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Infectologista diz que é crime fake news contra vacinas. “Todas são seguras”, afirma

Embora a orientação de autoridades da saúde seja a de que "a melhor vacina é a que está disponível", tem gente querendo escolher vacinas, como se estivessem num shopping. Isso é um crime, diz infectologista

Publicado: 23 Junho, 2021 - 14h01 | Última modificação: 23 Junho, 2021 - 14h14

Escrito por: Walber Pinto

Alex Pazuello/Semcom
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Além do esforço das autoridades da saúde para combater a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), especialistas têm se esforçado quase que diariamente para derrubar as mentiras absurdas que circulam sobre a eficácia das vacinas. As chamadas fake news, muitas vezes divulgadas pelo Palácio do Planalto, vêm confundindo e causando pânico na população que, ou quer escolher que vacina tomar, como se estivessem em um shopping, ou tem medo da imunização com qualquer vacina disponível.

Há vários relatos na internet de que pessoas estão indo às Unidades Básicas de Saúde (UBS) escolher a vacina que querem tomar, se não encontram a que querem saem das filas, atrapalhando a imunização. Isso tem se tornado cada vez mais comum no Brasil. No entanto, escolher qualquer vacina não faz sentindo nenhum de acordo com infectologistas. Todas as vacinas funcionam contra a Covid-19, garantem.

Para a médica infectologista Juliana Sales, dirigente da CUT-SP e do sindicato dos médicos de São Paulo, qualquer vacina é segura e a propagação de notícias falsas impacta não só quem vai tomar a vacina, mas a resposta à pandemia do novo coronavírus no país.

 “É um crime hoje, na situação em que estamos, com mais de 500 mil pessoas mortas, o comportamento de colocar em xeque o programa nacional de imunização, o histórico da eficácia das vacinas, que já conseguiram erradicar varíola, aqui no país o sarampo por um tempo (antes da cobertura baixar após o golpe de 2016), a poliomielite”, afirma.

Um estudo que analisou notícias falsas recebidas pelo aplicativo Eu Fiscalizo, conduzido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), aponta um número significativo de fake news em tempos de pandemia. Com a chegada das vacinas contra a Covid-19, o app segue recebendo uma série de denúncias de informações não verídicas.

O Eu Fiscalizo tem contribuído para que a sociedade tire suas dúvidas e obtenha esclarecimentos com a Fiocruz, de forma simples e rápida, a respeito de informações sobre a Covid-19.

Fakes News no WhatsApp

Uma das notícias falsas que circula no WhatsApp é um texto equivocado que diz que a vacina da Pfizer deixa nanopartículas no organismo que provocariam problemas, como a infertilidade.

Outra fake news diz que a eficácia da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, é muito baixa e não garante a imunização completa com o vírus.

É mentira! A CoronaVac tem uma eficácia estabelecida nos estudos de 50,38%, o que significa que, tomando a vacina, há 50,38% menos chance de desenvolver algum sintoma da doença. A vacina foi 100% capaz de prevenir a forma grave da doença, incluindo necessidade de internação em UTI e uso de oxigênio.

Qual vacina devo tomar? Qual delas é melhor?

Embora a orientação de autoridades da saúde seja a de que "a melhor vacina é a que está disponível", muitas pessoas estão indo aos postos de saúde escolher vacinas e não querem ser imunizados se no local estiver sendo aplicada outra vacina.

A Pfizer virou a “queridinha” do público, no entanto, todas as vacinas são seguras, segundo os cientistas, no caso as que três que estão disponíveis no Brasil: AstraZeneca, Pfizer e CoronaVac.

“Todas as vacinas foram aprovadas e estão em uso. Quanto mais rápido a população vacinar, mais rápido a pandemia vai deixar de causar óbitos”, reafirma Juliana.

Depois que a Pfizer chegou ao Brasil no fim de abril, parte dos brasileiros aptos a se vacinar vem recusando outras vacinas disponíveis nas unidades de saúde, como a vacina AstraZeneca, da Oxford, produzida em parceria com a Fiocruz, a a CoronaVac.

Os motivos são muitos:  parte das pessoas diz preferir a vacina da Pfizer pelo alto índice de eficácia, que chega a 95%, outros desejam tomá-la porque acreditam que com o imunizante americano conseguirão viajar para o exterior. Já outros porque a vacina americana teria menos efeitos colaterais.

 “Todas as vacinas são uma forma de mostrar o compromisso com você, sua família, e com toda a sociedade. A propagação de fake news impacta não só individualmente, mas na resposta do país à pandemia, na medida em que vemos governantes como o Bolsonaro aturarem nana propagação de notícias falsas, reitera a médica Juliana Salles.

Segundo informação do site da Fiocruz, "podem ocorrer reações temporárias após a vacinação". Os sintomas mais comuns são: dor de cabeça, enjoo, fadiga, calafrios ou sensação febril, dor muscular e sintomas no local da injeção (como dor, sensação de calor, vermelhidão, coceira e inchaço).

A questão é coletiva, não individual

Para a infectologista Juliana Salles, a vacinação não é apenas uma ferramenta de proteção individual — ou seja, quem se vacina se protege —, mas coletiva. Apenas a vacinação em massa pode barrar a circulação do vírus, o que especialistas em saúde chamam de imunidade coletiva, que é a proteção de toda a população, incluindo de quem não foi vacinado — ou de quem foi vacinado.

As vacinas são uma estratégia coletiva, de saúde pública, que vai além da proteção individual. O uso em larga escala tem a chance de alterar o curso de uma doença, incidir sobre gravidade e mortalidade. No atual momento, com mais vacinas sendo utilizadas, com a crise ainda na produção e o ritmo devagar do acesso, não tem como escolher
- Juliana Sales