07% no primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), aponta levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O número passou de 135 em 2018 para 208 no ano passado. A maioria deles (116) partiu da própria presidência. Em dezembro do ano passado,por exemplo, Bolsonaro disse a um repórter que ele teria uma "cara de homossexual terrível".