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“Impossível não se emocionar”, diz psicólogo após visita a Vigília Lula Livre

"Carregamos uma energia que exala esperança, força e alegria e esta contradição de sentimentos é o que nos dá força e revigora nossa convicção da inocência de Lula", diz o psicólogo em carta

Publicado: 14 Fevereiro, 2019 - 16h46 | Última modificação: 14 Fevereiro, 2019 - 16h59

Escrito por: Redação CUT

Ricardo Stuckert
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O psicólogo Emerson Santos, militante do PT da Baixada Santista, escreveu uma carta contando como foi a sua experiência de passar dois dias na Vigília Lula Livre, nas proximidades da sede da Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde o ex-presidente Lula é mantido preso político desde 7 de abril do ano passado.

“Foi uma experiência emocionante”, diz ele logo no início da carta, detalhando de onde surgiu a ideia, como foi sendo preparada a viagem e o que sentiu no final da visita.

Segundo o psicólogo, um grupo da Baixada Santista decidiu passar 48 horas na vigília e fez uma festa-ato para arredar recursos. O ato-festa Lula livre na José Mártir, em Santos, teve música e muita gente solidária à causa, afirma Emerson.

E o resultado foi ótimo, venderam pastéis, fizeram uma rifa e arrecadaram uma boa quantidade de donativos para entregar à coordenação da Vigília Lula Livre, conta Emerson, que seguiu para Curitiba em um ônibus fretado com outras 29 pessoas.

Sobre a viagem, ele diz que “de forma coletiva carregamos uma energia que exala esperança, força e alegria e esta contradição dos sentimentos é o que nos dá força e revigora nossa convicção da inocência de Lula e a consciência que ele é um preso político”.

Depois de muitos “bom dia, boa tarde e boa noite, presidente Lula”, o psicólogo resume o sentimento de quem vai ao local: “o mais gratificante é saber que ele ouve e isso nos faz dar o máximo da nossa potência vocal, carregada de indignação e afeto”.

E completa: “E toda essa energia junta, a soma de todos os sonhos, lutas e histórias são catalisadas nas manifestações diárias ao presidente Lula. É impossível não se emocionar”.

Confira a íntegra da carta-depoimento:

Caravana Curitiba! Lula livre, tristeza e alegria.

Tive a oportunidade de passar 48 horas na Vigília Lula livre em Curitiba. Foi uma experiência emocionante.

Curitiba é uma cidade de pessoas frias e conservadoras e tive a oportunidade de conhecê-la quando Lula foi dar depoimento ao juiz fascista Moro, foi uma grande manifestação com várias caravanas de todos os lugares e uma bela fala de Lula para variar.

Agora fomos para o Sul por iniciativa própria de um coletivo da rede caiçara da Baixada Santista.

Estávamos em 30 pessoas, fretamos um ônibus e criamos as condições através de um ato-festa Lula livre na José Mártir, em Santos, com boa música e muita gente solidária à causa. Vendemos pastéis e fizemos uma rifa, e arrecadamos uma boa quantidade de donativos que entregamos para a coordenação da vigília.

Esta iniciativa foi autônoma, libertária e mobilizadora.

Ao chegarmos às 6hs da manhã já estavam esperando por nós, em uma casa mantida pela vigília através de doações preparada para receber companheiros que chegam de várias partes do Brasil. Neste mesmo dia uma caravana de Florianópolis também chegaria para passar esses dois dias.

Ao chegar percebe-se a alegria e o carinho na recepção.

Tudo é feito de forma coletiva são voluntários que muitos estão lá desde a prisão de Lula, são pessoas de varias partes do país.

A casa era uma creche privada que não estava em funcionamento, foi alugada e adaptada de forma humilde e aconchegante para acolher as pessoas.

Neste final de semana a casa acolheria 70 pessoas entre homens, mulheres e crianças.

Fomos recebidos com um belo café da manhã com um gosto de carinho e companheirismo.

O que chama atenção é a disciplina, organização dos coordenadores e voluntários militantes, de forma a garantir a manutenção, ordem e o bom convívio social dos três espaços: a casa Lula, o espaço Marielle Vive, onde as pessoas almoçam e tem atividades políticas, e o terreno da vigília alugado enfrente a PF onde Lula se encontra. Existe toda  uma preocupação com a vizinhança. No iniciou houve diversos conflitos com moradores e fascistas relatados pelos militantes, o bairro é um local de classe média, perfil de pessoas frias, mas que hoje os problemas parecem estar minimizados, os vizinhos, ou uma boa parte deles, compreenderam e passaram a respeitar o movimento, houve adesões por parte de moradores das imediações que se solidarizaram com a causa.

O slogan “ninguém solta a mão de ninguém” é feito na prática na vigília.

As 8:30 fomos  para a vigília que fica a umas três quadras dali. Logo demos de frente com o prédio da Polícia Federal. O impacto é imediato e sombrio. Fiquei sabendo que foi construído na gestão de Lula. Chegamos para o primeiro ‘bom dia presidente Lula’. Já tinha visto várias vezes pela internet mas de fato não tinha dimensão da sua carga emocional estando em frente aquela masmorra, sabendo que a maior liderança política da história deste país está lá de forma injusta, aí vem a indignação, a impotência a tristeza.

Ao mesmo tempo, de forma coletiva carregamos uma energia que exala esperança, força e alegria esta contradição dos sentimentos é o que nos dá força e revigora nossa convicção da inocência de Lula e a consciência que ele é um preso político.

Com a garganta embargada, os olhos lagrimejantes e sempre com o sorriso no rosto as pessoas dão 13 bom dia ao presidente Lula, 5 boa tarde e novamente 13 boa noite.

O mais gratificante e saber que ele ouve, e isso nos faz dar o máximo da nossa potência vocal, carregada de indignação e afeto.

E toda essa energia junta, a soma de todos os sonhos, lutas e histórias são catalisadas nas manifestações diárias ao presidente Lula. É impossível não se emocionar.

A interação e as trocas de experiências são enriquecedoras, cada sujeito carrega as peculiaridades de cada região, de cada cultura, de cada vida, são jovens dando o frescor e a esperança, são velhos com marcas da vida, são mulheres protagonizando está história, são todas as tribos reunidas negros, índios, LGBT, e aqueles que se movem por um mundo mais justo e igualitário.

Neste pequeno relato quero dividir com os companheiros a emoção de ter vivenciado esses dias. Voltei para a Baixada energizado, com disposição e sabedor do meu papel.

Sugiro para quem não tenha ido faça um esforço doe um tempo, passe um período, um dia, dois ou três, tenho certeza que preencherá em muito na sua vida, não existe formulação teórica que supere tal vivência.

Apenas lá você percebe a importância de Lula escutar todos os dias as vozes anônimas dando bom dia. Tenho certeza que isso o alimenta isso o mantém vivo, lhe permite carregar seu coração e mente de energia para continuar lutando e acreditando em seu povo em seu país.

Emerson Santos

Psicólogo, militante do PT

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