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JBS de Passo Fundo, no RS, é interditada por surto de trabalhadores com Covid-19

Já foram confirmados ao menos 48 casos de trabalhadores com Covid-19 e 106 estão sob suspeita. Auditores-fiscais alertam que medidas adotadas pela empresa não são suficientes para frear contágio

Publicado: 27 Abril, 2020 - 13h17 | Última modificação: 27 Abril, 2020 - 14h25

Escrito por: Érica Aragão

Ministério Público do Trabalho/RS
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A fábrica de aves da JBS, em Passo Fundo, no Sul do Brasil, foi interditada na última sexta-feira (24) porque não enfrentou um surto de coronavírus (Covid-19), que atingiu os trabalhadores e trabalhadoras da empresa, nem cumpriu medidas essenciais para controlar a proliferação da doença.

Só nesta unidade do Rio Grande do Sul, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, já são 48 casos de trabalhadores com Covid-19 confirmados, 27 por exame e 21 por critério epidemiológico, 106 sob suspeita e ainda existe a comprovação de ao menos dois óbitos de pessoas que tinham contato com trabalhadores da empresa.

Passo Fundo é a segunda cidade gaúcha com maior número de casos de coronavírus. Até a noite de sexta, foram contabilizados 73 casos oficiais e seis mortes. O município fica atrás apenas de Porto Alegre, com 413 casos oficiais e dez óbitos.

Após vistoria na planta da empresa, auditores-fiscais do trabalho identificaram risco grave e iminente para a vida e a saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras e determinaram a paralisação completa das atividades e serviços da JBS Passo Fundo até que as medidas necessárias sejam implementadas para garantir a segurança dos trabalhadores.

Segundo auditores-fiscais do Trabalho no Rio Grande do Sul, foi constatado que a empresa não estava atendendo as normativas de saúde relacionadas ao combate do coronavírus publicadas pelo Estado do Rio Grande do Sul, pelo município de Passo Fundo e pelo Ministério da Economia, através da Secretaria de Inspeção do Trabalho.

“Foi detectado que o uso de máscaras é improvisado e sem qualquer garantia de eficiência para serem utilizadas como Equipamento de Proteção Individual (EPI) na indústria, a não observação do distanciamento mínimo entre um trabalhador e outro em várias áreas da planta, em especial nas linhas de produção e o não afastamento de trabalhadores com sintomas compatíveis com a Covid-19 ou que tiveram contato comprovado com pessoas confirmadas ou suspeitas para a doença”, diz trecho do documento que os Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (SINAIT) divulgou sobre o fechamento da empresa.

O chefe de fiscalização de segurança e saúde do antigo Ministério do Trabalho e que agora faz parte do Ministério da Economia, Mauro Müller, disse que é essencial que a empresa tome as medidas de proteção apontadas pelos auditores para que a empresa possa ser reaberta.

“Agora, a empresa precisa apresentar as medidas de correção necessárias para que seja preservadas vidas e depois disso poderá ser reaberta”, afirmou.

Justiça do trabalho na JBS

A empresa tem sido denunciada desde final de março com fotos e evidências do descumprimento, principalmente, do distanciamento entre os trabalhadores dentro da empresa e que havia muita aglomeração na sala de pausa, na saída para pegar o ônibus da empresa, no relógio de ponto e nos refeitórios.

A Procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) e coordenadora do projeto de frigoríficos no Rio Grande do Sul (RS), Priscila Dibi Schvarcz, disse que o MPT entrou com uma Ação Civil Pública contra a empresa porque mesmo com o inquérito para investigar estas condutas, fiscalização da vigilância sanitária e a recomendação da paralisação parcial do segundo turno da empresa, no qual a maioria dos trabalhadores confirmados estavam, a empresa não fez nada para mudar.

“O MPT entrou com uma ação civil pública que está tramitando na 2ª Vara do Trabalho em Passo Fundo, mas ela foi indeferida no primeiro momento. Com o aumento dos casos na empresa pedimos uma reconsideração da decisão, já que no entendimento do MPT é muito importante que a empresa mantenha os trabalhadores e as trabalhadoras, que estão sob suspeita ou confirmados pela doença, afastadas por no mínimo 14 dias”, disse Priscila sobre a denúncia que a empresa estava mantendo estes trabalhadores doentes ou com suspeita dentro da empresa.