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Haddad, Flávio Dino e Boulos divulgam nota pedindo afastamento de Moro e Deltan

Na nota, também assinada pelo ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, o ex-senador Requião e a ex-candidata à vice-presidência da República Sônia Guajajara, eles defendem a liberdade de imprensa

Publicado: 29 Julho, 2019 - 17h15

Escrito por: Redação CUT

Lula Marques
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Líderes da esquerda divulgaram uma nota nesta segunda-feira (29), defendendo a liberdade de imprensa e pedindo o afastamento do ex-juiz Sergio Moro, ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PSL), e do procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, de suas funções.

Assinam a nota o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL-SP), o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, o ex-senador Roberto Requião e a ex-candidata à vice-presidência da República Sônia Guajajara, segundo colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Chega de “vale-tudo”, ilegalidades e abusos. Não queremos mais justiça seletiva e parcial. Queremos justiça para todos".
- Trecho da nota

Diálogos de Moro e Deltan, que veem sendo divulgados pelo The Interpecpt Brasil e pela Folha de S. Paulo, mostraram que o ex-juiz orientava ilegamente a Lava Jato, interferia na investigação, especialmente quando se tratava do caso do tríplex do Guarujá, que envolvia o ex-presidente Lula, dizia a ordem de ações que deveriam ser feitas pela Polícia Federal e outras ilegalidades.

A última matéria da série de reportagens, já conhecida como Vaza Jato, mostra que, assim como Deltan, Moro achava a delação do ex-ministro Antonio Palloci fraca. Mesmo assim, como prejudicava o candidato do PT Fernando Haddad, Moro vazou a delação uma semana anrtes da eleição. Na semana passada, quando a PF prendeu os hackeres que supostamente seriam a fonte do The Interpecpt, Moro disse que iria destruir as conversas.  

 

"São absurdas as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald [americano, fundador do The Intercept Brasil], seja por palavras do presidente da República ou por atos ilegais, a exemplo da portaria 666, do Ministério da Justiça", diz trecho da nota dos líderes da esquerda. 

A portaria de Moro, publicada na sexta-feira (26), trata da deportação sumária de estrangeiros considerados ‘perigosos’ ou que tenham praticado ato "contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal".

No sábado (27), Bolsonaro disse em entrevista que Greenwald "talvez pegue uma cana aqui no Brasil".

O manifesto também se diz solidário à ex-deputada Manuela D'Ávila, "que não praticou nenhum ato ilegal". Walter Delgatti Neto, suspeito de ter hackeado celulares de autoridades, disse à Polícia Federal que conseguiu o contato de Greenwald por intermédio de D'Ávila. Ela confirma, diz a reportagem da Folha.

Em trecho da nota, os líderes da esquerda também criticaram fala de Moro dizendo que as mensagens apreendidas com os hackers detidos pela PF seriam destruídas.

"Em qualquer outro país democrático do mundo isso [o afastamento de Moro do cargo] já teria ocorrido, pois está evidente que Moro não se comporta de acordo com a legalidade, insistindo em espantosos abusos de poder", afirma o texto assinado por líderes da esquerda.

Leia a íntegra do documento abaixo:

"Nota em defesa da liberdade de imprensa e pelo afastamento de Moro e Dallagnol

Em face dos graves acontecimentos que marcaram os últimos dias no Brasil, vimos a público para:

  1. Manifestar a nossa defesa firme e enfática das liberdades de imprensa e de expressão, das quais é consectário o direito ao sigilo da fonte, conforme dispõe a nossa Constituição Federal. Assim sendo, são absurdas as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald, seja por palavras do presidente da República ou por atos ilegais, a exemplo da Portaria 666, do Ministério da Justiça. Do mesmo modo, estamos solidários à jornalista Manuela D’Avila, que não praticou nenhum ato ilegal, tanto é que colocou seu telefone à disposição para perícia, pois nada tem a esconder. 
  2. Registrar que apoiamos todas as investigações contra atos de invasão à privacidade. Contudo, desejamos que todo esse estranho episódio seja elucidado tecnicamente e nos termos da lei, sem interferências indevidas, como a praticada pelo ministro Sérgio Moro. Este agente público insiste em acumular funções que não lhe pertencem. Em Curitiba, comandava acusações que ele próprio julgaria em seguida. Agora, no ministério, embora seja parte diretamente interessada e suspeita, demonstra ter o comando das investigações, inclusive revelando atos sigilosos em telefonemas a autoridades da República. 
  3. Postular que haja o imediato afastamento do ministro Sérgio Moro, pelos motivos já indicados. Em qualquer outro país democrático do mundo isso já teria ocorrido, pois está evidente que Moro não se comporta de acordo com a legalidade, insistindo em espantosos abusos de poder. Do mesmo modo, a Lava Jato em Curitiba não pode prosseguir com a atuação do procurador Deltan Dallagnol, à vista do escandaloso acervo de atos ilícitos, a exemplo do comércio de palestras secretas e do conluio ilegal com o então juiz Moro. 
  4. Sustentar que é descabida qualquer “queima de arquivo” neste momento. Estamos diante de fatos gravíssimos, que merecem apuração até mesmo junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional, neste último caso por intermédio de Comissão Parlamentar de Inquérito. A República exige transparência e igualdade de todos perante a lei. Altas autoridades que estão defendendo a “queima de arquivo” parecem ter algo a temer. Por isso mesmo, nada podem opinar ou decidir sobre isso. A lei tem que ser para todos, de verdade. 
  5. Sublinhar que somos a favor da continuidade de todos os processos contra atos de corrupção ou contra atuação de hackers, e que todos os culpados sejam punidos. Mas que tudo seja feito em estrita obediência à Constituição e às leis. Neste sentido, reiteramos a defesa da liberdade imediata do ex-presidente Lula, que não teve direito a um julgamento justo, sendo vítima de um processo nulo. A nulidade decorre da parcialidade do então juiz Moro, já que os diálogos revelados pela imprensa mostram que ele comandava a acusação e hostilizava os advogados de defesa, o que se configura uma grave ilegalidade. 
  6. Por fim, lembramos que quando os governantes dão mostras de autoritarismo, esse exemplo contamina toda a sociedade e estimula violências, como a praticada contra os indígenas wajãpis, no Amapá, com o assassinato de uma liderança após a invasão do seu território. Cobramos do Governo Federal, especialmente do Ministério da Justiça, providências imediatas para garantia da terra dos wajãpis e punição dos assassinos.

Chega de “vale-tudo”, ilegalidades e abusos. Não queremos mais justiça seletiva e parcial. Queremos justiça para todos."